ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O cantor Genival Santos, paraibano da cidade de Campina Grande, com seus mais de 40 anos de carreira, iniciada no programa Flávio Cavalcanti passou a ser conhecido pelo Brasil inteiro por suas músicas: “Meu Coração pede Paz”, ”Se errar outra vez”, “Sendo Assim” e “Eu não sou brinquedo”. Despontando nas paradas de sucesso com “ EU TE PEGUEI NO FLAGRA. Na época o cantor barrou grandes nomes da música vendendo mais de 80 mil cópias logo em sua estreia. são quase 30 discos gravados e mais de 5 milhões de cópias vendidas em todo o país. Genival ficou conhecido com hits do brega como Se Errar Outra Vez e Eu Lhe Peguei no Flagra. Ele morreu em Fortaleza, onde morava há mais de 30 anos, quando estava com 71 anos de idade, em novembro de 2014.

Há quem diga, principalmente os bons amantes das letras bem apuradas, que os bregas não são realmente boas melodias. A música é pobre, a letra é machista e ofensiva, e a música seguindo dentro dos velhos chavões da década de 70/80. Hoje em dia o herdeiro do brega, – o sertanejo universitário – desprezou todas as opções estilísticas do brega e se posiciona somente como um clone do country pop americano. Cada um com seus gostos e preferências. Agora, não se há de negar que, onde tivesse um botequim, lá estava rodando um disco de Genival Santos. Um digno, um dos maiores, se não o maior, emblema da dita música brega. Atire a primeira pedra quem nunca tomou muitas lapadas de Conhaque Dreher com limão tendo como tira-gosto uma latinha de sardinha coqueiro ao molho de tomate…

E viva o brega de Genival Santos a Reginaldo Rossi, até Odair José que hoje é chique e tá na moda… Quem quiser que jogo tudo isso no liquidificador e aprecie o seu sabor de paixonite aguda e viaje na maionese pelas serestas das esquinas da vida saboreando essas letras:

Encostei o meu carro na praça, pra lhe dizer, que eu vou tirar você deste lugar… Hoje quem me vê assim/ Maltrapilho, embriagado/ Nem sequer pode supor/ Que fui gente no passado… Vivo agora pelas ruas/ Durmo em banco de jardim/ Só encontro lenitivo no balcão de botequim… Eu lhe peguei no fraga/ E não quero explicação… Se errar uma vez/ Dou castigo/ Para não se acostumar/ Se errar outra vez/ Mando embora/ Pra saber me respeitar…

Pois bem!!! Genival Santos se foi, porém sua música permanecerá para o povo simples, para os boêmios, para os solitários, para quem é eternamente gamado e precisa de sua música, enfim, tem todo direito de se lambuzar com um Long Play de Genival Santos.

3 pensou em “GENIVAL SANTOS, O MAIOR DISTINTIVO DA DITA MÚSICA BREGA

  1. Genival Santos,

    Não era brega, denominação preconceituosa da época às músicas que não se enquadravam no padrão chique da MPB da classe média de Copacabana.

    As ditas músicas bregas eram a base da sabedoria porque suas letras retratavam os sentimentos do povo simples, que tinham como ponto de encontro os bares da vida, os puteiros, os cabarés e os meretrícios.

    As músicas bregas estão para os versos de cordéis assim como a vida está para a arte. Nada muda, senão nossos preconceitos.

    Valeu Altamir pelo artigo relembrando esse mestre dos puteiros, cabarés, bares e furdunços.

  2. O mestre Cícero fez uma análise perfeita do que é musica brega .
    Denominação preconceituosa daqueles que estão acima da classe média e se acham no direito de avacalhar o gosto simples popular.

    A sabedoria do nosso amigo Cíicero está no excelente parágrafo em que encerra o seu sábio comentário. Vou repetir para testemunhar a sua sabedoria.

    ” As músicas bregas estão para os versos de cordéis, assim como
    a vida está para a arte. Nada muda, senão nossos preconceitos. ”

    Falou o conhecedor da sabedoria popular.

    Abraços para os Amigos Altamir e Cícero.

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