GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

Uma coisa que parece injusta é um político, digamos, um presidente da república, não poder indicar seu filho para um importante cargo público, como embaixador nos Estados Unidos, por exemplo, só porque é seu filho.

Como se sabe, os cargos de embaixador devem ser preenchidos, por lei, mediante escolha dentre os ministros de primeira classe e os ministros de segunda classe, que são cargos da estrutura do Ministério das Relações Exteriores.

Contudo, a mesma lei que o estabelece permite, também, que, em caráter excepcional, seja indicado mesmo quem não faça parte da carreira diplomática para ocupar posto de chefe de missão diplomática permanente no exterior.

As condições para o acesso a pessoas de fora da carreira não oferecem obstáculos tão difíceis de superar: basta que o indicado seja maior de trinta e cinco anos, seu mérito seja reconhecido e tenha prestado relevantes serviços ao Brasil.

O indicado pelo presidente da república, no caso de pessoa de fora da carreira do Itamaraty, terá a proposta analisada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, que a avalia, sabatina o candidato, decide em votação secreta se sim ou não, e depois o Plenário carimba.

Vamos lembrar que estamos, hoje, segundo avaliação do próprio governo executivo, sob a égide da meritocracia.

Jair Bolsonaro garantiu que esse negócio de gente no governo só porque é do partido, ou porque tem QI, o famoso “quem indica”, acabou.

Desse modo, passaria o rodo, e passou o quanto pôde, na turma do PT, o Partido dos Trabalhadores, que tinha na administração pública só gente incompetente – alega-se – mamando no Erário tão somente porque os anteriores donos do poder queriam.

E, que se dane se para chegar a isso precise até cair algum ministro ou qualquer ocupante do primeiro escalão: tem de indicar gente de fora do PT, porque todos sabem, segundo a crença firmada, que sendo do PT não tem mérito.

Pois bem, o caso inicialmente imaginado configura-se, concretamente: Jair Bolsonaro quer indicar seu, dele, filho para ser o embaixador nos Estados Unidos.

Por que não? Pergunta ele: o cargo está vago há três meses esperando o filhão completar os trinta e cinco anos necessários, e ele completou. Além de ser amigo dos filhos da maior autoridade mundial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu, dele, Bolsonaro, filho fala Inglês e Espanhol, tem vivência do mundo, está no radar do presidente e pode dar conta do recado muito bem.

Quanto às credenciais, o próprio Eduardo Bolsonaro as expõe: é o deputado mais votado da história aqui, ocupa o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e já fritou hambúrguer nos Estados Unidos.

Algumas coisas parecem claras:

Uma, que no corpo diplomático do Itamaraty, dentre o pessoal da carreira, não há alguém com mérito suficiente para o cargo de Embaixador dos Estados Unidos.

Duas, que na sociedade brasileira o melhor para isso, sobre o qual a meritocracia deve recair, é o filho do presidente da república.

Tudo bem?

Olavo de Carvalho, amigão de Eduardo, Guru do Governo, filósofo, desbocado, escritor, jornalista, astrólogo, talvez simpatizante do terraplanismo, ideólogo da direita e, principalmente, anticomunista ferrenho, acha que não.

Por quê? Não que seu amigo não detenha as condições, não que a nomeação possa carregar alguma forma de nepotismo, não!

Olavo de Carvalho acredita que ser embaixador dos Estados Unidos cortará a carreira de Eduardo, o qual precisa ficar na deputança para combater o Foro de São Paulo, esse que, ao seu ver, precisa ser destruído, pois, caso contrário, o comunismo acabará tomando conta do Brasil.

O governo de Jair Bolsonaro veio para acabar com a corrupção, permitir que a gente tenha arma, tirar a esquerda comandada pelo PT do poder e, principalmente, acabar com a ameaça comunista que estava já tomando conta do Brasil, tramando acabar com as nossas tradições, matar a religião, destruir a família e querendo impedir que as pessoas tenham arma, bem como, algo muito importante, Bolsonaro veio para inaugurar a meritocracia no preenchimento dos cargos e encargos públicos.

Então, analisando as circunstâncias, me pergunto se pode, ou se não pode, se deve, ou se não deve, atento ao fato de que se Eduardo Bolsonaro deixar o mandato de deputado federal para ser embaixador nos Estados Unidos o Foro de São Paulo perderá um dos seus mais fortes combatentes e o Brasil cairá no comunismo.

Agora, vocês decidem.

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