ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

“O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo e já tinha inventado a televisão que ensina a desprezar o distante.”

“Pode ser que haja vida inteligente em qualquer outro planeta. Neste, positivamente, só há a mais absurda estupidez.”

“Só teremos um país de verdade no dia em que gastarmos mais com escolas do que com televisão, isto é, no dia que gastarmos mais com educação do que com a falta de educação.”

“Chato é aquele que explica tudo tim-tim por tim-tim… e depois ainda entra em detalhes.”

“A vida consiste de metade de mentiras que a gente é obrigado a dizer, e metade de verdades que a gente é obrigado a calar.”

“A verdade é que a maior parte das pessoas foge de tentações que nem se dão ao trabalho de tentá-las.”

“A maior vantagem da comida macrobiótica é que, por mais que você coma, por mais que encha o estômago, está sempre perfeitamente sub-alimentado.”

“E convém não esquecer que bitributação é quando arrancam seis vezes o dinheiro do cidadão. Pois o normal já é tributação.”

“Você está começando a ficar velho quando, depois de passar uma noite fora, tem que passar dois dias dentro.”

“Natação e Automobilismo: Tenho absoluta incapacidade de admirar um homem apenas porque ele é melhor do que o outro um centésimo de segundo.”

“Você pode evitar descendentes. Mas não há nenhuma pílula para evitar certos antepassados.”

“A sociedade brasileira é das mais curiosas do mundo. Mal tem condições de te dar um emprego de salário mínimo. Mas, se um pobre transgride suas regras, bota-o numa prisão que custa seis salários mínimos.”

“No momento em que aumentam as nossas descobertas arqueológicas fica evidente que o Brasil tem um enorme passado pela frente, ou um enorme futuro por detrás, se preferem.”

“A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.”

“Às vezes a gente faz críticas tão desonestas a respeito de uma pessoa que nunca mais consegue acreditar nela.”

“Por mais violento que seja o argumento contrário, por mais bem formulado, eu tenho sempre uma resposta que fecha a boca de qualquer um: ‘Vocês têm toda razão’.”

“O Brasil já está à beira do abismo. Mas ainda vai ser preciso um grande esforço de todo mundo pra colocarmos ele novamente lá em cima.”

“O amor de homem e mulher: enigmas, mistérios, equívocos traçados numa rede de quebra-cabeça, charadas e adivinhações, sem chaves nem conceituações.”

“Quando disserem que o crime não compensa, você tem de lembrar que isso é porque, quando compensa, não é crime.”

“Nunca soube por que tanta gente teme o futuro.
Nunca vi o futuro matar ninguém,
Nunca vi o futuro roubar ninguém,
Nunca vi nada que tivesse acontecido no futuro.
Terrível é o passado ou, pior, o presente!”

Milton Viola Fernandes (1923 – 2012). Autor e tradutor. Descobriu na adolescência que havia sido registrado erroneamente, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr. De humor singular, humanista e moderno, com visão cética do mundo, Millôr Fernandes foi considerado uma figura de proa do panorama cultural brasileiro: jornalista, escritor, artista plástico, humorista, pensador. Destacou-se em todas essas atividades. No teatro, empreendeu uma transformação no campo da tradução, tal a quantidade e diversidade de peças que traduziu. Escreveu, com Flávio Rangel – Liberdade, Liberdade – uma das peças pioneiras do teatro da resistência à ditadura militar, encenada em 1965. Em seus trabalh os costu mava-se valer de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura.

6 pensou em “FRASES SÁBIAS DE MILLÔR FERNANDES

  1. Parabéns pela excelente postagem, prez\ado poeta e pesquisador Aristeu Bezerra! Sua seleção de FRASES SÁBIAS DE MILLÔR FERNANDES está genial.

    Destaco:

    “Só teremos um país de verdade no dia em que gastarmos mais com escolas do que com televisão, isto é, no dia que gastarmos mais com educação do que com a falta de educação.”

    Para seu deleite, a genialidade de Millôr Fernandes, nesta poesia. Você deve conhecê-la, mas vale a pena ler de novo.

    POESIA MATEMÁTICA (MILLOR FERNANDES)

    Para seu deleite, a genialidade de Millôr Fernandes, nesta poesia. Você deve conhecê-la, mas vale a pena ler de novo.

    Às folha tantas do livro matemático
    Um quociente apaixonou-se um dia,
    doidamente, por uma Incógnita
    Olhou-a com seu olhar inumerável
    E viu-a, do Ápice à Base,
    Uma figura Ímpar;
    Olhos Rombóides,
    boca Trapezóide,
    Corpo Otogonal,
    seios Esferóides.
    Fez da sua, uma vida Paralela à dela…
    Até que se encontraram no Infinito.
    “Quem és tu?” indagou ele
    com ânsia Radical
    Eu sou a soma do quadrado dos Catetos.
    Mas pode me chamar de Hipotenusa.
    E de falarem, descobriram que eram
    O que, em Aritmética, corresponde a almas irmãs –
    Primos-entre-si
    E assim se amaram
    Ao quadrado da velocidade da luz,
    Numa sexta potenciação,
    Traçando, ao sabor do momento
    e da paixão,
    Retas, Curvas, Círculos e Linhas Senoidais,
    Nos jardins da Quarta Dimensão.
    Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas Enclidianas
    E os exegetas do Universo Finito.
    Romperam convenções Newtonianas e Pitagóricas.
    E, enfim, resolveram se casar.
    Constituir um lar
    Mais que um lar,
    Uma Perpendicular.
    Convidaram os Padrinhos
    O Poliedro e a Bissetriz
    E fizeram Planos, Equações e Diagramas para o futuro,
    Sonhando com uma felicidade
    Integral e Diferencial.
    E se casaram e tiveram
    uma Secante e três Cones
    muito engraçadinhos.
    E foram felizes
    até aquele dia
    Em que tudo, afinal,
    Veio monotonia.
    Foi, então, que surgiu
    o Máximo Divisor Comum,
    Frequentador de Círculos Concêntricos Viciosos.
    Ofereceu-lhe, a ela, Uma Grandeza Absoluta,
    E reduziu-a a um Denominador Comum.
    Ele, Quociente, percebeu
    Que com ela não formava mais um todo,
    uma unidade.
    Era o Triângulo,
    Tanto chamado amoroso.
    Desse problema, ela era a Fração
    mais Ordinária.
    Mas foi então que Einstein
    descobriu a Relatividade,
    E tudo que era Espúrio
    Passou a ser Moralidade,
    Como, aliás, em qualquer Sociedade…

    Um abraço e uma ótima semana! Muita SAÚDE e Paz”

    Violante Pimentel Natal (RN)

  2. Violante,

    É uma alegria receber seu valioso comentário. Quanto ao poema de Millôr Fernandes, gostei demais da conta. Muito obrigado por compartilhar um presente desse escritor que continua atualíssimo. Aproveito esse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana para enviar três frases do genial Millôr Fernandes:

    1) “Vocês não sabem como é divertido o absoluto ceticismo. Pode-se brincar com a hipocrisia alheia como quem brinca com a roleta russa com a certeza de que a arma está descarregada.”

    2) “O último refúgio do oprimido é a ironia, e nenhum tirano, por mais violento que seja, escapa a ela. O tirano pode evitar uma fotografia, não pode impedir uma caricatura. A mordaça aumenta a mordacidade.”

    3) “Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

    • Gostei imensamente ,das três frases do genial Millôr Fernandes, que você compartilhou comigo,.

      Obrigada, amigo Aristeu

  3. Lendo as frases selecionadas de Millôr Fernandes diverti-me bastante, e senti o quanto a sua ironia está fazendo falta no momento político que estamos vivento. Tenho certeza que sua bíblia do caos seria atualizada porque estranhos cenários vemos quase todos os dias. Parabéns pelas frases! Se eu fosse escolher a preferida, eu não teria dúvidas: “Você está começando a ficar velho quando, depois de passar uma noite fora, tem que passar dois dias dentro.”

  4. Vitorino,

    Grato por seu comentário incentivador. Concordo com seus argumentos sobre a falta que faz Millôr Fernandes nesses estranhos tempos. Já pensou quantas frases, crônicas, peças de teatro sairiam da mente criativa dessa figura de proa do panorama cultural do nosso país. Compartilho com o nobre leitor fubânico três frases de Millôr Fernandes:

    1) “Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”

    2) “A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu carácter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte.”

    3) “Inúmeros artistas contemporâneos não são artistas e, olhando bem, nem são contemporâneos.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  5. Caríssimo garimpador Aristeu:

    O nobre pesquisador sempre nos trazendo contribuições valiosíssimas para esse espaço tão nobre que é o Jornal da Besta Fubana.

    Parabéns!

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