ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

“Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!”

“Um discurso em homenagem nossa é uma verdadeira surra às avessas: fica-se naquele estado horrível e sem palavras com que revidar!”

“Tenho uma enorme pena dos homens famosos, que por isso mesmo perderam sua vida íntima e são como esses animais do Zoológico, que fazem tudo à vista do público.”

“Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto e vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.”

“Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos.”

“O problema da solidão não consiste em saber como solucioná-la, mas saber como conservá-la.”

“É uma barbaridade o que a gente tem de lutar com as palavras, para obrigar as palavras a dizerem o que a gente quer.”

“Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos, e não aguenta os que continuam vivos?

“As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho.”

“A gente deve atravessar a vida como quem está gazeando a aula, e não como quem vai para a escola.”

“Não pense compreender a vida nos autores. Nenhum disso é capaz. Mas a medida que vivendo fores, melhor os compreenderás.”

“Nem todos podem estar na flor da idade, é claro! Mas cada um está na flor da sua idade.”

“As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas. Nada lhes ficou, nada lhes sobrou, uma vida não basta ser vivida: também precisa ser sonhada.”

“Havia um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo que havia mais estrelas. Tempo em que as crianças brincavam sob a claraboia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio da parede! Ele não media o tempo simplesmente: ele meditava o tempo.”

“Não seja muito justo, e nem utilize sua sabedoria mais que o necessário, para que não venhas a ser estúpido.”

“O futuro é uma espécie de banco ao qual vamos remetendo, um a um, os cheques de nossas esperanças. Ora, não é possível que todos os cheques sejam sem fundos.”

“Nunca troque o que mais quer na vida por aquilo que mais quer no momento. Momentos passam, a vida continua.”

“Na simplicidade aprendemos que reconhecer um erro não nos diminui, mas nos engrandece, e que as pessos não existem para nos admirar, mas para compartilhar conosco a beleza da existência.”

“Abraçar é dizer com as mãos o que a boca não consegue, porque nem sempre existe palavra para dizer tudo.”

“Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam seus versos.”

Mário Quintana (1906-1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Mestre da palavra, do humor e da síntese poética, em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras (ABL) pela obra total. Em 1981, foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano. Sua biografia é tão singela quanto seus poemas: não casou, não teve filhos, viveu boa parte da vida em quartos de hotéis, passeava pelas ruas de Porto Alegre como qualquer anônimo e da cidade foi figura lendária. Faleceu na capital gaúcha no dia 05 de maio de 1994, aos 87 anos, em decorrência de problemas cardíacos e respiratórios, deixando uma inestimável e singular contribuição para a literatura brasileira.

7 pensou em “FRASES POÉTICAS DE MÁRIO QUINTANA

  1. Parabéns, Aristeu, pela excelente postagem, “FRASES POÉTICAS DE MÁRIO QUINTANA”

    Mario Quintana (1906 – 1994), conhecido como o “poeta das coisas simples”, foi um premiado escritor modernista, poeta, jornalista e tradutor brasileiro,. Foi considerado um dos maiores poetas do século XX.

    As suas frases, por você selecionadas, são cheias de beleza e sabedoria.
    Destaco:

    “Havia um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo que havia mais estrelas. Tempo em que as crianças brincavam sob a claraboia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio da parede! Ele não media o tempo simplesmente: ele meditava o tempo.”

    Um ótima semana, com muita saúde e Paz!

    Violante Pimentel

    • Violante,

      Grato por seu comentário com observações importantes sobre o talentoso poeta gaúcho. Mario Quintana (1906 – 1994) foi um autor de destaque da literatura brasileira do século XX. Experimentador da linguagem, o autor escreveu poemas metrificados e de versos livres, prosa poética e até pequenos aforismos, que encantam o público leitor pela leveza e bom humor, alternados com certa melancolia e reflexão a respeito da transitoriedade da vida.

      Sem articular-se a qualquer escola literária, a poesia de Quintana faz-se a partir da observação do cotidiano, expressando com simplicidade a vida comum: o tique-taque dos relógios, o ato de apaixonar-se, a “presença misteriosa da vida”.

      Seu livro de estreia foi inteiramente dedicado à forma do soneto; entretanto, apesar da atenção à métrica, o autor fez experimentações com a linguagem que ultrapassavam os critérios parnasianos que o inspiraram, como pode ser observado no poema que deu nome ao livro. Compartilho o famoso poema – referido no parágrafo anterior – com a prezada amiga:

      A RUA DOS CATAVENTOS

      Da vez primeira em que me assassinaram,
      Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
      Depois, a cada vez que me mataram,
      Foram levando qualquer coisa minha.

      Hoje, dos meus cadáveres eu sou
      O mais desnudo, o que não tem mais nada.
      Arde um toco de Vela amarelada,
      Como único bem que me ficou.

      Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
      Pois dessa mão avaramente adunca
      Não haverão de arrancar a luz sagrada!

      Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
      Que a luz trêmula e triste como um ai,
      A luz de um morto não se apaga nunca!

      Desejo um semana plena de paz, saúde e alegria

      Aristeu

      • Obrigada, Aristeu, por compartilhar comigo este belíssimo poema do grandioso poeta Mário Quintana!.

        Gostei, imensamente, de conhecer detalhes do estilo de vida dele, que não se ligava a qualquer escola literária. Gostava da liberdade, até na forma de escrever. Não constituiu família e passou muitos anos morando em hotel..

        Uma semana plena de paz, saúde e alegria, para você também!

        Violante

  2. Mario Quintana (1906 – 1994) costumava escrever deitado na cama, com a luz baixa, em silêncio. o quarto pequeno e simples era o mundo particular onde Quintana se tornou grande, um dos maiores nomes da poesia brasileira. A sua homenagem a Mário Quintana é uma justiça em um país que constuma esquecer os seus talentos literários. Há um frase da excelente seleção que me impressionou: “Na simplicidade aprendemos que reconhecer um erro não nos diminui, mas nos engrandece, e que as pessos não existem para nos admirar, mas para compartilhar conosco a beleza da existência”.

    • Messias,

      Muito obrigado com seu comentário informando a maneira de escrever desse poeta, contista, cronista, tradutor e jornalista gaúcho, que foi um autor de destaque da literatura brasileira do século XX. Mario Quintana (1906 – 1994) foi um escritor brasileiro conhecido pela sua capacidade de perceber a beleza das coisas simples. Sua prosa e poesia é de uma beleza singela que conquista o coração de qualquer amante de literatura. Compartilho três citações de Quintana com o prezado amigo:

      1) “Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.”

      2) “O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.”

      3) “Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.”

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  3. O poeta Mario Quintana (1906 – 1994) apresenta uma poesia marcada pela reflexão sobre o mundo contemporâneo e pela liberdade formal, também apostava no humor para entreter os leitores.Era considerado um escritor de linguagem simples, porém conseguia prender as pessoas à leitura de suas obras devido a essa simplicidade. Ele surpreendia os leitores com frases que despertavam a reflexão. A frase que me surprendeu do seu tributo ao poeta gaúcho é a seguinte: “Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos”.

  4. Vitorino,

    Agradeço seu formidável comentário. Muito interessante as observações sobre a poesia de Mario Quintana (1906 – 1994). Ele pertenceu à segunda geração do modernismo, é, sem sombras de dúvidas, um dos mais importantes poetas brasileiros. Seus poemas, expressos em uma linguagem simples, mas extremamente poética e reveladora dos sentimentos humanos, apresentam uma dinamicidade de aspectos, o que torna difícil categorizar o autor dentro de uma única característica. certeza! Ele é um gênio no rico universo da poesia brasileira, pois só não elaborou belos versos como fez da sua existência um maravilhoso poema!
    Aproveito a ocasião nesse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana para compartilhar três expressões de Quintana com o prezado amigo:

    1) “A vida é um incêndio: nela dançamos, salamandras mágicas. Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta?”

    2) “A arte de viver é simplesmente a arte de conviver… Simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!”

    3) “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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