FRASES BEM-HUMORADAS DE MÁRIO QUINTANA

“Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?”

“Buscas a perfeição? Não sejas vulgar. A autenticidade é muito mais difícil.”

“O futuro é uma espécie de banco ao qual vamos remetendo, um a um, os cheques de nossas esperanças. Ora, não é possível que todos os cheques sejam sem fundos.”

“Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas.”

“Nos foram dadas duas pernas para andar, as duas mãos para segurar, dois ouvidos para ouvir, dois olhos para ver… mas por que só um coração? Porque o outro foi dado a alguém para nos encontrar.”

“Se um poeta consegue expressar a sua infelicidade com toda a felicidade, como é que poderá ser infeliz?”

“Quando guri, eu tinha de me calar à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem.”

“Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?”

“O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente… E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver.”

“Há uma cor que não vem nos dicionários. É essa indefinível cor que têm todos os retratos, os figurinos da última estação… a cor do tempo.”

“O maior chato é o chato perguntativo. Prefiro o chato discursivo ou narrativo, que se pode ouvir pensando noutra coisa…”

“A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa… e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.”

“Se alguém acha que estás escrevendo muito bem, desconfia… O crime perfeito não deixa vestígios.”

“Há noites que eu não posso dormi de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.”

“Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.”

“A indiferença é a maneira mais polida de desprezar alguém.”

“Naquele dia, fazia um azul tão límpido, meu Deus, que eu me sentia perdoado para sempre. Nem sei de quê.”

“Era um grande nome – ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua… E continuaram a pisar em cima dele.”

“Minha vida é uma colcha de retalhos. Todos da mesma cor.”

“O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.”

Mário Quintana (1906 – 1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Mestre da palavra, do humor e da síntese poética, em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras (ABL) pela obra total. Em 1981, foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano. Sua biografia é tão singela quanto seus poemas: não casou, não teve filhos, viveu boa parte da vida em quartos de hotéis, passeava pelas ruas de Porto Alegre como qualquer anônimo e da cidade foi figura lendária. Faleceu na capital gaúcha no dia 05 de maio de de 1994, aos 87 anos, em decorrência de problemas cardíacos e respiratórios, deixando uma inestimável e singular contribuição para a literatura brasileira. 

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  1. “Nos foram dadas duas pernas para andar, as duas mãos para segurar, dois ouvidos para ouvir, dois olhos para ver… mas por que só um coração? Porque o outro foi dado a alguém para nos encontrar.”

    Noooooossaa …. !!!!!!

    • Arthur Tavares,

      Grato por seu excelente comentário. A frase citada por você demonstra o poder de síntese e a sabedoria do grande poeta gaúcho. Compartilho três frases do genial Mário Quintana com o prezado amigo:

      1) “A arte de viver é simplesmente a arte de conviver… Simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!”

      2) “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.”

      3) “Não faças da tua vida um rascunho. Poderás não ter tempo de passá-la a limpo.

      Saudações fraternas,”

      Aristeu

  2. Genial Mário Quintana. Parece que, no fim da vida, foi morar em um quarto de hotel, de propriedade do ex jogador de futebol e da seleção brasileira, nosso craque Falcão. Teve a honra de não ser membro da ABL. Já pensou em um poeta, um intelectual,l como Mário Quintana na companhia de Sarney, Paulo Coelho, Zuenir Ventura, Cacá Diegues? Seria uma humilhação ao nosso poeta.

    • Mauro Moreira,

      Muito obrigado por seu comentário com observações importantes sobre a vida de Mário Quintana. Concordo com seus argumentos de que a ABL perdeu a convivência de um gênio da poesia. Quanto a generosidade do ex-jogador Falcão, é uma verdade que Mário Quintana utilizou um apartamento do hotel pertencente ao ex-jogador de forma gratuita tendo qualidade de vida no final de sua existência.
      Compartilho três frases de Mário Quintana com o prezado amigo:

      1) “Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.”

      2) “O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.”

      3) “A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.”

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  3. Parabéns pela rica postagem, prezado Aristeu Bezerra! A coletânea de frases bem-humoradas do grande poeta, tradutor e jornalista brasileiro, Mário Quintana, está excelente. Suas pesquisas enriquecem os conhecimentos do leitor.
    Das “FRASES BEM-HUMORADAS DE MÁRIO QUINTANA”, destaco:

    “O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente… E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver.”

    “O maior chato é o chato perguntativo. Prefiro o chato discursivo ou narrativo, que se pode ouvir pensando noutra coisa…”

    Um grande abraço e uma ótima semana! Muita Saúde e Paz!

    Violante Pimentel Natal (RN)

  4. Violante,

    É gratificante receber valioso comentário. Sua opinião sempre ajuda a melhorar os meus artigos, pois seu vasto conhecimento e sensibilidade são assistenciais nesse prazeroso trabalho de pesquisar o admirável universo da cultura popular. Compartilho três frases do talentoso Mário Quintana com a prezada amiga:

    1) “Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida.”

    2) “A felicidade é um sentimento simples. Você pode encontrá-la e deixá-la ir embora, por não perceber a sua simplicidade.”

    3) “Somos donos dos nossos atos, mas não donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos, mas não pelo que sentimos. Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos. Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em voo.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  5. Dom Aristeu:

    O meu conterrâneo – Mário Quintana – é um gênio na sua expressividade, uma delícia na sua leitura, uma provocação em cada escrito.

    Ninguém consegue ficar indiferente à sua prosa e à sua poesia.

    Abaixo, à tua crônica, mais alguns outros exemplos:

    1 – Quando foi rejeitado (2 vezes) para a tal de ABL:

    “Todos esses que aí estão
    Atravancando meu caminho,
    Eles passarão… Eu passarinho!”

    2 – Sobre o amor:

    “Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.”

    “O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.”

    ‘Nunca digas te amo se não te interessas.
    Nunca fales sobre sentimentos se estes não existem.
    Nunca toques numa vida se não pretendes romper um coração.
    Nunca olhes nos olhos de alguém se não quiseres vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.
    A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por ti quando tu não pretendes fazer o mesmo.”

    “Se tu me amas, ama-me baixinho
    Não o grites de cima dos telhados
    Deixa em paz os passarinhos
    Deixa em paz a mim!
    Se me queres,
    enfim,
    tem de ser bem devagarinho, Amada,
    que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…”

    “Eu, agora – que desfecho!
    Já nem penso mais em ti…
    Mas será que nunca deixo
    De lembrar que te esqueci?”

    3 – Uma homenagem à sua cidade, por adoção, Porto Alegre:

    “O Mapa

    Olho o mapa da cidade
    Como quem examinasse
    A anatomia de um corpo…

    (E nem que fosse o meu corpo!)

    Sinto uma dor infinita
    Das ruas de Porto Alegre
    Onde jamais passarei…

    Há tanta esquina esquisita,
    Tanta nuança de paredes,
    Há tanta moça bonita
    Nas ruas que não andei
    (E há uma rua encantada
    Que nem em sonhos sonhei…)

    Quando eu for, um dia desses,
    Poeira ou folha levada
    No vento da madrugada,
    Serei um pouco do nada
    Invisível, delicioso

    Que faz com que o teu ar
    Pareça mais um olhar,
    Suave mistério amoroso,
    Cidade de meu andar
    (Deste já tão longo andar!)

    E talvez de meu repouso…”

    Um baita abraço,

    Desde o Alegrete – RS,

    Adail.

  6. Adail Augusto Agostini,

    Agradeço de coração a sua generosidade em proporcionar um comentário com informações literárias desse seu ilustre conterrâneo. Sou um fã de longas datas do genial poeta Mário Quintana e sua antologia está sempre em lugar de destaque na minha estante e na memória afetiva. Tenho o costume de reler poemas, então, aproveito a oportunidade para compartilhar um dos meus
    poemas preferidos do inesquecível Mário Quintana:

    SE EU FOSSE UM PADRE

    Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
    não falaria em Deus nem no Pecado
    – muito menos no Anjo Rebelado
    e os encantos das suas seduções,

    não citaria santos e profetas:
    nada das suas celestiais promessas
    ou das suas terríveis maldições…
    Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

    Rezaria seus versos, os mais belos,
    desses que desde a infância me embalaram
    e quem me dera que alguns fossem meus!

    Porque a poesia purifica a alma
    a um belo poema – ainda que de Deus se aparte –
    um belo poema sempre leva a Deus!

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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