J.R. GUZZO

Inflação

Saíram os dados da inflação no primeiro mundo em 2021 – o segundo ano seguido de pandemia plena – e deu o seguinte: os Estados Unidos, a potência econômica número 1 do planeta, tiveram inflação de 7% no ano. É a pior desde 1982 – ou seja, a última vez que aconteceu um desastre igual a esse foi 40 anos atrás. Os demais países ricos, medidos no conjunto da OCDE, não foram melhores. Ficaram um pouco abaixo de 6%, o pior resultado em 25 anos. Inflação desse tamanho, para país sério, é uma tragédia.

É também a consequência inevitável do que os governos dos Estados Unidos e dos ricos em geral fizeram durante o ano: socaram dinheiro nos negócios e diretamente no bolso dos cidadãos, acreditando que valia a pena fazer qualquer coisa para manter de pé os seus diversos lockdowns, e lidar com as calamidades causadas por eles. Como dinheiro não dá em árvore, aconteceu lá exatamente o que acontece aqui quando o governo abre o cofre na tentativa de encarar um problema qualquer: inflação adoidada.

O debate econômico deste momento no Brasil, porém, em mais um dos seus delírios regulares, decretou que a realidade internacional não existe – inflação feia, hoje em dia, só tem no governo Bolsonaro. O Brasil teve de enfrentar a desgraça econômica provocada pela Covid como qualquer outro país do mundo; fez mais ou menos as mesmas coisas que os demais governos, basicamente abrindo o cofre público em variadas missões de socorro. Acabou com uma inflação de 10% – e a indignação de economistas, jornalistas e banqueiros de esquerda. “Que horror”, estão dizendo todos. “Esse Guedes acabou com o Brasil”.

Queriam o que num ano como 2021? O Brasil não fica em Marte. É óbvio que houve inflação – até porque os críticos mais excitados do governo passaram o ano exigindo mais e mais dinheiro público para “salvar vidas”. Acontece que a inflação brasileira de 10% no ano passado é um sucesso, comparada com a inflação dos países mais bem sucedidos. O reinado Lula-Dilma, sem Covid nenhuma, acabou com uma inflação superior a 14% em 2016. Qual o problema, então, com o número de 2021?

Não há problema nenhum; houve, isto sim, uma solução num quadro de calamidade mundial. Inflação de 7% nos Estados Unidos ou de 6% na Europa equivale a mais de 20% no Brasil, ou sabe lá Deus quanto – já se está, aí, à beira do descontrole, tanto que não acontecia por lá há 40 anos. O fato, apoiado por números, é que o Brasil teve com a inflação, no ano passado, resultados melhores que a maioria dos países do mundo.

O público não corre nenhum risco de ouvir isso. Ao contrário: todo o noticiário é sobre o “fracasso” no combate à inflação, mais as desgraças que vêm junto com ela: desemprego, recessão, pobreza. Não existe o resto do mundo, nessas lamentações; não existe inflação em lugar nenhum, nem economias paradas, nem falta de trabalho, nem perda de renda, nem nada. O único governo sobre a face da Terra é o governo “do Bolsonaro”.

É o resultado de um sistema. Jornalistas da área econômica, com suas matérias de denúncia já escritas por antecipação, vão entrevistar economistas já sabendo, também por antecipação, que eles vão dizer exatamente o que querem ouvir. Junta-se a fome de uns com a vontade de comer dos outros e o que se tem é o “escândalo da inflação” de 10% – mais a recessão, o desemprego e a pobreza causadas não pelos “lockdowns” que paralisam a produção do Brasil há dois anos, mas “pelo Bolsonaro”. Informação econômica, hoje em dia, é isso.

8 pensou em “FRACASSO NO CONTROLE DA INFLAÇÃO 2021? NÃO É BEM ASSIM

  1. Infelizmente os “jornalistas ativistas” recebem grana e prestígio junto aos partidos de esquerda para detonar o seu próprio país.
    Chamá-los de traidores do país é pouco para esta escumalha da pocilga vermelha.

  2. A nova ordem econômica de Guzo:
    “Inflação de 7% nos Estados Unidos ou de 6% na Europa equivale a mais de 20% no Brasil”

    “O fato, apoiado por números, é que o Brasil teve com a inflação, no ano passado, resultados melhores que a maioria dos países do mundo”

    Quais números?

    USA: Desemprego – 4,2%, Inflação – 7%, PIB 4% em 2021 e 3% em 2022
    U Europeia: Desemprego – 6,5%, Inflação – 5%, PIB em 2021 5% e 4,3% em 2022
    Brasil: Desemprego 12,6% – Inflação 10%, PIB 4,8% em 2021 e 0,7% em 2022

    É a Bolsolândia no seu estado do delirante conservadorismo.

    • Caro C. Eduardo estavas em recesso ou a chorar debaixo da cama?

      A “Bolsolândia” lhe adora.

      Uma boa (ou má) notícia para v.. A inflação já dá sinais de que irá se posicionar abaixo dos 10% nos próximos meses e talvez se encaminhar para dentro da meta do governo. O dólar está caindo, apesar da turbulência que a oposição e alguns agentes econômicos insistem em fazer.

      Em 2021 houve superávit nas contas do governo e isso é sinal de que as coisas estão se voltando para o normal, para desespero do Sistema.

      Volte sempre com suas análises de aluno de Fefelech pertencente À Libelu ou MR-08 (se não sabe o que é, pesquise). Gosto muito de debater com v.. Meu caro Sancho diz que somos amigos próximos. De início isso me irritava um pouco, depois vi que ele não deixa de ter razão.

      Um abraço

      • Até novembro o déficit estava em 405 bilhões, quase 5% do PIB. E os sinais de que a inflação vai baixar, por enquanto, estão apenas nas afirmações do governo.

        Lá por março eu disse aqui no JBF que iriamos fechar o ano com inflação de dois digitos. Por enquanto estou acertando (não que seja muito difícil).

        • Caro Marcelo, eu falei déficit primário, palavras do economista Mansueto Almeida do BTG pactual, ex Secretário Tesouro Nacional.

          “A expectativa no início do ano era de um déficit primário do setor público (receitas menos despesas, sem os juros da dívida), incluindo Estados, municípios, estatais e governo federal, de R$ 250 bilhões. Mas a gente fechou o ano com um superávit primário entre R$ 20 bilhões e R$ 40 bilhões – o primeiro desde 2013 – equivalente a algo entre 0,2% a 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto).”

          Quanto à inflação, esta foi (INPC) de 10,06% em 2021. Acertaste, mas foi por muito pouco. Se houver uma revisão (sempre há) esta deverá ser para baixo e aí… a sua clarividência vai para o saco.

          Mas o mais importante é que todos dados indicam que o pior da inflação já passou e que a tendência agora é de queda.

          Desculpe lhe decepcionar com estes dados, sei o quanto v. sofre em ver o governo estar no caminho certo na economia.

  3. Superavit ou deficit primário não quer dizer nada. É o mesmo que um sujeito que ganha salário mínimo dizer “sem considerar aluguel e conta de luz, eu ganho mais do que gasto”, só que considerando os dois, aí falta dinheiro.

    Aliás, vale lembrar que o Guedes na campanha dizia que no primeiro ano ia zerar o déficit e arrecadar um trilhão em privatizações. Não privatizou nada e a dívida federal aumentou 5,6% em 2019 (não tinha covid).

    Quanto à inflação, até segunda ordem não apenas o INPC me deu razão, como o IGPM foi 18%, o IPA, 19% e a maioria dos índices setoriais passou de 20%. Se o governo revisar o INPC para baixo, acaba com o pouquinho de credibilidade que ainda tem. E estamos em ano de eleição, com teto de gastos revogado e bolsa-família turbinado. Para achar “dados” que indiquem tendência de queda é bom ter uma boa lupa e uma lanterna potente.

    Desculpe lhe decepcionar com os fatos, sei o quanto v. sofre quando eles não dizem o que v. gostaria de ouvir.

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