J.R. GUZZO

Manifestação esvaziada promovida por movimentos de esquerda no dia 23 de março, em São Paulo.

Manifestação esvaziada promovida por movimentos de esquerda no dia 23 de março, em São Paulo

O Alto Comissariado Para a Promoção de Ideias Que Dão Errado, um dos mais ativos do PT e do governo Lula, acaba de concluir mais um dos seus grandes projetos. Anunciaram, contando mais uma vez com a força da máquina estatal que têm a seu dispor, manifestações populares de rua para exigir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, rejeitar a anistia e defender o resto das suas ideias fixas do momento.

Sonhavam, também, em dar um “cala boca” na direita – e mostrar que também eles conseguem atrair multidões para rua. Quando o presidente Lula, como até uma criança de dez anos de idade poderia prever, fugiu da raia, o Comissariado decidiu rebaixar sua mobilização de massas ao grau de “ato em defesa da democracia” – ou a alguma coisa igualmente morna, sem gosto e sem graça. Foi um fracasso miserável.

Lula não quis ir, obviamente, porque nunca vai – está mais uma vez no cargo de presidente, mas não tem coragem de andar um metro em qualquer rua, praça ou lugares onde haja o risco de encontrar o povo brasileiro. Sabe que vai levar vaia. Sabe que só consegue ouvir palmas em reuniões com sala fechada, com Janja e com a “militância” do PT – é o Programa Povo Zero, o mais consistente do seu governo. Desta vez, para piorar, Lula ficou com medo de incomodar as Forças Armadas.

Proibiu que as manifestações tocassem no golpe militar de 31 de março de 1964, mesmo com ele ausente, ou tivessem qualquer objetivo claro. Sabia, por exemplo, o vexame de pedir a prisão de Bolsonaro numa praça vazia – exatamente o que aconteceu, aliás. De um jeito ou de outro, não adiantou nada. Bolsonaro, que eles querem prender, reuniu 350.000 pessoas, segundo os cálculos mais neutros, na última manifestação pública que convocou. O PT, de acordo com a contagem cabeça por cabeça que o Poder 360 fez com imagens de um drone, levou exatas 1.347 pessoas à uma praça secundária do centro de São Paulo. No que é uma humilhação para qualquer comício, não foi preciso nem desviar o trânsito.

A presidente do PT, que assumiu a maternidade da convocação, divulgou duas desculpas para o desastre – uma antes e outra depois. Na desculpa prévia, já desconfiada de que ninguém iria, disse que o sucesso das manifestações de massa do partido não pode ser medido pela quantidade de pessoas presentes, mas pelas virtudes dos seus organizadores. Quer dizer: a manifestação de rua não leva gente para a rua, mas é um sucesso porque a sua “pauta” era uma beleza.

A segunda desculpa foi ainda pior. A presidente do PT botou a culpa do fiasco no presidente Lula. Como ele disse que não iria, que era proibido falar no golpe militar e, no geral, jogou água no chope da militância, a bola de todo mundo baixou; se não fosse isso, teria sido um arraso. Desta vez, nem os especialistas, comentaristas e analistas de mesa redonda conseguiram concordar com as teorias do governo. Acharam melhor não falar muito no assunto.

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