ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Estive desaparecido aqui da nossa gazeta, deixando minha coluna mosquear um pouco por causa do meu calendário. Apesar de estarmos em quarentena e isolamento forçado, aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, as minhas aulas no doutorado que estou fazendo continuaram on line, e, modéstia à parte, tenho professores que são titãs naquilo que ensinam, tudo acabou se acumulando: atividades e apresentações virtuais que tive que puxar o freio de mão na minha coluna. Mas, estamos de volta, em plena pandemia, cujo pico de contaminação só vai apontar para baixo quando o presidente der um murro na mesa e mandar dizer que acabou o dinheiro fácil tirado da bolsa da viúva. Garanto que se ele fizer isso na quinta, na sexta-feira o país terá encontrado a cura do calangovírus, o pico da pandemia terá passado. Enquanto o governo federal estiver liberando verba para que governadores e prefeitos façam compras “sem licitação”, o pico da pandemia sempre estará no mês que vem.

Mas, não é sobre isso que quero falar, e sim sobre o escandaloso escândalo da reunião do presidente com seu ministério que chocou ex-presidentes, blogueiros com pena por aluguel, os “mudernos” influencers, jornalistas militantes, redes de televisão tão isentas quanto um taxi de praça, políticos com folha corrida na polícia maior do que rolo de papel higiênico, presidentes de sindicatos – CUT, Força Sindical, OAB, ABI, et caterva -, membros do MPI –Ministério Público inútil -, lideranças indígenas que conhecem mais as capitais da Europa do que sua própria taba, e para não ficar de fora, aquela moça que gosta de cabular aulas, a tal da Greta Tumberg, que é mais chata que bicho de pé, depois que passa o tempo do comichão.

Todos os citados aí em cima ficaram escandalizados com o escândalo de palavrões que o presidente Bolsonaro proferiu naquela reunião que foi mais uma espinafração, esculhambação mesmo, a ministros preguiçosos, lenientes e com cara de paisagem, do que qualquer outra coisa. A grita está em procurar sensibilizar a sociedade sobre como um presidente, que detém um alto cargo político pode ter uma boca tão suja e ser tão sem pudor, quanto aquele que foi visto na reunião de 22 de abril.

Escândalos escandalosos à parte, eu se me peguei matutando sobre a relação forma e conteúdo, seja em discurso, seja em obra de arte, em romance, em reunião, seja lá o que for. Particularmente eu só reservo palavrão cabeludo, daqueles cuja riqueza de detalhes não deve ser usado assim no barato, para situações especiais. No varejo do dia-a-dia, quando a gente sem querer, dá uma topada com o pinguelo do dedo mindinho na quina de um móvel, o máximo que eu uso é “fidiégua!”.

Se houvesse, nessa gente que eu citei alguém com dois graus a mais de honestidade intelectual, do que o nível de uma vala negra prestaria mais atenção no conteúdo da reunião, do que na forma como se deu. Falou-se sobre a proteção da democracia, das liberdades individuais, do abuso de autoridade cometido por governadores e prefeitos, das reformas necessárias que o país precisa, da defesa da família, e, para coroar, a verbalização que o ministro Abraham Weintraub fez sobre as interferências do STF no Executivo. E ainda mais, me alegrou um pouco quando disse que era preciso acabar com Brasília. De fato. Já escrevi algo assim. Brasília foi construída para que o povo não aporrinhasse a vida de corruptos, de vagabundos que se locupletam com salários nababescos, que só pensam em seus gordos contracheques e mandam o povo ir ao diabo que o carregue. Se o ministro quiser, e me fornecer um lança-chamas, sou capaz de ir à pé até lá e começar o serviço. Mas vamos continuar.

Vi blogueiros, jornalistas e apresentadores de telejornais mais preocupados com o palavrão dito, com o insulto proferido, do que com o conteúdo que estava sendo debatido, posto à mesa e cobrado resultados. Afinal, após 500 dias de governo, algo já era para ser apresentado. Porém as redes de televisão, principalmente aquelas órfãs de verba pública deram grande destaque ao que se falou de ministros do STF. Verdadeiramente, para o que produzem, ganham bem até demais, já que o maior objetivo daqueles senhores, todo momento, é tentar enrolar o cidadão que paga o salário deles, interferirem em outro poder e se sentirem dodóis. Vagabundos até que saiu no barato, dito pelo Waintraub.

Essoutrodia estava lendo a coluna de um blogueiro, useiro e vezeiro da quadrilha e do “capo di tutti i capi” dela. Esse mesmo sujeito, em coluna, dizia que não sabia se dava vontade de vomitar, ou se dava vontade de abandonar o país. Interessante é que quando a quadrilha da qual ele é simpatizante e mesmo filiado assaltava o Brasil, roubava os Correios, usava de pirataria contra a Petrobras, não sentia esse mal estar. Da mesma forma, quando certo ex-presidente, ex-presidiário, triplamente corrupto, disse a uma ministra de Estado que dava vontade de enfiar no dedo naquele lugar e rasgar, silêncio absoluto. Quietude e tranquilidade.

Outro blogueiro, de mesmo naipe, só que com pose de mais isenção, escandalizou-se com o escândalo de 29 palavrões proferidos pelo presidente em uma reunião ministerial. Mas não se escandalizava quando certa presidANTA iniciava uma frase entrando pelo pé do pinto, saindo pelo pé do pato, recomendando estocar vento, agredindo quem não a chamasse de presidANTA, enquanto seus sequazes violavam a lei, continuavam a assaltar a Petrobras e dar uma banana para o povo.

Tempo esquisito esse nosso. Em que a forma como eu digo tem mais valor do que o conteúdo que estou dizendo. Ou é isso, ou estamos vivendo um tempo em que, para certos veículos de comunicação, certos blogueiros, formadores de opinião, as pautas necessárias ao Brasil são dispensáveis. O importante, como dizia certo ex-presidente cuja família se tornou verdadeiro Ascaris lumbricoide de um determinado estado brasileiro, o importante é a “liturgia do cargo”. Estou enjoado de liturgia do cargo, em que as ditas autoridades constituídas usam de um palavreado florido, sereno, mas por trás socam até o nabo no bufante nacional. Estou cansado de autoridades que falam um palavreado rocambolesco em frente a câmeras de televisão, microfone, ou mesmo em audiências, mas quando viram as costas mandam uma banana pro “Zé povinho”.

Se a imprensa, fosse dois graus mais ética do que o nível de uma fossa cheia de excrementos, estaria destrinchando o que o presidente disse, e não como ele disse. Porém, isso é pedir demais, pois demonstraria apoio ao presidente. Digo e repito que os maiores adversários do presidente são os filhos dele. Principalmente aquele vereador do Rio de Janeiro, que não trabalha na Câmara do Rio de Janeiro, mas fica criando confusão Brasil afora para indispor o presidente com qualquer um.

Enfim, gritarias à parte, é reprovável esse comportamento que deseduca, desinforma e chama de maneira contumaz o cidadão de burro, otário e, como se diz aqui no Glorioso Mato Grosso do Sul, “migué”….ou seja, bobo. Enquanto a racionalidade não chega por estas plagas, enquanto o “pico da pandemia” nunca chega, vou continuar catando carrapato na carcunda de meus cachorros.

9 pensou em “FORMA E CONTEÚDO

  1. Estou feliz ……

    Hoje pela manhã, JMB com seu “jeitinho suave de ser” deu um belo pé na bunda da Globo, da UOL e da FALHA de SP, na realidade nos seus empregados ….. foi muito legal ….

    Melhor ainda, ratificou que o AVISO dos Generais era pra valer e não apenas um blefe ….

    Celso de Mello vai preso, o careca e Toffolli perdem no plenário, e a paz se estabelece ..

    Quem sabe agora terá um pouco de tranquilidade para trabalhar junto com sua equipe…….

    • Só acredito vendo!

      Aliás, se é para botar pra feder, então a medida deve ser TODA: Fecha STF e prende tudinho. Fecha congresso e cassa o mandato de tudinho. Começa tudo de novo, até esse povinho de bosta aprender a escolher direito. Prende tudo que é governador canalha, juntamente com o secretariado cúmplice nos crimes. Fecha as Universidades Federais e prende tudo que é reitor comuna e ladrão.

      E por aí vai…

      • Nao Anta…..
        Nao é pouco, pois com um bom exemplo de punidade e respeito, arruaceiros, cafajestes e vagabundos em geral devem ficar mais preocupados com suas calhordices….
        Corrupção existe no mundo inteiro…..; o que não existe é esta putaria de impunidade em todos os niveis……
        Entendeu ou tenho que desenhar……..

        • Do jeito que você escreve e esse pensamento curto, duvido que saiba desenhar.
          Fica aí no rebanho.
          Vocês se merecem.

  2. Yo la verdad que prefiero escuchar a políticos que son claritos diciendo verdades como puños (BOLSONARO) y no a políticos que cada vez que les escucho con las propuestas que hacen parece que van a gestionar las aventuras de Alicia en el país de las maravillas.

  3. Roque, muito bom. Eu escrevi dois artigos sobre a covid-19. As mortes são mais em decorrência da falta de decisão ou de decisão errada. Comprar respiradores a alto custo ao invés de remédio. Gostei de saber do doutorado. Semana retomo minhas aulas on line. Fiquei curioso vosmicê vai ser doutor em quê?

    • Meu caro Maurício.

      Fico ancho de orgulho com suas palavras. Mas, também fico triste ao ver comentaristas se digladiarem aqui e deixarem o conteúdo de lado, e se engalfinharem pela forma. Respondendo á sua questão faço doutorado em Estudos Literários aqui na UFMS, campus de Três Lagoas. Estou pesquisando a obra de um escritor paraibano, cabra da moléstia chamado Políbio Alves, com uma pesquisa de tese inicial denominada “Tempos de Violência: a resistência ao arbítrio na narrativa ficcional polibiana”. Mas, são apenas elucubrações inciais… já escrevi alguns textos sobre a obra dele e já iniciei o primeiro capítulo tentando estabelecer uma fortuna crítica que não existe. E olha que é um autor premiado na França, na Itália, na argentina, em Cuba, até mesmo nos Estados Unidos é conhecido, e aqui no Brasil é um ilustre desconhecido.
      Fico feliz em saber que vassuncê” vai retomar também as suas aulas on line. Ficar igual a água de poço não dá. Eu ainda tenho meus cuscos para tirar carrapato da carcundinha deles…. e quem nem um doguinho tem, como fica? Grande abraço, caro intelectual de grande ôpa!

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