A PALAVRA DO EDITOR

O fenômeno social que representa a fome é feito via comunicação do estômago vazio. O alerta estomacal revela a enorme vontade de comer alguma coisa para satisfazer a sensação fisiológica. Alimentar um dos principais órgãos do tubo digestivo, manter o nível de energia do corpo em ordem para garantir a sobrevivência.

O aviso do estômago quando se encontra vazio é feito com um ronco, contrações estomacais e sinais de fraqueza. Sincero, o estômago faminto avisa logo, “preciso de nutrientes e de calorias” para sustentar o corpo em pé. Com saúde, alegria e disposição.

Os sintomas de quem sente fome, no instante aparecem. Na criança, o desenvolvimento físico e mental retarda, causa problemas de saúde, eleva a taxa de mortalidade. No adulto, a fome também atrapalha. A pessoa faminta fica desnutrida, perde peso, passa o tempo desanimada, sem coragem pra nada.

Lógico. Sem nutrientes no organismo, imediatamente surgem as infecções. O que contribui para a fome se transformar num flagelo mundial é a pobreza, os conflitos policiais, as péssimas condições agrícolas, a mudança climática.

De acordo com o Índice Mundial da Fome, em 2010, mais de um bilhão de pessoas passavam fome em vários países. Não comiam a quantidade mínima para sobreviver com decência. Os países com a maior quantidade de pessoas com fome é o Iêmen, Sudão do Sul e a Síria, por causa da guerra. Além do Afeganistão e Somália.

No Brasil, em 2017, a quantidade de subnutridos passava de 5,2 milhões. A situação melhorou um pouco nos anos de 2004/2006, mas piorou em seguida por causa da desaceleração econômica.

Os estados brasileiros onde a fome aperta mais ficam na região Norte e Nordeste. O Maranhão, infelizmente, figura como o estado com pior índice de pessoas carentes, seguido do Piauí, Amazonas e Pará.

No Maranhão, 60,9% dos domicílios enfrentam insegurança alimentar, No Piauí, 55,6%, Amazonas, 42,9%, Bahia, 37,8% e Paraíba, com 36,5%.

A principal causa da fome no Nordeste é a carência de políticas estruturais. No passado, os governos pouco fizeram para combater a fome. Foi com o acesso às políticas públicas, com programas tipo Bolsa Família, a aposentadoria rural, a elevação do salário mínimo, o aparecimento de creches, a oferta de água e sementes que a situação melhorou um pouco.

Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a riscar o nome do Brasil do mapa da fome. Os dados mostravam que o indicador de Prevalência de Subalimentação ficou abaixo de 5% da população. Mas, como não havia alimentação de qualidade, a alegria foi passageira. Voltou tudo à estaca zero. A perda do poder de compra proporcionada pela vergonhosa renda mensal per capita de R$ 170, massacra, especialmente quem é pertence ao quadro de extrema pobreza, ganhando apenas R$ 85,01 por mês.

Os reajustes do salário mínimo acima da média reduziram momentaneamente a desigualdade. Mas, como faltaram robustos programas sociais, políticas de longo prazo, a vaca foi pro brejo. Desfazendo o sonho de uma situação irreal. Simplesmente populista.

Porém, a partir de 2016, a luta contra a fome foi interrompida. O corte de gastos com os pobres, e as consequências da seca braba, que se estendeu de 2012 a 2017, levou a pobreza, especialmente a nordestina, a optar por alimentos processados, naturalmente, menos saudáveis para substituir a colheita de grãos que foi fraca na Região, no período em foco.

Além das carências financeira e social, a classe pobre ainda tem de suportar os vexames no sistema de saúde, no rendimento escolar dos filhos, na produtividade do trabalho, superbaixa. As crianças, são as mais prejudicadas. A carência alimentar é perversa. Prejudica a estatura da criança. Causa mais preocupação aos país. Completamente desassistidos pela política.

*
Por justas razões, a Argentina é importante destino turístico. A diversificada beleza e as riquezas naturais, impressionam. Cativam. Atraem. O território argentino, extenso e montanhoso, é composto por fabulosos cenários. Nas andanças, o visitante topa com lindas cidades, Buenos Aires, onde no bairro La Boca, na rua Caminito, se localiza o berço do tango. Pelo interior, se destacam Mar Del Plata, Corrientes, Mendonza, Bariloche e Córdoba. No percurso encontra pradarias, na região dos Pampas, terra do gado, pântanos, lagunas, lagos glaciais, geleiras, estações de esqui, além da gélida Patagônia.

No lado Oeste do país, está a Cordilheira dos Andes, nas proximidades com o Chile. É nesta região de deserto que se concentra 80% da produção de vinhos. Mendonza, capital da província do mesmo nome, distante 1200 km de Buenos Aires, é o foco dos investimentos estrangeiros para a produção de bons vinhos, justamente no sopé dos Andes, explorando alta tecnologia. No lado Sul, no estreito de Magalhães, está a terra do Fogo. Ushuaia, a última cidade ao sul do mapa mundial é o fim do mundo. É a porta de entrada para a Antártida.

A natureza favoreceu a Argentina. Dotou o país de muitos recursos naturais. Privilegiada, a população tem bom nível de alfabetização. Dois setores impactam na economia argentina. A agricultura e a pecuária. Na agricultura, com excelente índice de produtividade, desponta como um grande produtor de cereais e forte exportador de trigo. Na pecuária, as vendas externas de carne e de lã, engordam as divisas internas.

Com o surgimento do Mercosul, na década de 90, a indústria argentina ganhou força, notadamente nos setores alimentício, têxtil, químico, petroquímico, automotivo, metalúrgica e aço. Foram dez anos de extenso progresso, até perder a garra, no início do ano 2000.

Em 2001, em virtude de grave crise financeira, a Argentina decretou moratória. O desemprego começou 2019 marcando a taxa de 10.1%. Comparada à de 2018, o número de desempregados, cresceu. Na inflação, a economia da Argentina experimenta uma das mais altas taxas do mundo. Como teima em subir, puxada pelos transportes, alimentos e desvalorização do peso, a moeda nacional, no cálculo anual, a taxa do IPC bateu 29,5% em 2018. O PIB em queda, fechou 2017, em 637,6 bilhões USD. Porém, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) os argentinos orgulham-se de apresentar um excelente patamar no quadro da América Latina.

Todavia na política, a Argentina atravessa outra crise braba, desde o golpe de Estado de 1976. Os desentendimentos políticos forçaram ministros a renunciar. Extremamente protegida, a economia levou desvantagens na concorrência externa. Medidas populistas de aumento de salários no setor privado e público, fez a inflação disparar em torno de 800%, levando muitas empresas a decretar falência.

Em 1983, o país fez o congelamento de preços e de salários para estancar os desequilíbrios deixados pela ditadura. Em 2003, o governo iniciou uma fase de recuperação econômica. Mas, foi passageira. Na atualidade, as oscilações mexem com as desavenças políticas e econômicas. O peso sofre nova forte desvalorização. Repete os períodos de inflação e deflação. A Bolsa vive em queda, os problemas cambiais inquietam, a recessão atormenta. Aliás, neste mar de turbulências, a Argentina comemora 30 anos de crise econômica.

A derrocada começou em 1990 com a descoberta do déficit fiscal, quando notaram que os gastos do governo subiam mais do que a arrecadação. Não havia dinheiro suficiente para custear as despesas e os investimentos governamentais. A saída foi emitir títulos da dívida pública para vender à população. A operação, perigosa para o povo, representa um empréstimo concedido pela população para o governo financiar a dívida.

A crise rola desde 2013, após a estagnação contaminar a economia. Frear drasticamente o crescimento econômico, desempregar gente à beça. Como a reserva de dólar é baixa, o peso argentino sofre constante desvalorização. A estiagem é outro complicador a afetar o setor agrícola.

A luta para reduzir os efeitos da grave crise se arrasta desde 2015. Mas, os cortes de gastos do governo, o aumento de tributação, a eliminação de subsídios, ainda não surtiram o efeito desejado. As medidas não livraram o país da instabilidade econômica.

A fuga de investimentos internacionais, os persistentes aumentos de preços, a inflação em alta, acumulada em 57,3%, a crise de abastecimento de energia elétrica, a queda do consumo, o aumento do índice de pobreza, a recessão e a queda do PIB, com cinco trimestres consecutivos de encolhimento econômico, revelam um cenário conturbado na Argentina.

Pra sair dessa, a Argentina vai ter de rebolar muito.

Deixe uma resposta