CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Infelizmente, a velha regra de que “quem faz o mercado é o consumidor” não é levada em consideração no Brasil. É ignorada pela população que não demonstra interesse em seguir a diretriz da lei de oferta e procura. Norma tão comum no conceito mercadológico.

É lógico. Toda mercadoria, serviço ou patrimônio tem um valor de mercado. Ostenta um preço de aquisição. O valor é um parâmetro nos negócios. Por isso, tem de integrar a fase de comercialização.

Existem quatro tipos de preço. Tem o preço de custo, o preço de atacado e varejo, o preço corrente e o preço justo, compartilhado entre o vendedor e o comprador.

Mas, para que um produto atraia comprador, desperte consumo, outros componentes são essenciais na apuração de preço. Os mais simples integrantes do quadro de formação de preço, são: os custos indiretos, a oferta, trabalhada na apresentação do produto e de que maneira o produto vai penetrar no mercado.

Evidente, que existem outros requisitos importantes na hora de estabelecer o preço de venda.

Um detalhe é básico. No preço de venda, deve constar todas as despesas diretas feitas para a fabricação do produto, mais as despesas variáveis, definidas como impostos e comissões, além das despesas fixas dispendidas como luz, água, salários. Na apuração de preço, não deve faltar a margem de lucro, claro. Item importantíssimo.

Ao comprador, para não perder dinheiro, e nem ser enganado, resta comparar os preços de mercados, antes da decisão da compra. Analisar e comparar para decidir se compra ou não.

No Brasil, é costume o consumidor pagar caro por determinado produto. Bem mais caro do que no exterior. À primeira vista, o primeiro motivo é o Custo Brasil. O Custo Brasil leva em conta diversos componentes.

Câmbio, demanda, a pesada carga fiscal, a inflação, concorrência, apesar de fraca no país, produtividade e, sobretudo, o desejo de comprar do consumidor, que adora fazer sacrifícios. Contanto que não perca o prazer da compra.

Na dúvida, na hora da decisão, o alto preço do produto não importa. Afinal, o que não falta é crediário para quebrar o galho. Dar poder de compra ao cidadão. Facilitar tudo, pouco importa o aperreio na hora de pagar as prestações. Às vezes, mesmo correndo o risco de contrair alta dívida e se candidatar à inadimplência.

Durante a crise econômica de 2017, o consumidor preferia produtos de maior valor agregado, de mais bonita aparência. Mas, diante do retorno do consumidor de menor poder aquisitivo, menor renda, evidentemente, o foco foi a procura por produtos mais baratos para satisfazer a demanda reprimida.

A novidade das lojas online é outro motivo para contribuir para o aumento das vendas. Aquecer o mercado consumidor. Favorecer as compras.

Mas, o que levou os preços disparar no Brasil. De repente, o consumidor presencia uma folia de preços. O impacto do coronavírus? O oportunismo da pandemia? A ação de aproveitadores?

A carne bovina tem um bom motivo. A peste suína forçou a China sacrificar um terço do rebanho de porcos no país asiático. O jeito, então, para satisfazer o desejo do consumo chinês, foi aumentar as importações de carne do Brasil. No entanto, pegando embalo na decisão chinesa, o preço da carne de frango, porco e ovos subiram drasticamente no território brasileiro.

O problema é que a carestia não esbarrou apenas nesses itens. Tá tudo subindo de preço. Após as repetitivas altas do dólar, o encarecimento também aconteceu no preço de peças e insumos importados utilizados na fabricação de eletrônicos, pãozinho e carros. Na onda de elevação de preços, os combustíveis e o aço também pegaram carona.

O feijão e o leite, pressionados pela estiagem, ficaram mais caros no supermercado. Os produtos da cesta básica foram os primeiros itens a sofrerem reajustes. Os insumos agrícolas acompanharam o compasso. A ração para as galinhas pressionou o preço dos ovos.

A trajetória dos produtos, principalmente dos alimentos, até chegar nas mãos do consumidor percorre um longo caminho. A jornada começa com o agricultor, depois viaja para o atravessador até chegar na feira. A indústria, também, para processar e embalar o produto, e depois despachar para o distribuidor, também eleva preços. Aí, quando chegar na despensa do consumidor, o preço sofreu reajustes. Ficou maior.

Neste aspecto, o supermercado, que geralmente leva a culpa pelos aumentos, é inocente na questão. Quem de fato, forma o preço é a indústria, que obriga o supermercado a repassar o preço novo para o bolso do consumidor.

Teve indústria que abusou dos aumentos, a partir de janeiro passado. Por isso, o pequeno crescimento do PIB, que o Brasil registrou em 2019 foi pro brejo. Fora a recessão global que deve rolar no pós coronavirus, no mundo inteiro, o Brasil deve amargar péssimas consequências.

Como a economia nacional é dependente da circulação de bens, serviços, pessoas e dinheiro, e como o fluxo de mercado parou, as projeções não são nada animadoras para o restante de 2020. A esperança é a possiblidade da Selic baixar dos atuais 3.75%. Taxa, que comparativamente às economias desenvolvidas, ainda está bem alta no Brasil.

Então, diante de nova sinuca de bico, armada pelo Covid19 e pelos exagerados aumentos de preços, que medidas o Brasil deve adotar para não cair noutro abismo? Joelmir Beting disse: ”Quando os preços sobem é inflação, quando descem e promoção”. Desse modo, quais as armas que o Brasil dispõe para sair dessa furada.

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