MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Antigamente a moçada usava essa expressão quando queria dizer “estamos fudidos”, mas hoje perdeu a graça já que putaria passou a ser o primeiro artigo da Constituição Brasileira. As pessoas não estão percebendo o risco que esse país está correndo e tudo graças a um conjunto de forças que reúne uma camada de deputados e senadores corruptos e o STF. Não sei vocês, mas eu fiquei estupefato diante da expressão de Omar Aziz, um senador amazonense cuja mulher foi presa dentro de um avião sob a acusação de ter desviado R$ 250 milhões da saúde.

“Abaixo de Deus, só o Supremo Tribunal Federal o STF, no Brasil e abaixo do STF, comparado ali, o Legislativo e o Executivo”. Consultando o artigo 2º da Bostituição a gente vai encontrar: “São poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. No linguajar comum, esse artigo pode ser visto sob a ótica da separação dos poderes, mas nenhum deles é subordinado aos demais. Fica absolutamente claro que as palavras de Aziz não passam de um gesto de subserviência, ou de reconhecimento, e de um pedido de convivência pacífica para que o STF faça o que sempre fez: Deixar prescrever as denúncias contra os deputados e senadores, a exemplo do que se faz com o segundo maior corrupto desse país que é o senador Renan Calheiros. Esse nobre representante do povo alagoano tem 17 processos no STF e nenhuma condenação.

Acredito, piamente, que nós não estamos atacando problema da forma devida. Atualmente a luta se centra em Bolsonaro contra o resto. Não se trata mais de uma polarização entre Bolsonaro e Lula porque agora Moro entrou na jogada e parte dos ataques será direcionada ao seu projeto. Os fatos são simples: em 1.433 dias de governo, Bolsonaro entregou obras estagnadas desde o período do PT, não se ouviu falar de desvio de recursos do seu governo, a economia deu sinais de recuperação (o IBGE divulgou recuo na taxa de desemprego para 12,6%, embora o PIB do terceiro trimestre tenha registrado uma queda de 0,1%), mas não conseguiu formar uma base que defendesse suas propostas no congresso como a questão da privatização. A falta de articulação do governo levou à saída de algumas boas cabeças pensantes como Salim Mattar e toda diretoria do ministério da economia. O governo instituiu uma medida provisória autorizando a venda de álcool direto da usina para o posto e eu, particularmente, não vi nenhuma defesa pública disso.

Em adição a tudo isso, Bolsonaro filia-se ao PP de Valdemar da Costa Neto, nada mais nada menos do que um dos grandes baluartes da corrupção do PT na época do mensalão. Como se sabe essa filiação era pra ter ocorrido no dia 20/11, mas troca de amabilidades entre Bolsonaro e Valdemar (mandaram-se até tomar no …) fez com que fosse adiada até que se passasse um lubrificantizinho no fiofó de cada um e, pasmem!, o Jornal Nacional divulgou o discurso de Bolsonaro sem as críticas costumeiras. Vai ser difícil manter o governo num segundo mandato sem desvio de recursos dado a sanha de membro do PP, começando pelo próprio Valdemar.

Esse cenário mostra, infelizmente, que o Brasil não terá jeito nunca. O único capaz de ameaçar essa simbiose é o eleitor, no entanto, ele não tem capacidade de discernir a importância do voto e aí basta um saco de cimento, uma rodada de cana num bar, uma ligação de trompas e …pronto! Está o canalha eleito. É muito difícil no Brasil determinadas candidaturas, como a de Moro, por exemplo, como a de Joaquim Barbosa no passado e de outras pessoas sérias. Acredito que precisamos de candidaturas avulsas. Barbosa condenou um monte de gente no mensalão e foi convidado pelo PSB, que esperou até o último minuto por sua filiação. Barbosa percebeu que conviveria com pessoas que ele condenou por corrupção e entendeu que era melhor seguir a vida.

Moro aparece dessa forma: um cara que colocou na cadeia políticos de todos os partidos, que prendeu Lula, mas que vai ter o apoio de deputados que votaram contra, por exemplo, a prisão em segunda instância. Fica complicado e isso só aponta na necessidade de depurar o país e única forma é não elegendo corruptos. Eu tenho observado esse apoio que se dá a corruptos e não conseguia entender direito essa falta de bom senso. Mas, a coisa é relativamente simples: os corruptos apoiam os corruptos. Lula apoiou Cabral que apoiou Lula; Lula apoiou Ricardo Coutinho que apoia Lula, etc. e o que há de comum entre eles são as denuncias de corrupção. Faça um exercício: olhe todos os políticos que apoiam Lula declaradamente e consulte os órgãos de controle para verificar que em mais de 90% dos casos há denúncias contra eles.

Precisamos quebrar esse vínculo pernicioso. É necessário um projeto para o Brasil, sem que seja um projeto pessoal. Não dá. Não há salvadores da pátria. Precisamos colocar gente honesta no congresso para que as leis tornem legítimas. Dificilmente nós iremos observar um país melhor, mas precisamos nos esforçar para que os netos, pelo menos eles, não se sintam fidudidos no futuro.

4 pensou em “FIDUDIDOS

  1. Disse tudo quando afirmou “o único capaz de ameaçar essa simbiose é o eleitor, no entanto, ele não tem capacidade de discernir a importância do voto”.
    Parabéns pela organização das ideias e argumentos.

  2. Caro Maurício.
    Infelizmente estamos vivendo tempos diferentes, em que não há espaço para eleitores verdadeiros.
    Esta constatação, lamentavelmente, já me fez manifestar, em comentário a um escrito de um dos nossos estimados companheiros destas páginas heroicas, a falta que nos faz um brasileiro de bem – General Olímpio Mourão Filho, que sabendo a hora, fez acontecer.
    Hoje, vejo menção, infelizmente, pretensamente condenatória, de um outro nome – General Newton Cruz, que também soube enfrentar, com a coragem, hoje tão em falta, necessária aos tempos vividos.
    Outros houveram.
    Hoje, fazem falta.

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