GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

Vista aérea de Fernando de Noronha

A ilha de Fernando de Noronha é um distrito de Pernambuco com administrador indicado pelo governador, dista 545 km do Recife e 360 de Natal. Tem sua economia baseada no turismo e um PIB per-cápita de R$ 53.410,00 (2018) contra 31.994,00 do Recife e 9.351,00 de Tabira. O IDH também é destaque: 0,79, maior que o do Recife (0,77) e o de Pernambuco (0,73). O analfabetismo na ilha é de 0%.

O site de turismo Tripadvisor coloca a Praia do Sancho como a terceira mais bonita do mundo: “Uma bela praia remota onde só é possível chegar descendo uma escada vertical e degraus de pedra. As deslumbrantes falésias são de tirar o fôlego.”, a 10ª é a praia dos Golfinhos em Pipa RN e entre as 10 não há outra brasileira. As belezas da ilha atraem turistas de todo o mundo, os famosos atores, jogadores de futebol e influenciadores digitais brasileiros são frequentadores assíduos de Noronha.

Não é barato conhecer as belezas de Fernando de Noronha, duas empresas aéreas tem vôos diretos do Recife para o pequeno aeroporto da ilha: Azul e Gol, o preço das passagens de ida e volta fica em torno de 2.500,00 reais por pessoa, a mesma faixa de preços do voo para Buenos Aires na Argentina. Uma tapioca com suco natural na lanchonete Babalu fica entre 24,00 e 30,00 reais.

O site de viagens Tripadvisor indica a Praia do Sancho como a terceira mais bonita do mundo

A estrutura da ilha é razoável e a única unidade de saúde, o Hospital São Lucas, não tem maternidade. Devido aos protocolos hospitalares e a baixa demanda por nascimentos, a maternidade foi desativada em 2004, os custos de manutenção eram muito altos para uma pequena taxa de nascimentos de 40 por ano, em média.

Segundo a coordenadoria de saúde de Noronha, o custo de manutenção gira em torno de 150 mil reais, fica mais fácil o governo pagar as passagens da parturiente e acompanhante, estadia no hotel em Boa Viagem, três refeições diárias e transporte entre o hotel e o IMIP, hospital de referência em obstetrícia.

Único hospital da ilha e equipe de atendimento

A futura mamãe fica até a 34ª semana de gravidez sendo atendida por médicos no hospital São Lucas, mas após esse período, vai para o Recife concluir o pré-natal e realizar o parto, isso não agrada as mulheres que prefeririam ter seus filhos na ilha.

Na verdade, não há uma obrigação legal de ir para o continente, porém as assistentes sociais incentivam esse deslocamento, alegam que se houver complicação na hora do parto, como o hospital local não tem UTI, isto poderia ocasionar um grande problema para a mãe e o bebê.

Monique com a filha recifense no braço

Em 2018, depois de 12 anos, Noronha voltou a ter um parto: “eu fiz exame [de gravidez] e deu negativo. Eu não senti nada durante toda a gestação”, afirmou a mãe, que não quis se identificar, ao portal de notícias G1. Essa proibição tácita não é aceita pelos ilhéus.

O cineasta brasiliense Alan Schvarsberg foi ministrar oficina de videoativismo para os nativos e o tema mais abordado foi o da proibição do parto, o fato chamou tanta a sua atenção que ele fez o documentário Ninguém nasce no paraíso.

Por ironia do destino, Fernando de Noronha, o paraíso ecológico, trata bem a sua natureza, o que favorece o nascimento na região de animais como golfinhos e tartarugas, mas não consegue ter este mesmo zelo com os humanos que ali residem.

Documentário: “Ninguém Nasce no Paraiso”

1 pensou em “FERNANDO DE NORONHA, O PARAÍSO ONDE É PROIBIDO NASCER

  1. Mais uma história bem contada.

    E mais um exemplo de como as pessoas acreditam ser absolutamente natural exigir que os outros paguem pelos seus “direitos”.

    Afinal, é perfeitamente possível gestar e parir em Noronha, da mesma forma que as mulheres fizeram por milhares de anos.

    Outra forma de dar à luz é cercar-se de todos os cuidados e tecnologia, e pagar por isso.

    Mas o que se quer mesmo é unir o útil ao agradável: ter tudo à sua disposição, mas sem meter a mão no bolso.

Deixe uma resposta