MAGNOVALDO BEZERRA - EXCRESCÊNCIAS

Os Estados Unidos são tidos como um país onde tudo é competição. Aliás, essa é uma das bases do sistema capitalista, que é adotado explicitamente pela Constituição do país.

Não sou analista de nada, exceto quando se trata de curvas cônicas ou das quatro operações fundamentais, mas às vezes fico pensando se aquele conceito, natural por princípio, não é exagerado no padrão das pessoas desta nação. Digo natural por princípio porque a competição é o comportamento natural de todos os seres da terra – aliás, Darwin constatou isso claramente quando publicou sua importante obra “A Origem das Espécies” em 1859.

Aqui neste grande país, por exemplo, todos, desde crianças, são instigados a serem campeões de alguma coisa. Uma menina, festejada como a “Estudante Número 1 de Geografia Regional do Segundo Ano das Escolas Secundárias da Região Sudeste da Cidade de Osnabrock, Dakota do Norte”, recebe um diploma para pendurar na parede, posa para fotografias no jornal da comunidade, e é o orgulho da família.

Imagino que deve haver um prêmio e um certificado para o piá que ganhou o concurso de “O Mijo Mais Longo Dos Moleques De Até 9 Anos De Pushmataha, Oklahoma”, ou para aquele outro que foi o campeão de cuspe à distância de Tonganoxie, Kansas.

O que importa é ter um diploma de campeão de alguma coisa, ou ter um título grandioso, mesmo duvidoso, de algo.

Por exemplo, a cidade vizinha de Daytona Beach, às margens do Oceano Atlântico, aqui na Flórida, tem um dos maiores autódromos do país, construido em 1946, que abriga corridas de carro da Formula Indy. Há mais de 60 anos é o local da corrida de 4 de Julho, dia da independência americana. Mas isso não basta. Em uma das entradas para a praia da cidade se pode ver um portal com a informação de que é “A Praia Mais Famosa do Mundo”. Sério? Ipanema, Copacabana, Fernão de Noronha e a Côte d’Azur devem ser apenas uns amontoados de areia.

Outro exemplo: todos os anos, desde 1903, há um campeonato de baseball, disputado entre equipes americanas da Major League Baseball. São as conhecidas “World Series”, e ao vencedor é atribuido o título de “Campeão do Mundo”, apesar de não serem admitidas equipes estrangeiras.

Para não perder o bonde da história e completar minha cidadania americana, acabo de me atribuir o título de “Campeão Mundial de Falalá”.

Que jogo é esse?

Explico.

Há duas semanas inventei um jogo de cartas que batizei com o nome de “Falalá”. É um jogo idiota e fubanicamente besta, que não tem significado ou serventia nenhuma para quem quer que seja.

Ensinei minha neta de 13 anos a jogá-lo. Assim que ela aprendeu, houve uma competição entre nós dois e, evidentemente, fui o vencedor. Como no mundo inteiro ninguém tem a mesma desenvoltura que eu para jogar “Falalá”, ganhei o jogo e sou, portanto, o campeão mundial de “Falalá”.

Para não passar por um cascateiro mentiroso como certas altas otoridades de Pindorama, aqui vai a cópia do meu certificado, que já está em local nobre na parede da sala e, assim, fico eu inserido agora no contexto americano de campeão de alguma coisa.

Observação importante: já me esqueci como se joga.

9 pensou em “FALALÁ

    • Meus queridos amigos José Roberto, Maurino Junior, Manoel Bernardo e Flávio Feronato: muitíssimo grato por conceder-me a alegria de levar alegria a vocês. E, também para confirmar o que o Flávio diz, nordestinos e seus filhos são cabras arretados e bem sacudidos até nos beisebóis da vida. Abraço a todos, um feliz final de semana cheio de saúde e alegria.

  1. Simplesmente genial, Magnovaldo.
    E com as assinaturas desses ilustres, ficou melhor ainda.
    Mas, se me permite uma colocação, eu acrescentaria aí neste diploma falalesco, as assinaturas de Isaac Newton, George Washington e Abraham Lincoln!!!
    hehehehehehehehehehehehehehehe!!!

    • Meus queridos amigos José Roberto, Maurino Junior, Manoel Bernardo e Flávio Feronato: muitíssimo grato por conceder-me a alegria de levar alegria a vocês. E, também para confirmar o que o Flávio diz, nordestinos e seus filhos são cabras arretados e bem sacudidos até nos beisebóis da vida. Abraço a todos, um feliz final de semana cheio de saúde e alegria.

    • Meus queridos amigos José Roberto, Maurino Junior, Manoel Bernardo e Flávio Feronato: muitíssimo grato por conceder-me a alegria de levar alegria a vocês. E, também para confirmar o que o Flávio diz, nordestinos e seus filhos são cabras arretados e bem sacudidos até nos beisebóis da vida. Abraço a todos, um feliz final de semana cheio de saúde e alegria.

  2. O beisebol americano “nóis jogava” aqui no Paraná nos idos de cem anos atrás, com apenas duas bases. E prá homenagear o Magnovaldo os melhores competidores eram os filhos de nordestinos, que migravam prá cá para colher café. O nome do jogo aqui era ”jogo de bets”.

    • Meus queridos amigos José Roberto, Maurino Junior, Manoel Bernardo e Flávio Feronato: muitíssimo grato por conceder-me a alegria de levar alegria a vocês. E, também para confirmar o que o Flávio diz, nordestinos e seus filhos são cabras arretados e bem sacudidos até nos beisebóis da vida. Abraço a todos, um feliz final de semana cheio de saúde e alegria.

  3. Cababom, esse Magnovaldo!
    Fui cair na besteira de inventar o Falacá, fui jogar com minha neta, que nem sabia como jogar, e a incompetência técnica revelou-se: perdi todas as partidas.
    Só de raiva, inventei o Calocá mas ainda sem coragem de competir com uma pardal que insiste em cantar cedinho no muro do quintal. Vai que perco e ele espalha…
    Parabéns e obrigado, Magnovaldo!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *