DEU NO JORNAL

Alexandre Garcia

Depois de quatro anos e meio preso, o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), falou por 50 minutos na CNN sobre o passado (impeachment de Dilma e Lava Jato), sobre o presente (comparação entre Lira e Maia na presidência da Câmara) e sobre o futuro da CPI e eleição do ano que vem. Os anos de isolamento serviram para produzir um livro e analisar à distância o evoluir da política. E tornar mais lúcida sua bola de cristal.

Sobre a CPI que tirou o tempo do noticiário pandêmico, o ex-presidente da Câmara tem visão semelhante à do observador atento e isento: um palanque eleitoral, com o ativismo de Renan Calheiros, que procura recuperar o poder perdido. Ele reforça a opinião de quem percebe que vai dar em nada, porque precisa produzir algo que possa ser levado ao Ministério Público. No alvo federal, os últimos tiros serão dados esta semana. Esta terça-feira no ex-ministro Ernesto Araújo – provavelmente tiros de festim – e na quarta-feira em alguém preparado para a guerra, o general Pazuello.

Sobre a eleição presidencial, o ex-deputado não vê futuro para uma terceira via. Ele lembra que a eleição está polarizada desde a primeira direta da redemocratização, que teve Collor x Lula. Desde então, foi PT x PSDB, até que Bolsonaro substituiu os tucanos no antipetismo e ganhou a eleição. Ele prevê enfrentamento entre Bolsonaro e Lula, bem distantes de uma eventual terceira via. E que um lado terá os bolsonaristas e os antipetistas. De outro, os petistas e os antibolsonaro.

Bolsonaro já está decidido a concorrer à reeleição; Lula é que ainda está sondando as chances. Embora esteja com um olho nas pesquisas que o dão como vencedor, ele deve estar com o outro olho no 1º de Maio da Av. Paulista e nas cidades brasileiras, e na demonstração de força pró-Bolsonaro do agro, no último sábado em Brasília. Ainda está assuntando, desconfiado. Para onde irá a terceira via no segundo turno? Para que lado vai o centro? Eduardo Cunha deve estar se divertindo com o que ele fez pensar com essa entrevista à CNN. Faz lembrar Chacrinha: “Eu vim para confundir e não para explicar”.

1 pensou em “EXPLICA OU CONFUNDE?

  1. Eduardo Cunha é meu segundo malvado favorito, o primeiro é o Bob Jeff. Ambos, junto com o Cabral, foram os políticos que mais tempo passaram na cadeia.

    Qual a diferença entre eles e o Renan, p. ex., uma vez que este último não deve nada em termos de prontuário aos outros, muito ao contrário?

    Renan comprou as tais maletas de interceptação telefônicas, tem muitos poderosos nas mãos e jamais brigou com o sistema, mesmo quando teve que renunciar ao cargo para não ser cassado no notório escândalo da pensão da filha fora do casamento, que era pago pela Mendes Jr.

    Eduardo colocou todas as coisas no seu devido lugar, que Lulla, apesar de estar candidato, ainda não vê com clareza sua nova eleição, mesmo com os institutos amigos dando a ele uma margem inalcançável.

    Bolsonaro não tem nada a perder, pois se for derrotado, será pelo Sistema que não quer eleições com votos impressos. Perdeu, vai para casa no RJ, viver com sua mulher e será a maior referência da oposição e da população que estará indignada. Já tem muito General que disse que não prestará continência ao Ladrão.

    Já o Ladrão, se perder, estará acabado, riscado da política, algo pior que a morte real ou a prisão, pois será reconhecido como um Ladrão.

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