A PALAVRA DO EDITOR

Estudar traz virtudes. Transfere ao estudioso conhecimentos, cultura e determinação. Abre horizontes, amplia o campo de visão, ajuda a encontrar definições rapidamente. Direciona, enfim, a pessoa aplicada aos estudos para o campo das vitórias.

Ao frequentar escolas, o indivíduo contata pessoas com mentes e costumes diferentes, favorece aquela troca de informações úteis. Permite à pessoa dedicada aos livros viajar sem sair do lugar para acumular sabedoria.

A filosofia dos países desenvolvidos é acreditar que, preparando crianças, educando jovens com padrões de erudição qualificada, o retorno dos investimentos é garantido. É com estudo de alto nível que se constrói uma nação. Engrandece a riqueza, distribui renda decentemente. Sem engodos políticos. Sem os tradicionais discursos elaborados com o único propósito de garantir voto nas urnas. Infelizmente, esdrúxulo costume brasileiro.

As pesquisas não mentem. É com formação de qualidade que se educa o homem para competir em igualdade de condições em qualquer teste de avaliação. É com cultura que o povo aprende a escolher o gestor honesto e competente. Afastar os incapazes e os corruptos. Expulsar os demagogos da parada. Afinal, um povo ignorante vive iludido e decepcionado a desperdiçar a recursos, não prosperar, causar empobrecimento.

É com a união entre escolas e professores que a sociedade se firma. Planeja, implanta desafios, transpõe obstáculos, vence batalhas, realiza ideias. Solidifica o desenvolvimento, fomenta a economia, fortalece o bem-estar social. Mantém o IDH-Índice de Desenvolvimento Humano em alto npivel.

Na Suécia, a criança, dos 7 aos 17 anos, tem o ensino gratuito. Pouco importa se a escola é pública ou privada. O Estado assume as despesas. Desde o pré-primário, o básico, fundamental, médio e o superior. Para obter resultados, a Suécia prima nos melhores modelos de educação. Nesse item, é um dos países que mais investe no mundo. A criança sueca recebe uma educação uniforme, não importa o sexo, o grupo ético e a posição social. Para assegurar a motivação educacional, tudo começa com a escolha dos educadores. Somente os mais preparados se sobressai na docência.

A partir da pré-escola, a criança recebe um conjunto de atividades pedagógicas. O objetivo é motivar o aluno, desenvolver a criatividade. Estimular aprendizagem, enquanto joga e se diverte, interagindo com o ambiente e os adultos. Nesta fase da pré-scola os pais mais ricos pagam uma taxa. Valor que é decrescente, caso a família tenha outro filho na mesma escola. Fator idêntico no Brasil. Todavia, as notas, só começam a ser aplicadas, a partir da sexta série.

Depois, aos treze anos, o jovem aprende a consertar aparelhos domésticos, preparar pratos gastronômicos, receber noções de corte e costura. Não importa se é menino ou menina. O fundamental é se inteirar dos afazeres domésticos.

Outro detalhe importante, do ensino infantil ao fundamental. O professor tem de possuir graduação universitária e apresentar a carteira profissional de habilitação atualizada, cheia de qualificações, inclusive mostrar habilitação para a matéria a ser lecionada.

A média salarial do professor sueco, experiente e com anos na profissão, equivale a aproximadamente 10 mil reais mensais. O valor dá para pagar as contas, alimentação, no entanto, sem cometer exageros. Vez que o custo de vida na Suécia é caríssimo. Um dos mais altos da Europa.

No Brasil, as deficiências estruturais no ensino público são inúmeras. Diversificadas. Escassez de escolas públicas, falta de professores. Um mal quase secular. No ensino fundamental e médio existem mais de 2 mil turmas sem professor. As matérias mais prejudicadas são a informática, o inglês e geografia. A razão desse tremendo erro é a inexistência de políticas educacionais. A carência de docentes formados, habilitados e licenciados. Imperdoável a falta de docentes em língua estrangeira, ciências e física, particularmente nas escolas municipais. Aliás, a falta de pessoas na escola pública municipal, então, é o caos.

Ouro detalhe negligenciado e pouco debatido. A curta duração do ensino compulsório gratuito. É de apenas 8 anos, quando a média nos países desenvolvido é de 12/13 anos e o acesso restrito. A carga horária semanal diminuta. Apenas 20 horas, quando a média mundial superar esta marca. Lá fora, ultrapassada a metade do curso colegial, o aluno frequenta e recebe certificado de aprendizado profissionalizante para facilitar o ingresso no mercado de trabalho. Pelo menos na fase de estágio para adquirir experiência.

Entre os anos de 1971 e 1982, o Brasil adotou a obrigatoriedade de cursos profissionalizantes nas escolas públicas de segundo grau. Prática extinta e transferida a responsabilidade para o SENAI e SENAC.

A partir de 1982, o Brasil optou pela estratégia de aumentar a quantidade de matrícula. Medida insensata que, além de derrubar a qualidade do ensino, extrapolou na quantidade de atrasos, abandonos e desistência dos estudos. Incentivou o abandono escolar. Estimulou a violência.

Segundo levantamentos, cerca de 70% dos jovens confessam praticar violência física, enquanto 30% se declaram vítimas das agressividades. Talvez por isso, somente 83% da população escolarizável do primeiro grau frequenta a escola. No segundo grau, então, a situação é bem pior, provavelmente em decorrência da corrupção que achou um porto seguro no ambiente escolar público.

Enquanto o setor público não se comprometer, de fato, com a educação, a qualidade no ensino brasileiro é esquecida. A falta de recursos e a baixa formação de docentes, contribuem para o ensino oficial brasileiro ser duramente criticado. Críticas, aliás, que impactam na péssima taxa de produtividade nacional.

Na avaliação escolar do PISA- Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Humano (OCDE), de 2015, na parte relativa a renda, entre 43 países avaliados, o Brasil ficou na rabeira.

Os dados revelam que o investimento público na educação brasileira vem caindo, gradualmente. Entre 2014 e 2018, os recursos destinados à educação caiu de R$ 11,3 bilhões para R$ 4,9 bilhões. De acordo com a projeção da Lei Orçamentária, a quantia deve cair para R$ 4,2 bilhões, em 2019.

O que faz Paulo Freire ser retumbante, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”.

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