ERRADO, MEU CARO RUI!

Rui Barbosa, no começo do século XX, se não me engano, disse que a “pior ditadura é a do judiciário, pois contra ela não há a que recorrer”. Eu, porém, com todo o meu respeito ao Águia de Haia, discordo dessa assertiva, ao mesmo tempo em que desabafo, também, pois prefiro ser preso a me fazer de mouco, diante das barbaridades que vemos na bananolândia.

As coisas vem se “assucedendo” assim, meio de cambulhada, e acabam por confirmar o meu texto anterior – o texto J’ accuse…, com base no libelo de Zola -, sobre o judiciário e a sociedade brasileira. E, como eles estão, na atualidade, em campos opostos, com sangue nos olhos e a peixeira entre os dentes, prontos a se engalfinharem, assim que uma das partes cruzar aquela linha que, na época de menino, quando a gente queria chamar alguém para a briga, riscava o chão e gritava: essa é a minha mãe, passe por cima dela se você for “homi”!!.

“Essoutrodia”, vimos um desembargador, isso mesmo, aquele agente do judiciário, cuja função está embutida no próprio título, que ganha tubos de contos de réis mensais, desacatar um agente público. E ainda, para confirmar o que eu disse, do supremo desprezo que essa gente tem do Zé povinho, falava com o agente público em francês. Ora, porque aquele anão moral iria falar em português com a “arraia miúda”? Por que aquele ser que habita, com certeza, outra dimensão escatológica, iria se submeter às leis que todos os demais cidadãos bananeiros se submetem? Muitas vezes, bufando de raiva, dada à safadeza dessas leis, mas se submete.

Aí, quando a imprensa – aquela que ainda mantém o seu orgulho de ser independente, e não confunde, cafajestemente, opinião com notícia, escarafuncha, aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, o verbo escarafunchar significa, pesquisar, fuçar, analisar em seus mínimos detalhes -, busca a folha de serviço do dito cujo, descobre que ele já tem quarenta e cinco, deixe-me repetir, QUARENTA E CINCO processos disciplinares em quinze anos no Tribunal de Justiça. Em um exercício tolo, mas válido, sabem qual será a pena máxima para esse anão moral, se, e digo, SE, um dia ele vier a ser condenado? Aposentadoria compulsória com salário integral e todos os benefícios da lei que ele diariamente escoiceia. Só na bananolândia mesmo!.

Recentemente a outra polêmica que recebeu um ensurdecedor silêncio das ditas mídias progressistas foi criada pelo senhor José Antônio Dias Toffoli, que hoje preside o supremo tribunal federal – assim mesmo, tudo em minúsculo, para se adequar ao caráter de onze poltrões que ocupam aquele prédio. POLTRÕES, vocês leram certo. Disso o senhor Toffoli que, se na redação de um jornal existe um editor que controla a informação e diz o que vai, ou o que não vai ser publicado, os onze poltrões seriam os redatores da sociedade brasileira. MEU OVO ESQUERDO, senhor poltrão! Meu ovo esquerdo. Prove-me pela Constituição a existência de editor da sociedade.

Não é somente estarrecedor ouvir isso de uma pessoa que, pela lei, a função é ser guardião e intérprete da Constituição – e olha a Magna aí de novo -, e nessa constituição não há nem um adendo escrito a lápis que essa seja uma função de um ministro. Aliás, e digo isso aos onze poltrões: são ministros enquanto dentro do prédio, vestindo a toga e obedecendo a ritualística que o judiciário impõe. Fora dali, todos os onze são agraciados com o título de CIDADÃOS.

Mesmo dentro daquele prédio, assumindo o arrogante título de “ministros”, são, em última análise, empregados do povo, servos da sociedade. Portanto, em que parte do mundo há a lógica do empregado ditar ao patrão como este deve se comportar? Quando os onze poltrões – e, meu Deus, Triboulet, o famoso bufão da corte de Francisco I deve estar morto de vergonha, além de morto, literalmente, já que a função de bobo da corte e palhaço era uma das mais nobres e cobiçadas do “ancient regime” -, suas decisões só tem validade dentro do processo em que opinam, seus efeitos tem vínculo, ponto final, Ditar o que eu devo pensar, escrever, falar, ou mesmo debater? Meu ovo esquerdo. Prefiro ser preso a me submeter a essa humilhação de delinquentes jurídicos.

E aqui voltamos a Rui e sua famosa observação. Data máxima vênia Rui, discordo de você. Há sim, a quem recorrer. Na verdade, há três caminhos que podem ser trilhados para que a cangalha da ditadura do judiciário saia de nossa carcunda. Todos eles trazem um impacto que vai ser sentido por gerações, e esse impacto pode organizar a sociedade, ou mesmo levá-la a um estado de anarquia, mas com o tempo ela se ajusta.

O primeiro caminho é mais lento, mas é o mais simpático: é nós deixarmos de ver as câmaras de vereadores, as assembleias legislativas e o congresso nacional como valhacouto, e deixar de mandar para lá gente que não tem biografia, mas folha corrida. Digo isso porque tamanduá não vota, nem jabuti tem título de eleitor. Se nas casas legislativas e executivas tem bandido “pìu grasso”, é porque o próprio cidadão gosta de ser roubado e manda, em toda eleição, facínoras de grosso calibre para legislar sobre a vida dele. Aí já se viu. E também parar com essa história de, “ah, fulano tá na frente, então não vou perder meu voto e vou votar em quem está na frente”. Deixa de ser burro, Zé Povinho. “Seje homi”, pelo menos diante da urna e vote com a cabeça e não com a porção final do intestino grosso.

O segundo caminho é mais perigoso, porém, não menos legal. Perigoso porque se daria muito poder a pouca gente, e esse poder tende a corromper. Estou falando da convocação popular para que as Forças Armadas coloquem ordem no galinheiro. Veja, não estou falando em intervenção, porque isso não existe e é coisa de golpista. A convocação da sociedade é um ato soberano, já que, sendo o povo soberano, de acordo com a constituição, somente um ato soberano desse povo pode, através dessa convocação, chamar as Forças Armadas para que elas recoloquem as coisas em seus lugares, saiam e voltem aos seus afazeres constitucionais. Como disse, não gosto dessa solução.

E, o terceiro e último caminho é o mais glorioso, mas somente para os teimosos, os encardidos e os desesperados: a desobediência civil. Mas essa desobediência deve ter alvo certo e preciso. Aliás, partindo-se do direito natural, é obrigação de todo ser humano desobedecer a ato judicial quando este se mostra injusto, ilegal e imoral. No caso do nosso supremo, seus atos se enquadram com perfeição nessa categoria. São atos injustos, imorais e ilegais tomado por delinquentes jurídicos, poltrões que se arvoram e enchem a boca para falar que são os editores da sociedade. Sinto Muito Rui, mas meu ovo, senhor Poltrão Tóffoli, não é o senhor que vai me calar, enquanto os atos dessa corte assim se enquadram.

Veja Rui! há sim, a quem recorrer, basta termos aquela coragem cívica que um dia um sinhozinho magruço, já debilitado pelo câncer, com o reco-reco das costelas à mostra, levantou-se diante de uma sociedade calada e disse um sonoro não!. Saiu pelo país, mobilizando a sociedade, reacendendo aquela chama cívica que nos tirou da ditadura. O nome daquele sinhozinho? Teotônio Vilela.

4 pensou em “ERRADO, MEU CARO RUI!

  1. É isso Roque. O povo tem uma responsabilidade enorme na escolha dos representantes. Vota-se por por agrado: dinheiro, saco de cimento, remédio, etc. Em cidades pequenas a coisa é pior. O que eu acho engraçado é o apoio dado a Alexandre de Morais pela violência até ele praticou, inclusive por professores universitários. Vi um texto de um colega, com curtidas de vários outros, aplaudindo um fato repudiado lá fora.

  2. Meu caro Maurício.

    Eu não sei o que essa gente bebe no café da manhã, mas me lembra muito Santayanna. E eles, “vevem” repetindo o mesmo erro: professores universitários, jornalistas, advogados, grupos sociais com interesses privados, que eles chamam de sociedade civil, apoiam esse tipo de ato discricionário de força, para depois serem vítimas, eles mesmos, dos monstros que criaram. E, exemplo não faltam para respaldar essa minha fala: União Soviética, China, Cuba e Venezuela são lapidares. Lá o principais apoiadores desses regimes foram artistas, professores universitários, jornalistas, advogados, grupos como movimentos específicos. Quando os novos suseranos assumiram o poder, esses mesmos grupos foram os primeiros a serem calados no novo regime.

  3. Meu caro Sancho, você gasta vela boa demais com um defunto ruim… isso é apenas indignação e desabafo… há nesta nossa gazeta esculhambatória gente de mais grosso calibre do que que eu e que merece mais. De toda forma, obrigado pelos elogios.

    • Sancho, como bom cachorro vira-latas tem faro para gente de ótima qualidade… Pelo faro se conhece os amigos e gente de talento. E Sancho encontra as duas coisas em sua fubânica coluna. Abraço forte, grandíssimo amigo.

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