PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
que engrole sob-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

“Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.”

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setubal, Portugal (1765-1805)

3 pensou em “EPITÁFIO – Bocage

  1. Señor Malta,
    Cada um com o seu cada qual… E lá vai Sancho:

    Pois deixo-te a ti, considerado amigo Malta, colocar em minha lápide, tomara que só daqui a multíssimos anos essas derradeiras palavras:
    “Aqui dorme Sancho, o Pança e putanheiro:

    Passou a vida folgada, e milagrosa:

    Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.”

    Abraço um moinho de vento e o amigo.

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