RODRIGO CONSTANTINO

Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, durante abertura do evento.

Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, durante abertura do evento

O poder está nas mãos de uma aliança tucanopetista, ou seja, um consórcio entre comunistas e globalistas. Os tucanos fizeram o L para derrotar Bolsonaro e resgatar a velha hegemonia da esquerda, no teatro das tesouras que colocava um socialista mais light como FHC como oposição à direita. Com Bolsonaro essa palhaçada acabou, e todo o sistema se uniu então para derrotar a verdadeira direita. Conseguiu.

Mas logo depois as divergências começam a surgir. Armínio Fraga logo disse estar com “medo”, e vários tucanos passaram a criticar em especial a agenda econômica petista. Essa divisão fica bem evidente quando analisamos dois fóruns de debates: o Fórum Social Mundial, da turma comunista, e o Fórum Global de Davos, da turma globalista. Lula sempre deixou clara sua preferência pelo fórum comunista.

E isso incomoda a turma tucana que inventou a narrativa de Lula como um novo Mandela, mais moderado e pacificador, que poderia colocar até um Armínio da vida no comando da economia. Tal Lula, claro, nunca existiu, mas os tucanos agora se fingem surpresos e lamentam a insistência no erro do presidente. A coluna de Vera Magalhães no Globo hoje ilustra com perfeição essa postura tucana. Diz ela:

Desde que assumiu pela primeira vez a Presidência, em 2003, Lula trata com certo desdém o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A forma de mostrar que esnobava a meca do capitalismo global foi dar o mesmo peso à ida à cidadezinha da Suíça e a Porto Alegre, onde anualmente se realizava o Fórum Social Mundial. Ok, tinha seu charme e fazia sucesso junto à militância, uma vez que a importância do encontro anual em Davos tinha sido uma das marcas do “neoliberal” Fernando Henrique Cardoso, que veio logo antes e cujo legado era moda derrubar. Mas o contraponto Davos-Porto Alegre sempre foi um reducionismo não verdadeiro. Para ter maior igualdade social, é preciso mudar estruturas da ordem global, e é em palcos como o suíço que um país bem articulado deve se fazer ouvir e mostrar que tem projetos para isso.

Esse último trecho é de uma clareza ímpar. Vera tenta convencer seus colegas petistas que o globalismo não é o inimigo, que é por meio dele que o “progressismo” poderá vingar. Se quer “justiça social” (e climática), então precisa dar as mãos aos globalistas, deixar a turma do Soros, Gates e Klaus Schwab mandar no mundo todo, atropelando a soberania das nações e criando a “democracia dos iluminados”, sem povo.

Leandro Ruschel comenta sobre o fórum globalista idolatrado pelos militantes tucanos nas redações dos jornais: “Quem elegeu os líderes do Fórum Econômico Mundial para decidir como você e sua família devem viver? Quem deu a eles o poder de empobrecer e tirar a liberdade da humanidade sob o argumento de combater supostas ameaças globais? Eles são a ameaça!”. A turma que quer te convencer a comer baratas para salvar o planeta enquanto circula em jatos particulares encanta a elite que adota a visão estética de mundo e se derrete cada vez que Marina Silva ou Greta Thunberg dizem alguma bobagem qualquer.

Em seguida, Vera Magalhães condena a nova tentativa de aparelhamento das empresas já privatizadas pelo governo Lula, como se ele não tivesse aprendido lições importantes. Ora, quando foi que Lula mudou sobre o tema? Portanto, quem não aprendeu lição alguma foi a militância tucana, que acreditou no Lula moderado sem qualquer indício ou fundamento. Vera conclui:

Na insistência em recriar um mundo conhecido, Lula fecha os olhos para o existente e para um que vai se moldando – em que a economia cresce menos e a emergência climática e a polarização política ameaçam governos – e para o qual precisava estar mais bem apetrechado do que está.

Se ao menos Lula virasse um tucano globalista… Essa parece ser a mensagem da jornalista, inconformada pelo fato de que Lula continua sendo o que sempre foi: um petista comunista.

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