CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

No Brasil, o modal rodoviário é o mais explorado. Apesar de caro e extenso, mais da metade da produção nacional é escoada pelas estradas. A quase totalidade de passageiros prefere curtir o país, encarando os mais de 1.720 mil quilômetros de autoestradas, dentro de veículos ou ônibus. Apenas um pouco mais de 105 mil quilômetros de estradas são pavimentadas. Mas nem sempre conservadas.

Na classificação mundial, o Brasil prima pela malha rodoviária. Enquanto a China despacha 50% do transporte de cargas pelas estradas e o Canadá, somente 8%. Realmente, pela malha rodoviária brasileira escoam 75% da produção nacional. É demais. Em seguida, vem a via marítima que escoa 9,2%, a aérea, 5,8%, a ferroviária, 5,4%, o sistema de cabotagem se encarrega de escoar 3% e a hidroviária, apenas 0,7% da produção total.

O tempo prova que governo nenhum priorizou outro sistema de transporte, além do rodoviário. O motivo é simples. O caminhão tem forte repercussão no voto. Firma o nome do gestor na eleição. Planta uma marca, dar vantagem ao gestor em relação aos adversários.

Apesar das deficiências, o transporte rodoviário brasileiro é o quarto no mundo. Todavia, para uma estrada ser considerada de excelente nível, precisa preencher quatro requisitos. Estado geral, pavimento, sinalização e geometria. Qualidades inexistentes nas estradas brasileiras.

Daí a razão dos projetos ferroviários dificilmente sair do papel. Quando são executados, os projetos demoram anos para serem concluídos e entrar em operação. Isto, se não forem escanteados, jogados para terceiro plano, pelos maus gestores.

Quando os caminhoneiros decretaram greve, o país parou. A sociedade pagou o pato. Dependente do transporte rodoviário, o Brasil não tomou nenhuma atitude positiva. Deixou o barco à deriva, submisso às ordens dos motoristas que mostraram raça. Não se curvaram, diante de ameaças das autoridades.

Faz, décadas, o Brasil continua no mesmo ritmo. Decisão positiva, não apareceu ainda. Somente conversa mole, pra boi dormir. Logística de transporte que é bom, nada. Agora que a população percebe os primeiros sinais de logística. Por sinal, ainda fracos.

Para um país de dimensão continental e bom produtor de commodities, tanto na agricultura, quanto na mineração, é inadmissível deixar o país à mercê do transporte rodoviário para dar cobertura ao abastecimento. Afinal, sem estratégia, o escoamento estanca. Nada vai pra frente.

Não é segredo. O transporte de toneladas úteis (TU) tem crescido. Dobrou no espaço de dez anos. Passou de 389 milhões, registrados em 2006, para 503,8 milhões anotados em 2016. Da mesma forma, a frota de caminhões cresceu. Saiu de 1,5 milhão para 2,6 milhões, conforme números de 2016.

Acontece que 1,09 milhão dos caminhões pertencem a empresas transportadoras, um pouco mais de quinhentos mil são de propriedade de caminhoneiros autônomos e somente 23 mil pertencem às cooperativas. Os motoristas são dependentes do frete para cumprir as obrigações financeiras.

No cômputo geral, um detalhe não pode ficar despercebido. A indústria cresceu bastante, porém, acabou-se o tempo de as lojas estocarem em demasia. Estoque grande é prejuízo na certa. O empresário do varejo atualmente costuma trabalhar com estoque pequeno. Suficiente apenas para cobrir no máximo o prazo de uma semana. A segurança para evitar o desabastecimento compete ao transporte.

Alguns problemas atormentam a economia brasileira. Falta de emprego, baixa renda e competição do frete, especialmente no meio rodoviário. O aumento do preço do combustível, cotado em dólar, eleva o custo do serviço. Deixa o ramo pirado.

Mais um motivo para se pensar rapidamente na aprovação da reforma fiscal. Caso demore a vigorar, com certeza o crescimento da economia pode sofrer nova paralização. Deixar o Brasil de calças curtas, novamente.

Da mesma forma, o país tem de pensar em outros modais de transporte, no equacionamento de novas fontes de energia no setor, além do petróleo, e no avanço de investimentos em infraestrutura. Sem mais delongas.

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