ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

Em razão da pandemia que assola o país, passou despercebida no último dia 28 de agosto, a morte do cantor e guitarrista Renato Barros que estava com 76 anos. O lamentável falecimento se deu no Hospital das Clínicas de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, após uma cirurgia cardíaca quando ele teve complicações pulmonares. Nos anos 1960, Renato fez nome na época da Jovem Guarda com versões em português de sucessos do rock inglês de conjuntos como Beatles e The Mammas and the Papas, a banda se projetou com hits como “Até o fim”, “Não te esquecerei”, “Feche os Olhos” e Menina Linda(o primeiro grande sucesso da versão de 1964. O nome “Renato e Seus Blue Caps” foi inspirado em uma banda americana. A banda de rock era a que estava há mais tempo em atividade no Brasil.

O artista fundou a banda no início dos anos 60, com seus irmãos Ed Wilson e Paulo César Barros, e com os músicos Euclides de Paula e Gelson. O grupo lançou seu primeiro disco em 1962 e logo se tornou um sucesso no movimento musical da Jovem Guarda. Desde então, vários músicos passaram pela banda, entre eles Erasmo Carlos, que substituiu Ed Wilson quando ele deixou o grupo em 1963 para tentar carreira solo. Erika Barros, filha do roqueiro, homenageou o pai publicando em seu perfil, na rede social Facebook, a letra da música NÃO TE ESQUECEREI, versão de Renato e seus Blue Caps para a música California Dreaming, do grupo The Mamas and the Papas.

A jornalista e pesquisadora Clara Menezes, nos afirma que durante a década de 1960, ele teve papel significativo na Jovem Guarda, movimento cultural que trazia referências do rock britânico e estadunidense para o Brasil. A música, apesar de ser considerada “ALIENADA” para os jovens engajados politicamente do período, tinha grande popularidade. As temáticas tratavam, principalmente, de amor, de adolescência e de exaltação de bens materiais, como carros e roupas. Diversos artistas já integraram o grupo, incluindo Erasmo Carlos. Há mais de 20 anos, porém, participavam Renato Barros, Cid, Gelson, Darcy Velasco, Amadeu Signorelli. Na discografia da banda, constam “Twist” (1962), “Viva a Juventude” (1964), “Um Embalo com Renato e Seus Blue Caps” (1966), “Suco de Laranja” (1979) e “Batom Vermelho” (1987).

Os amigos de banda se despediram de Renato com uma declaração na rede social: “Nosso amado e muito querido cantor, compositor e guitarrista não suportou tanto sofrimento e descansou! Foi tocar sua guitarra no plano superior, onde está agora ao lado de seus pais e de sua amada esposa Lúcia Helena”. Toque direito aí no céu, viu meu amigo Renato Barros?…Tenho orgulho de ter sido um Blue Cap em 1962… Meu Rock’n’roll está triste;, escreveu Erasmo Carlos…

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  1. Uma pena mesmo. Como vice disse, essa pandemia não permitiu uma despedida digna. Li, ontem que Vanusa está numa situação crítica, também. Ela arrebentava com Manhãs de Setembro.

  2. Gratíssimo meu amigo Pinheiro

    pela lembrança em memoria de Renato e seus Blue Caps, ícone dos anos 60 e 70 do século passado.
    Bom rapaz, boa banda que animou a minha juventude e a de muitos que que tiveram o privilégio de viver naquela época tão alvissareira. Beatles e Mamas and Papas tiveram sua projeção alavancada entre nós através dessa banda, que integra os anais da história da MPB-Musica Popular Brasileira, mesmo sem pertencer ao grupo de músicos e cantores que integravam o movimento.
    Quando se fala de MPB, ninguém lembra de Renato e seus Blue Caps, mas eu lembro e aplaudo.

    De novo, grato pela lembrança
    Brito

  3. Numa sexta-feira cuja data eu me lembro apenas como sendo de um ano já dos últimos do século passado, o meu amigo João Elias, sabedor do meu gosto por Renato e Seus Blue Caps, me ligou para dizer “Renatão está em Natal. Vamos comigo no hotel?”
    Haviam sido vizinhos um pouco antes do auge da banda.
    Para lá marchamos.
    “Por favor, moça, avise ao Renato Barros que Elias “Orelha de Abano” está aqui”.
    Anunciados da recepção, Renato não apenas lembrou do antigo vizinho como fez questão de descer para nos cumprimentar, de forma muito simpática.
    Foi um abraço arretado, apertado e demorado. Digno da amizade antiga.
    Nos sentamos no bar do hotel e a tarde foi curta. Relembraram várias presepadas pelas avenidas e praias cariocas. Era cada uma!
    Renato Barros foi extraordinariamente simpático conosco.
    Na saída, já depois de nos despedirmos diversas vezes, Elias me perguntou “e aí, o que achou de Renatão, assim, ao vivo?”
    Eu respondi meio sem pensar:
    – É o cara da cabeça mais gigante com quem já conversei.
    Rimos os três.
    Mas… quando saímos do hotel, eu quase apanhei.
    “Porra, Jesus! Tanta coisa para dizer sobre o cara, e você foi falar que ele é cabeção?!”

    E era! Uma cabeça gigante em todos os sentidos.
    E eu ali imaginando as orelhas de Elias na cabeça de Renato. Rindo por trás do meu rosto sério, enquanto meu amigo se arretava comigo.

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