A PALAVRA DO EDITOR

Mariela Castro (filha de Raúl Castro, presidente de Cuba até 2018), que dirige o Cenesex – Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba, e que é também ativista LGBT, anunciou na sua página oficial no Facebook que o Ministério da Saúde decidiu cancelar a Conga dada a atual dificuldade vivida pelo país, que se prepara para enfrentar a pior crise econômica em décadas.

Tendo um grupo, de revoltadinhos com isso, resolvido fazer uma manifestação em 11 de maio deste 2019, com o objetivo de protestar pelo cancelamento daquele que é um desfile pelos direitos LGBT contra a homofobia, e que é patrocinado anualmente pelo governo cubano, a polícia de Cuba a interrompeu.

A direita leu o noticiário, se alvoroçou e gritou que as esquerdas têm um discurso mas agem de modo diferente – até o contrário do que diz defender, perseguindo e reprimindo os gays de ambos os três ou quatro sexos.

Não é nada disso.

A história, a verdadeira história, é a seguinte.

A Conga é realizada há mais de dez anos no DIA NACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA DE CUBA (!).

Cuba, apertada, sem dinheiro para financiar a Conga, cancelou-a este ano.

A culpa é dos norte-americanos.

Contingenciamento, justificariam as autoridades brasileiras, ocorresse aqui o corte.

Houve então uma manifestação contra o cancelamento da Conga.

O governo Cubano reprimiu a manifestação.

Cuba não é propriamente um paraíso das liberdades, de modo que o governo resolveu cancelar tá cancelado, e quem achar ruim tem de ficar na sua, igual era aqui na época da ditadura militar que tem gente querendo de novo.

Resumindo: Cuba tem não só um órgão (epa!) destinado à educação sexual, cuja diretora é ativista LGBT, como tem um dia nacional contra a homofobia e o governo vem financiado há mais de dez anos uma marcha a favor da defesa dos direitos dos homossexuais.

Vou desenhar: não houve uma repressão à viadagem na Ilha, Cuba tem até um dia lindo dedicado a combater o ódio aos homossexuais, o que (apesar dos pesares, tratando-se de um país comunista, os quais nem sempre têm primado por práticas filosoficamente e originalmente esquerdistas) é uma das características das esquerdas, consistindo na promoção da igualdade mediante a defesa dos direitos dos perseguidos por preconceitos.

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