J.R. GUZZO

Tesla CEO Elon Musk visits the Tesla electric car plant in Gruenheide near Berlin, Germany, 13 March 2024.

É um certificado trágico do colapso da moral na vida pública brasileira a reação histérica, rancorosa e violenta do regime e de quase toda a mídia contra o empresário Elon Musk, controlador do Twitter-X – o mais recente “inimigo da pátria” criado pelo consórcio STF-Lula e por seu sistema de apoio. Musk fez o que, em qualquer época e circunstância, é uma indiscutível declaração em favor da liberdade de expressão.

De maneira mais clara, em favor da liberdade de expressão no Brasil, onde vem sendo sistematicamente perseguida por uma junta de governo que nos últimos anos criou um sistema ilegal de censura neste país e tem cometido centenas, ou milhares, de violações à lei sob o disfarce de “decisões judiciais”.

E qual é a reação do governo, dos seus agentes e da maioria dos jornalistas? Ficam todos indignados contra Musk – isso mesmo, contra Musk, e não contra a censura e a agressão aos direitos civis e às liberdades públicas. Chegamos à um ponto de deformação tão extremo que o seu manifesto em favor da liberdade é descrito por todos eles como uma “ameaça” ao país. Como a liberdade poderia “ameaçar” alguém? É um passo a mais rumo à demência.

Elon Musk anunciou, ao longo do fim de semana, que o Twitter-X tinha tomado a decisão de levantar as restrições criadas no Brasil contra contas na plataforma – na prática, a proibição, decretada por Alexandre Moares em afronta aberta à lei, de adversários do regime publicarem o que pensam no Twitter, e serem lidos por outros usuários. Qual o crime de se propor uma medida em favor da liberdade? Não pode, por definição, haver nada de errado com isso, nunca. Mas foi como se Musk tivesse ameaçado jogar uma bomba de hidrogênio em cima de Brasília, usando, talvez, um dos seus foguetes espaciais destinados à rede de comunicações.

Foi acusado, com extremos de indignação, de “interferir nos assuntos internos do Brasil, “desrespeitar” a Justiça brasileira, tratar o país como “uma terra sem lei” – como se houvesse alguma lei no Brasil que não possa ser violada dia e noite pelo STF. Num momento especial de delírio, Musk foi incluído pelo ministro Alexandre Moraes como “investigado” no seu inquérito perpétuo contra as “milicias digitais, por “obstrução da justiça em organização criminosa” e “incitação ao crime”. E agora: vai apreender o passaporte do homem? Vai mandar depor na Polícia Federal? Vai fechar o Twitter no Brasil?

Elon Musk apenas disse, e esperou muito tempo para dizer, o que já diz há anos a mídia independente do Brasil, incluindo a Gazeta do Povo: o STF e o ministro Moraes criou e comanda um esquema de censura nas redes sociais. Como Musk é personalidade mundial, levantou-se esta excitação toda.

A questão, agora, é averiguar o nível de infâmia em que está localizada hoje a consciência dos presidentes da Câmara e do Senado brasileiros, os únicos que podem tentar fazer alguma coisa concreta contra a anarquia legal que o STF criou no país. É uma vergonha, entre tantas outras, que vejam um empresário estrangeiro se levantar contra a ditadura hoje em vigor – quando fazer isso é o dever elementar dos dois. O pior cenário é se juntarem ao linchamento.

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