A PALAVRA DO EDITOR

Quando a economia sofre uma contaminação generalizada de aumento de preços, o país é vítima de inflação. Inflação é o processo que ataca o poder de compra das pessoas, fere a estabilidade de preços, debilita a renda, enforca também o salário do trabalhador que fica mais pobre. Com menos dinheiro no bolso para comprar os itens necessários, a classe média endoida. Como a economia anda desarrumada, todo dia, quando o consumidor vai ao supermercado se surpreende com o aumento de preços, se espanta com a carestia de vida. Fato que virou rotina no país, faz uma porção de tempo.

Quem puxa o preço para cima é a inflação. A inflação pode acontecer de algumas maneiras. Quando o governo emite mais papel-moeda para garantir os gastos públicos em ascensão. Quando o consumo dispara, ultrapassando a capacidade de produção, ou então, quando os custos de produção de máquinas, matéria-prima e de mão de obra sobem em excesso. Por outro lado, quando o produto escasseia nas prateleiras, o preço também sofre uma pressão extraordinária. Aumenta automaticamente. O dólar é outra causa de aumento de preços porque se a cotação da moeda americana aumentar, o preço de importados, incluindo os insumos, também é majorado. Causando mais atropelos.

Para acompanhar o desenrolar da inflação, o Banco Central oficializou a taxa básica de juros, a popular Selic. O órgão que administra a Selic é o Comitê de Política Monetária (Copom). Esporadicamente, o Copom controla a Selic. Quando quer segurar o consumo e os preços, o Copom puxa a Selic para cima. Com isso, encarece o crédito que some do mercado. Então, somando todas as despesas do trabalhador médio efetuadas com moradia, alimentação, vestuário, transporte e educação define-se o padrão básico do novo modo de viver que, que na verdade, é o próprio custo de vida. Em cada cidade, o nível de preço é diferente. Por isso, tem cidade onde o padrão de vida é mais caro do que em outra. O Rio de Janeiro e São Paulo tem a fama de serem cidades onde o padrão de vida é caríssimo. Somente os mais ricos vivem bem, enquanto os menos favorecidos penam para sobreviver. Às duras penas.

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O graduado em nível superior tem melhor chance no mercado de trabalho. A instrução intelectual lhe concede a preferência na disputa por emprego. Reserva ao candidato melhor preparado à vaga a oportunidade de ganhar um salário condigno, de acordo com a capacidade apresentada. Pela lógica, o candidato de nível superior é mais qualificado do que quem mal passou do ensino fundamental ou parou no ensino médio.

É evidente que a idade pesa. No entanto, na prática, os processos seletivos analisam outros fatores, além do grau de instrução. De antemão, a empresa, quando contrata, visa no novo funcionário condições de oferecer reciprocidade. Preencher requisitos básicos para perseguir o lucro, diante da concorrência. Afinal, é com lucro que a empresa cobre os custos do empregado. Todo funcionário tem um custo. Custo com salário, benefícios e transporte.

Para traçar o perfil do candidato, o recrutador solicita currículo, nível de experiência e a qualificação profissional. Todavia, com a globalização do mercado de trabalho, outros requisitos são fundamentais. Um deles, básico, é cobrar do candidato à vaga a capacidade de ser um multitarefa. Jogar em várias posições. Não ficar restrito somente a uma função específica. Ter relação com a tecnologia da informação, ser expansivo, interessado, pontual, desenrolado, organizado, sincero e, sobretudo, extrovertido e afoito.

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O mundo se moderniza. Superou a era braçal, quando os serviços eram executados na base da munheca e da força. Atualmente, graças às transformações, o conhecimento é o acelerador da informação. É o pivô da tecnologia. Responsável pela atualização tecnológica. Nas fábricas, o homem é substituído pela máquina, cada vez mais robotizada. Mais inteligente, artificialmente.

Nas montadoras, o robô ocupa cerca de 70% das atividades na fabricação de carros. Na fase inicial, quem faz tudo é a máquina. Insuperável, até na soldagem de 5 mil pontos. Começa pela prensagem das chapas de aço na seção de estamparia. Pronta, a carroceria recebe a etiqueta de identificação. Depois o robô cola a parte lateral do veículo, concluindo o assoalho e a parte dianteira. Finda a operação, chega à funilaria, onde é impresso o número do chassi.

Na sequência, vem a pintura, a colocação das portas e do motor. Aí é quando o homem aparece, na parte final da montagem, para finalizar a colocação de 3 mil peças, incluídos os equipamentos internos e externos, o quadro de instrumentos, estofamentos, carpetes, bancos, para-brisas e a parte elétrica. Ainda suspenso, as máquinas colocam as rodas e os pneus, dando por encerrada a linha de montagem. É quando entra em ação o dinamômetro para inspecionar a parte elétrica. Inspecionando, analisando a nova máquina, até o ok, dando por encerrada a fabricação da unidade automotiva. Até chegar a hora da venda para as concessionárias e daí para o comprador final.

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Não vai ser mole. Pra consertar o baú brasileiro, cheinho de anomalias e de troçadas berrantes e vergonhosas, o país tem de mudar de cara. Para expurgar os males de muitos anos, é preciso coragem, garra, argúcia e senso de responsabilidade. Caso seja aprovada sem os conchavos políticos, a reforma da Previdência tem de ajeitar muita coisa errada. Acumulada durante anos. Extinguir por exemplo o regime especial de aposentadorias dos congressistas, obrigando cada parlamentar receber apenas o teto do INSS, atualmente fixado em R$ 5,8 mil. Incrível, mas tem uma cambada de deputados aposentados que se dão ao luxo de receber altos benefícios. Pasme. Existe um tal de regime especial de aposentadoria de congressistas, que não chega para o bico do pobre jubilado, gente comum, obrigado a receber apenas umas merrecas por mês do INSS. Ao contrário dessa gente comum, os sortudos beneficiários do Congresso, por terem exercido uns mandatos parlamentares, ganham em média acima de R$ 14 mil mensal. Tem um grupo de deputados aposentados, quase quinhentos, auferindo juntos a bagatela de R$ 7,18 milhões a cada mês. Um absurdo. Verdadeiro exagero, não?

A última vez que as regras de aposentadorias para os parlamentares foram alteradas foi em 1997. Ficou estabelecido que o deputado ou senador para ser enquadrado no Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC) tinha de preencher dois requisitos básicos. Comprovar 35 anos de contribuição e ter completado 60 anos de idade. A exceção é a aposentadoria concedida com proventos proporcionais ao tempo de mandato, calculado em 1/35 avos por tempo de mandato. Evidente que o PSSC, 11% do valor do subsídio, é opcional. Não é obrigatório. Afinal, o INSS é dirigido a todas as categorias de trabalhadores e está aberto também aos políticos.

O que entristece é o fato do parlamentar brasileiro se achar o todo poderoso. Gozar do direito de receber benefícios acima de R$ 33 mil por mês, valor pago ao parlamentar no exercício do mandato. Alguns dos privilegiados estão enrolados ou presos por causa de problemas com o Mensalão e a Operação Lava Jato, todavia, continuam recebendo polpudas aposentadorias. Ao contrário do deputado brasileiro, o deputado da Suécia, vive uma vida humilde, sem mordomias, privilégios especiais e distantes da corrupção. Sem reclamar. Cada deputado sueco, tem de se virar sozinho. Não tem assessor no apertado gabinete, dorme em quitinete e ainda paga pelo cafezinho. Além do mais, o deputado do país escandinavo não recebe verbas extras para fretar aviões ou outras aberrações. Até para os deslocamentos, o parlamentar da Suécia, por não dispor de carro oficial, recebe apenas um cartão anual para pagar o transporte público. Todavia, o mais importante de tudo é que o deputado sueco não goza de imunidade parlamentar. Deu uma de sabichão, cometeu deslize, Justiça nele. Sem perdão e regalias.

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