É RUIM, MAS PODERIA SER PIOR

A proposta de reforma administrativa do Governo está posta: é uma ótima notícia. A reforma não é lá nenhuma Brastemp, mas se continuasse na gaveta dos burocratas estaríamos pior ainda. Pelo menos já se sabe o que o Governo pensa e há um desenho, embora tosco, a ser aperfeiçoado pelo Congresso.

O ponto mais criticado, a falta de efeito imediato da reforma, só merece elogios. A reforma atingirá apenas servidores contratados depois que entrar em vigência, evitando longas discussões sobre direitos adquiridos. Caso Fernando Henrique tivesse feito isso com a reforma da Previdência, em vez de querer que vigorasse em prazo curto, já estaríamos colhendo seus frutos.

O principal defeito do projeto é atingir apenas uma parte dos servidores, exatamente a que tem pior remuneração. E não são tantos: algo como 600 mil, num total de quase 12 milhões de assalariados do setor público, sejam federais, estaduais ou municipais. Militares, procuradores, parlamentares, juízes estão fora. A explicação é óbvia: caso sejam prejudicados, os parlamentares votam contra, os juízes podem tender a dar ganho de causa a quem tiver a mesma queixa que eles, os procuradores talvez tenham má percepção da reforma. E sempre é saudável estar de bem com os militares.

Mas é para sanar esses problemas que existem as conversações, ajustes, negociações políticas. Se o Governo não tiver articulação no Congresso, não passa nada. E quem negocia pelo Governo? Generais? O irritadiço Guedes?

Próximos passos

Bolsonaro acredita que a reforma será aprovada neste ano. É difícil, mas não impossível. Depois da aprovação, há que enviar e aprovar projetos de lei que alterem a estrutura dos salários e cargos, as relações de trabalho, a regulamentação da reforma, para que se possa enfim aplicá-la. É coisa para uns três anos, se tudo correr bem, se não houver crises internas no Governo ou brigas com o Congresso. Mas não faz mal que demore: importa é que haja alternativa ao atual caminho, em que o custo do funcionalismo aumenta ano a ano e, somado às despesas obrigatórias, deixa o Governo sem verba para investir. Sem investimento, não há crescimento nem emprego.

Apagando o pavio

Resumindo, com todas as falhas que especialistas apontam, é o caminho a seguir. Deixar tudo como está significa que a bomba fiscal vai explodir a qualquer momento: dos 27 Estados, em 25 o salário do funcionalismo ultrapassa 60% da receita. No Rio Grande do Norte, em Tocantins e Minas Gerais, ultrapassa 90% da receita. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, já não podem aumentar a despesa com servidores. Salários congelados, pois.

O sobe-e-desce

A oposição deu a rasteira em Bolsonaro: colocou a ajuda de emergência em R$ 600,00 mensais, sabendo que o Governo não teria como sustentar a despesa. Bolsonaro não teve saída: pagou. E viu sua popularidade, que havia desabado, subir até torná-lo em líder das pesquisas. Cresceu até no Nordeste, reduto do PT. Seria o vencedor do primeiro turno; no segundo só Sérgio Moro poderia enfrentá-lo, isso se conseguisse sustentar seus níveis até a eleição. Bolsonaro se entusiasmou e desandou a viajar. Fez sete viagens ao Nordeste entre abril e agosto. Nesta quinta, variou: foi com ministros e parlamentares a Tapiraí, SP, 1.800 habitantes, para lançar a pedra fundamental de uma ponte. Espera-se que a ponte seja mesmo construída.

Resultado? Ruim. Bolsonaro perdeu pontos no Nordeste, embora tenha se mantido com resultado positivo nacional: o Governo é aprovado por 51%, contra 41% que o desaprovam. No Nordeste, foi de 48% para 40% nas duas semanas em que viajou para lá. A desaprovação nordestina ficou em 50%.

Retrato de hoje

Que é que esses números significam? Nada! A mais de dois anos das eleições presidenciais, não há pesquisa que desvende o futuro. Na véspera das eleições americanas de 1948, o mais conceituado instituto de pesquisas dos EUA indicou a vitória do republicano Thomas Dewey. O jornal Chicago Tribune publicou a manchete “Dewey Presidente”. Terminada a apuração, o candidato eleito Harry S. Truman posou para fotos com o jornal nas mãos. Neste momento, a pesquisa indica à equipe de cada candidato como é que sua atuação vem sendo vista pela opinião pública. Nada mais do que isso.

Boa notícia

Uma antiga usina paulistana, a Usina Elevatória da Traição, inaugurada em 1940, foi privatizada nesta semana. A concessão foi ganha pelo consórcio Usina São Paulo por R$ 280 milhões, com ágio de 1.900%. A Usina da Traição, conforme o nível de água do rio Pinheiros, reverte seu curso, para evitar enchentes, e o joga na represa Billings. A concessão faz parte do projeto de despoluição do rio e criação de espaços de lazer na região.

9 pensou em “É RUIM, MAS PODERIA SER PIOR

  1. “Paulo Guedes não gosta de mim”, disse Rodrigo Maia em entrevista ao SBT. Maia reclamou do tratamento recebido do Ministro da Economia.

    Sr. Carlos o parágrafo acima está em uma coluna aqui no JBF e mostra que o Rodrigo Botafogo Maia parece um gato gago, só sabe fazer mi mi mi. O Guedes não é um político e não sabe lidar com crianças mimadas, portanto pensa que não tem que dar “guloseimas” ao glutão da câmara, para obter recompensas.

    https://luizberto.com/chega-faz-pena-3/#respond

    Maia está desesperado, pois logo logo irá para o lugar de onde nunca deveria ter saído: o baixo clero da câmara, depois para a não reeleição, o ostracismo e enfim, quem sabe a cadeia. Guedes continua onde está.

    A popularidade do Bolsonaro não é apenas devido ao auxílio emergencial. Tal auxílio vem desde abril e em junho, segundo as pesquisas ele estava no pior momento da sua aprovação.

    O que a população esta vendo é que ele: está entregando obras, estava certo quanto a eficiência da hidroxicloroquina como tratamento precoce da covid, que a quarentena geral e lock down não serviram para nada, que não há corrupção no governo, que o caso do Queirós não grudou nele, pois continua sendo uma pessoa simples e que JB é um cara que não tem uma cara na frente da imprensa e outra em casa, como vários políticos.

    Portanto (eu não queria falar isso, porém é irresistível) é melhor Jair se acostumando com mais um mandato.

    • OK, Mãe Dinah! Pode ser: basta ter mais votos que os adversários, Sana Khan. Mas fazer previsão com tanta antecedência, Walter Mercado, é meio arriscada. Marconi Perillo estava eleito senador por
      Goiás e quem levou foi o Kajuru. Boa torcida, Pai Walter!

      • Sr. Carlos, não é a “Mãe Dinah” aqui que está prevendo a reeleição do Bolsonaro.

        Sábado dia 05, FHC disse ao Estadão que se arrependeu de ter criado a reeleição. Agora? mais de 20 anos depois em que ele, Lula e a Dilma se elegeram e reelegeram? Porque só agora ele demonstra este arrependimento? Teria a ver com a possibilidade real da reeleição do Bolsonaro?

        Ah a mãe Dinah, se fosse viva teria um pule de 10 nas mãos.

  2. Mãe Dinah acertou, meses antes, que Erundina se elegeria prefeita de São Paulo. Na época, Erundina estava em quarto lugar nas pesquisas. Mas previu que a Seleção brasileira perderia em 1994 (foi campeã mundial), que Sarney teria quatro anos de mandato (foram cinco), que Ayrton Senna teria um ano excelente (morreu num acidente na pista). Eleição e mineração, caro vidente, só depois da apuração.

      • FHC está antevendo a reeleição de JMB.

        Porque razão agora ele é contra o instituto da reeleição, que já o beneficiou, assim como Lula e Dilma?

        Aqui vai a pergunta que v. não respondeu, pois fica neste nhem nhem nhem (lembra?) de mão Dinah.

        Só agora, FHC?

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