CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Arthur Saraiva Lins dos Santos, saudoso pai e grande galhofeiro

MULEQUE TUTU – Meu pai – Arthur Saraiva Lins dos Santos – tinha o espírito galhofeiro. Não perdia oportunidade para fazer uma “vítima”, adequando novo nome àquelas pessoas que tinham algo “diferente”, tanto no físico quanto no procedimento. Gostava de apelidar, contar piadas e declamar poesias engraçadas.

Na foto do meu velho – que por gentileza do Editor estamos publicando – veja-se uma referência às boas lembranças, nesta homenagem à sua imaculada memória.

APELIDOS NOMEADOS – Suas “nomeações” tinham a força do batismo. E quando o infeliz não gostava aí a nova identidade pegava mesmo. Nunca revelou, porém, que quando criança, tomara o apelido de “Moleque Tutu”, por ser o único moreno da família.

DOUTOR KAGALHOSTOF – Sempre que me via estudando compenetrado, galhofava: “Estude pra ser doutor!”. Dizia e completava: “E será tão famoso que terá seu nome ampliado para: Dr. “Kagalhostof de Bostoleflax”.

CAGALHÃO DE BOSTA – Mal sabia eu, aos oito anos, que a tradução do apelido era uma desgraceira: “Cagalhão de Bosta”.

CU DE PATO – Colega de trabalho, Caixa Pagador do Banco, muito gordo, era meio desarrumado. Trabalhando em pé, sempre estava enfiando os dedos nas partes glúteas, para ajeitar-se. Certa feita indagado sobre porquê se incomodava tanto em ajeitar o fiofó, já meio arretado, disse que tinha uma espécie de “Cu de Pato”. Ele mesmo acabou se apelidando para sempre.

AGULHA DE CROCHÉ – Selênio, magro, muito alto e ágil nas críticas, dizia que gostava de dar alfineitadas aqueles que se metiam em certas enrascadas. Era contumaz em ácidas críticas sobre tudo que ouvia comentar. Terminou conhecido como: Agulha de Croché”.

MEU LINDO – Personagem queridíssimo, certa feita ofereceu um chopp aos amigos, em seu terraço. Sua esposa, muito gentil, atendia a todos com a maior alegria. E referindo-se ao marido, a quem chamava, na intimidade, de “Meu Lindo”, assim se referiu várias vezes. O apelido pegou.

MARIDO DA GIRAFA – Quando a esposa de Anastácio chegou ao balcão foi apresentada a alguns colegas de trabalho, com certo orgulho. Italiana alta, vistosa, aquela estaca de mulher. Sendo muito mais alta do que ele, o pobre coitado, afinal, pegou o inofensivo apelido de “Marido da Girafa”.

INSPETOR SOLHEMETE – Inspetor de Banco já não é boa coisa e existiam, no meu tempo, uns terríveis. Assim era Marcílio Simonette. Sua fama era chegar e com dois meses de trabalho nas agências o Gerente “voava”. Evaldo Oliveira, muito ladino, resolveu batizá-lo como: “Inspetor Só Lhe Mete”.

ADOLFODIAS – Logo na posse, ganhou o apelido formado pelo próprio nome: Adolfo Moreira Dias, através do qual era assim referido e saudado. Achava graça.

ANTICONCEPCIONAL – Quando na década de 60 se instalou no BB o sistema de Caixa-executivo, era um exaustivo trabalho, pois fazia parte da atividade permanecer em pé. As esposas segredavam entre si que seus maridos estavam postergando “aquela obrigação conjugal” e o modelo passou a ser conhecido como: ”Anticoncepcional”, dado à exaustão deles. Os funcionários do setor chegavam em casa e não conseguiam “trepar” nem nas camas. Dormiam nos sofás mesmo.

BARATA DESCASCADA – Cidadão que havia sido acometido de vitiligo, aquela doença que deixa o corpo todo pintado de manchas brancas, tornou-se conhecido, na intimidade, como “Barata Descascada”.

MANEQUIM DE FUNERÁRIA – O colunista fubânico Mardonio Pessoa, nos lembra a alcunha de certo colega dos seus tempos na Mesbla, que andou desfilando de paletó e gravata. Dado ao biótipo físico – magro, alvo e pálido – não deu outra, naturalizou-se: “Manequim de Funerária”.

BODE RESPIRATÓRIO – Gregório era Porteiro e havia rigor com os horários. Depois do expediente, um “ilustre desconhecido” forçou a entrada dizendo que era autoridade. Foi impedido. Da rua, telefonou para o Gerente, que autorizou o ingresso. Momentos depois, recebeu cordial orientação, mas retrucou, dizendo que sempre era tratado como um “Bode Respiratório”. O apelido colou.

BOMBO FROUXO – Pela conformação abdominal, que o obrigava a andar meio desengonçado, recebeu a alcunha de “Bombo Frouxo”.

BOSTA DE URUBU – Um camarada que não parava nos setores, porque sempre amanhecia o dia mascando alho, a fim de tirar o mau hálito provocado pela “Pitucilina”. Ninguém queria estar por perto dele pra não sentir seu “bafo de onça.”

BARÃO DE CHOCOLATE – Mauro Mota publicou “Barão de Chocolate & Cia.”, trabalho mostrando a importância dos apelidos na vida das famílias, das empresas e das cidades, com base no Anuário Pernambucano, de Júlio Pires Ferreira, em 1903.

2 pensou em “DR. KAGALHOSTOF DE BOSTOLEFLAX

  1. Belas recordações, caro Carlos Eduardo Santos.

    Quantos apelidos engraçados, engraçadíssomos, não fazem parte do nosso vocabulário riquíssimo de fuleiragens. É por isso que o gênio da fuleiragem, Falcão, diz que a “Besteira é a Base da Sabedoria.”

    Forte abraço, amigo! E obrigado pelos apelidos engraçados.

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