JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

Félix Bezerra de Araújo Galvão, o Dr. Felu em sua intimidade, era homem de princípios e conceitos caros, de pensamentos e gestos nobres, além de possuir firmeza única em suas convicções.

Nasceu no Sítio Pendanga, município de Acary, aos dezoito dias de maio de 1884 e faleceu em Natal no dia 22 de outubro de 1984.

Entre uma data e outra viveu de forma austera e dando orgulho ao povo que lhe viu crescer.

Concluiu o curso primário em sua cidade Natal no ano de 1900 pelas mãos do Professor Tomás Sebastião.

Para fazer o secundário foi residir na capital potiguar, onde estudou no Atheneu.

Se formou em 1911 na Faculdade de Direito Afonso Celso, no Rio de Janeiro.

Voltou às suas origens para ser Promotor de Justiça começando por Acary e, depois, por várias outras cidades do interior potiguar.

Dr. Felu também exerceu o cargo de Juiz de Direito em algumas comarcas do estado, inclusive na capital, havendo sido promovido a Desembargador em 1944.

Em 1952 foi eleito presidente da mais alta corte de Justiça do estado.

Certa vez viajava da capital para o seu interior quando resolveu parar no meio do caminho para fazer a barba.

Entrou na barbearia, deu bom dia aos presentes, anunciou o serviço que queria e sentou-se na cadeira.

O barbeiro cobriu seu rosto com um pano aquecido, demourou-se um pouco mais afiando a navalha, preparou a espuma e finalmente começou a espalhá-la no rosto do cliente.

De olhos fechados Dr. Felu ia sentindo o pincel deslizar em sua pele.

O barbeiro segurou seu rosto com uma das mãos e iniciou o trabalho com a navalha, puxando em movimentos lentos de baixo para cima no pescoço do homem sentado.

De repente lhe falou:

– O doutor é Promotor de Justiça e se chama Félix Bezerra. Né isso?

Dr. Felu assentiu com um “sim” pelo canto da boca, sem abrir os olhos.

O barbeiro continuou puxando a navalha enquanto falava meio pausado.

– O doutor não deve ter me reconhecido – disse abaixando um pouco a voz. – Mas, eu sou aquele réu que o doutor condenou a doze anos de prisão…

Parou de puxar a navalha ao lado da aorta de Dr. Felu. No entanto não pode continuar sua fala. Foi interrompido pela voz firme do cliente, abrindo os olhos e encarando-o:

– Eu fiz a minha obrigação no que era preciso ser feito. Agora faça a sua. Termine a minha barba.

Quatro horas depois Dr. Felu chegava em sua cidade Natal, esmeradamente barbeado, onde contou a história.

Foto cedida gentilmente pelo Historiador Cícero Araújo

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