DOIS SONETOS

SONETO DAS MÃOS

Quando na minha a tua mão aperto,
enlouquecem-me todos os sentidos.
Na esquerda mão pendente o peito aberto
vejo-te então de anseios e gemidos.

Duas flores de pétalas esguias
aromando o vergel de teus cabelos.
Pentagramas iriais de meios-dias
luminescendo anelos e desvelos.

Langues lírios de lúcidos desmaios…
Fanam-se as minhas de seus longes maios,
no delicioso inferno de querê-las.

Mãos que sorriem sobrevoando escolhos…
No céu vertiginoso de teus olhos
as tuas mãos cintilam como estrelas!

* * *

SONETO DOS PÉS

Sói-se dizer dos pés das bem-amadas
que são pequenos, alvos e mimosos.
Ah! quantos, quantos versos mentirosos
tornam pés de pavões em pés de fadas!

Tu, grandes não nos tens, nem tão pequenos
(ouço o rumor festivo de teus passos)
que cansem de trazer-te até meus braços;
marfíneos também não, que são morenos.

Se mal os pinto no último quarteto,
é tão-somente, doce amiga, —juro!—
porque de todo inda os não vi descalços…

Não, não calques aos pés o mau soneto!
O sentimento que o ditou é puro,
por mais que os versos te pareçam falsos.

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