A PALAVRA DO EDITOR

Logo depois que a covid apareceu na vida diária de São Paulo, junto com a do Brasil e do mundo, o governo perdeu o controle sobre as escolas e o ensino público. Quem realmente manda na área, desde então, não são os barões do governo estadual que aparecem de máscara preta nas entrevistas coletivas para a imprensa – eles falam, mas hoje quem realmente governa as escolas paulistas é o sindicato dos professores, com a cumplicidade de médicos oficiais, burocratas variados e, agora, juízes de direito.

O resultado dessa aberração é que o governo do Estado, um dos campeões nacionais do “distanciamento social” e da “ciência, ciência, ciência”, teve de recorrer ao Tribunal de Justiça para devolver às crianças de São Paulo o direito parcial – apenas parcial – de voltar a ter aulas. Esqueça a reabertura das escolas: tudo que a Secretaria de Educação estava pedindo é que voltassem a funcionar 35% das salas, e só a partir do dia 8 de fevereiro. Nada feito. Uma juíza, atendendo ao sindicato de professores paulista, proibiu que as autoridades estaduais alterassem em um milímetro a paralisia atual. Não daria para reabrir pelo menos um terço das escolas? Não, decidiu a juíza. Não dá. Foi preciso que o TJ anulasse a sua decisão.

A principal causa do sindicato, hoje, é manter as escolas fechadas – uma bandeira realmente extraordinária para pessoas que são pagas pela população para exercer o trabalho de educadores. Tão deformada quanto a “luta dos professores” é a decisão de uma juíza que deveria ser a esperança de proteção do poder público para as crianças, grosseiramente agredidas no seu direito a aprender – mas que, em vez disso, se alia aos agressores e mostra um talento especial em atirar nos feridos que não podem se defender.

A juíza atendeu ao sindicato em nome, como disse, do “direito à vida” – repetindo uma bobagem genérica que qualquer “influenciador” de YouTube diz hoje em dia, uma justificativa sem valor jurídico, nenhum traço de vida inteligente e um mínimo de senso de responsabilidade. “Não é possível que as escolas fiquem fechadas e a colônia de férias dos professores continue aberta”, disse o secretário de Educação do governo paulista ao anunciar seu recurso ao TJ. Mas é aí, justamente, que está o verdadeiro centro da questão: o “distanciamento social” se transformou numa anomalia que dá conforto a alguns grupos, todos da elite, em detrimento do interesse da imensa maioria.

Os professores estão ganhando salário integral, há quase um ano, sem ter de sair de casa. Os juízes, nesse tempo todo, despacham sem ir ao fórum. Os médicos, altos funcionários e “conselheiros” de todo tipo que vem a público diariamente para anunciar que a situação está horrível e para dizer “fique em casa” também estão com a vida ganha. Mas em nenhum momento se lembram de um fato indiscutível, nem se importam com ele – para garantir as comodidades de sua vida no mundo online, do home office e do delivery, é indispensável que milhões de pessoas não façam “distanciamento social” algum, e trabalhem o tempo todo no atendimento de suas necessidades.

Os professores mantêm as escolas fechadas, os juízes dão sentenças em casa, os executivos e similares fazem home office e rodam nas ciclovias, mas é preciso, todos os dias, que 8 milhões de trabalhadores se amontoem nos ônibus e no sistema de metrô e trens urbanos – não é possível promover “aglomeração” maior do que essa – para manter em funcionamento o delivery, os hospitais, a farmácia, o supermercado, os serviços de água corrente, luz elétrica e gás para a cozinha e o banho quente, o conserto do elevador que quebrou e mais um milhão de coisas.

Ninguém, aí, tem “direito à vida”.

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  1. Isso que o sindicato dos professores está fazendo tem método, obedece a uma diretriz das esquerdas.

    Não importa quantas vidas serão prejudicadas pela falta de aulas nas escolas. Daqui a alguns anos, provavelmente a nota do Brasil no exame do PISA poderá estacionar (piorar é impossível) nas últimas posições em que os governos do PT deixou.

    Daí vão dizer: Tá vendo?? Culpa Dele.

  2. Este funesto sindicato de professores SP só inviabilizam a educação e conduzem os alunos à níveis baixos de conhecimento. É só verificar o ranking da educação paulista no cenário nacional. Os professores e professoras de São Paulo deveriam ter vergonha de seus atos.

  3. Depois que representantes de organismos internacionais e nacionais (a Associação Brasileira de Pediatria, por exemplo) afirmaram que o risco de uma criança contrair Covid na escola é insignificante, a decisão de voltar ou não às aulas (principalmente nas séries iniciais) deixou de ser uma questão de saúde e tornou-se uma questão política! As escolas particulares investiram maciçamente em protocolos de saúde, equipamentos, treinamento, etc. Isto custa dinheiro e dá muito, mas muito trabalho mesmo! Prefeitos e governadores não querem gastar e o pessoal da educação não quer ter essa trabalheira. Sob a alegação principal de que as crianças não possuíam internet e não tinham como acessá-la, a maioria das escolas simplesmente nada fez! E querem repetir essa vergonha em 2021!

    • os argumentos deles , agora , depois dessas evidências , é que os professores e os demais funcionários são do grupo de risco e que teriam que usar o transporte público e que não foram vacinados .Quando forem vacinados , com a primeira dose , argumentarão que precisam tomar a segunda . Tomando a segunda argumentarão que precisam mais 40 dias pra que a vacina crie anticorpos e aí já foi mais um ano sem trabalho e com o bolso cheio – graças ao STF que determinou que salário de servidor público não pode ser reduzido e nem deixar de ser pago , mesmo que não tenha dinheiro para isso – .

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