CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

O dinheiro público é a mola que impulsiona o bem-estar social. Quando bem aplicado, constrói estradas, facilita a vida da população, escoa a produção, incentiva o turismo, enfim, move a economia. Bem administrada, a grana em poder do Estado oferece ouros bons serviços. Educação de qualidade, saúde de primeira, saneamento para evitar alagamentos nas ruas, além de manter um serviço de segurança capaz de tranquilizar a população.

Mas, infelizmente, a cultura do país, desde o tempo do Brasil colonial, é contaminada por atos de corrupção. O intuito das autoridades da época era roubar as riquezas brasileiras. Então, sem alternativas, a população de então sentia-se obrigada a fazer donativos e pagar pesados tributos aos colonizadores.
A coisa era tão feia que Rui Barbosa, no início do Brasil República, por volta de 1914, denunciava a traquinagem, berrava contra a esperteza, a injustiça e a desonestidade tão arraigada no Brasil de outrora.

O danado é que a mania pegou. Viciou muitos homens públicos. O tempo passou, o país se modificou, no entanto, o vício do roubo nunca mais acabou.. Permanece ativo. Esfacelando o patrimônio nacional através do superfaturamento, desvio de verbas, desvio de função, abuso de autoridade e tráfico de influência. Por isso, os projetos sociais de envergadura demoram anos para serem concluídos.

A culpa é do Estado que, passivo, aceita a roubalheira. Não dissolve as irregularidades. Não toma atitude em tem hábil, e quando resolve reagir, a turma do contra logo se manifesta, tentando neutralizar as ações punitivas.

Nem os inúmeros órgãos criados para estruturar a deficiência existente, revigorar a legislação vigente, fiscalizar a aplicação do dinheiro público nas obras, impedem a catastrófica ladroagem. Observe que tem muitos órgãos com a missão de impedir as sacanagens políticas. Todavia, ficam na deles, sem tomar iniciativas. No Rio de Janeiro, a comilança do dinheiro público invade o serviço público. A Lava Jato, combatida, é a comprovação do desmonte das decisões do Judiciário.

Um dos males da corrupção é o encarecimento dos projetos. A elevação do preço através das licitações. A malandragem dos homens públicos que não valorizam o dinheiro público, geralmente escasso para as necessidades do país carente, cega os órgãos fiscalizadores dos recursos arrecadados, desrespeita o cidadão, fere a Constituição de 1988.

As autoridades, geralmente, aproveitam a facilidade dos estados durante a fase de calamidade pública para relaxar a necessária inspeção sobre a aplicação dos recursos financeiros. Apesar de Lei federal, deste ano, determinar que os contratos emergenciais devem ser identificados nas áreas específicas dos governos.

A população deve se conscientizar de que também tem papel preponderante na aplicação dos recursos públicos. A vigilância deve ser ativa nos portais de transparência, a desconfiança sobre irregularidades deve ser constante, embora o modelo tributário nacional seja realmente complexo e pouco transparente.

O cidadão deve se interessar por gestão fiscal. Ser participativo nas questões que envolvam a geração, a aplicação e a fiscalização dos recursos públicos. Compreender o motivo sobre o pagamento de tributos. Entender a importância de recolher os impostos para manter as atividades do Estado em plena ordem.

Afinal, é a tributação que financia o Estado na realização de obras. Como não negocia, o Estado cobra taxas, contribuições e impostos do cidadão e de empresas para ter caixa, pagar as despesas obrigatórias, disponibilizar serviços públicos essenciais à população e girar a economia.

Embora o homem público tenha a mania de desrespeitar, mas o dinheiro do Estado é útil e merecedor de respeito. Portanto, deve ser gerido com moralidade. Os gastos públicos devem ser controlados para evitar exageros, descontrole das contas públicas e, sobretudo agressão à moral, ética, caráter e honestidade dos gestores.

Desrespeitar as Leis é a coisa mais normal nos poderes brasileiros, federal, estadual e municipal. Salvo raras exceções, os gestores costumam superfaturar obras, usar a máquina pública em proveito próprio e de grupos políticos apadrinhados, sustentar cabides de empregos, interagir com negociatas para sustentar esquemas.

Por conta de péssimas administrações, o Brasil sofre com mazelas. É o país das filas, o idoso é desconsiderado pelo Estado, ao contrário do Japão, onde a velhice á tratada com respeito, atenção e dignidade.

A diferença entre o Japão e o Brasil é que no país nipônico, a cultura da transparência e da prestação de contas pelo poder público são levadas a sério. Enquanto houver mais Estado e menos participação da sociedade nos interesses nacionais, o dinheiro público é sugado. Jamais respeitado.

Lamentavelmente, o brasileiro ainda não atinou para a importância da educação fiscal. Instrumento que permite ao cidadão compreender o limite de seus direitos e deveres fiscais. Entender a funcionalidade social dos tributos, a fim de acompanhar de perto a maneira como os recursos públicos são investidos.

Deixe uma resposta