A PALAVRA DO EDITOR

A nova falácia da extrema-direita…

Ah, mas antes de cuidar dessa falácia é preciso explicar aos adeptos de Jair Messias Bolsonaro que eles, ao escolherem filiar-se ao seu pensamento, não continuam sendo direitistas, como creem.

Direitista é, por exemplo, o seguidor de Eduardo Paes e de Rodrigo Maia; direitista é o apaixonado pelo João Amoêdo; direitista é aquele que pensa como Geraldo Alckmin – para ficar em apenas algumas referências de políticos conservadores, direitistas, por assim dizer.

Entretanto, ocorreu uma tempestade cerebral nos direitistas, os conservadores se assanharam com a coincidência de certos valores defendidos pelo então candidato Jair Messias Bolsonaro e lhe compraram o pacote inteiro.

Aí foi que lascou-se: o pacote inteiro inclui tudo que faz parte do conteúdo, das ideias, dos interesses, da filosofia e das práticas da extrema-direita.

Hoje, quem era direita e tornou-se bolsonarista, aderiu automaticamente à burrice, caracterizada por desprezo pelos direitos conquistados pelos trabalhadores, preconceitos generalizados contra índios, quilombolas, negros, mulheres e homossexuais, nacionalismo e ufanismo exacerbados, uso da religiosidade na política, adoção de políticas econômicas de interesse exclusivo do grande capital, negação da defesa do meio-ambiente, formação de bloco com países extremamente conservadores e distanciamento dos demais, retorno aos costumes moralmente retrógrados e ultrapassados, discurso aguerrido contra as ideias vanguardistas, divisionismo ideológico, falsa difusão de ameaça comunista e tantos disparates que torna-se difícil reuni-los e comentá-los em uma breve exposição.

De braços dados com a extrema direita caminha o fascismo, propondo eliminação sumária de bandidos (bandido bom é bandido morto), condenando a defesa dos direitos humanos (direitos humanos é só para pessoas boas), defendendo a liberação de armas para o povo (incutindo ideias de uso de armas até mesmo em crianças), sugerindo a proscrição da oposição (de metralhadora de brinquedo na mão para metralhar os petistas), e neste ponto, em lugar de continuarmos nessa linha, convém falar alguma coisa sobre fascismo:

Historicamente, os regimes fascistas valorizam de forma intensa o sentimento de nacionalismo. Assim, é comum que os governos fascistas utilizem, de modo exacerbadd, propagandas nacionalistas através de lemas, símbolos, músicas e bandeiras.

Em nome no nacionalismo, os governos fascistas utilizaram todas as formas possíveis de manipulação da população, através da mídia, da religião e da violência.

No fascismo, todas as classes, de todas as áreas, deveriam estar sempre em harmonia com os ideais do governo. Essa harmonia se estende aos meios de comunicação, sob pena de serem acusados de infidelidade para com os interesses do povo.

Os regimes fascistas apresentavam ênfase no militarismo, propagavam discursos de terror para causar um sentimento de insegurança e paranoia na população (como temos hoje o medo de uma pretensa ameaça do comunismo, para manter o povo unido na luta por essa “causa comum”).

Não custa repetir a ocorrência do desprezo pelos direitos humanos nos regimes fascistas, desprezo esse fortemente expressado e atuado contra intelectuais e artistas.

Aqui, hoje e agora, observamos a repetição de outras atitudes históricas do fascismo no tocante ao controle da imprensa e no uso da religião como forma de manipulação da opinião pública.

Esse é o quadro articulado, histórico, cujas características vemos repetir-se diariamente na figura do atual presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, de modo que fica difícil aderir a ele e ser por ele cooptado sem vestir a carapuça totalitária mascarada de patriotismo, moralismo, nacionalismo, castidade, religiosidade e… democracia.

Então, voltando ao início…

– … Mas… de que é que falávamos mesmo? Ah, sim, a falácia da nova direita.

Fica para depois.

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