J.R. GUZZO

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Não é a toda hora que se encontra uma história de superação no fracasso como a que está sendo oferecida ao público em geral pelo ex-governador João Doria. Histórias de superação, em geral, são relatos edificantes. Mostram como alguém, saindo de condições terrivelmente adversas, consegue superar uma a uma todas as suas dificuldades, para ao fim chegar à vitória.

Com Doria aconteceu exatamente o contrário. Saindo de condições terrivelmente favoráveis, foi destruindo uma por uma todas as suas facilidades, para ao fim chegar à derrota. Há menos de quatro anos era o homem que “tinha tudo” na política brasileira; seu futuro lhe reservava, no mínimo, a presidência da República. Hoje é três vezes nada.

É realmente um fenômeno. Doria lançou-se a uma corrida de 5 mil metros e conseguiu chegar antes do ponto de partida – ou seja, correu para trás. Não é mais o futuro presidente do Brasil, cargo semi-obrigatório para quem cresce na política do maior estado do país. Não é sequer candidato à Presidência na próxima eleição – conseguiu ser transformado em picadinho pelos seus companheiros de PSDB. Não é mais, nem mesmo, o governador de São Paulo. Ou seja: acabou com menos do que tinha quando começou.

Doria é um desses casos que podem acabar servindo como objeto de estudo em cursos de ciência política, num workshop sobre como lidar com decisões – e errar em cada uma delas. Ao ser eleito governador, ele era o “Bolsodoria” – o presidente Bolsonaro em São Paulo, seu aliado fundamental, representante e possível sucessor como presidente.

Resolveu, pouco depois de tomar posse, que seria mais lucrativo transformar-se no exato contrário: o inimigo número 1 de Bolsonaro em São Paulo. Morreu aí, mais que por qualquer outro motivo – perdeu o cartaz junto aos bolsonaristas, não conseguiu nem o mais miserável apoio na esquerda que faz oposição e acabou sem coisa nenhuma. Doria, antes do seu grande projeto, era detestado pelo PT, os jornalistas e a esquerda em geral. Agora é detestado por todos.

Sua atuação durante a Covid foi um suicídio político em praça pública. Doria, e suas equipes publicitárias, acharam que ele ganhava milhões de votos a cada vez que aparecia em entrevistas coletivas, com máscara preta última moda, dizendo que era preciso “fechar tudo”, “salvar vidas” e deixar para “depois” a necessidade de produzir e trabalhar. O CPF é mais importante que o CNPJ, ensinava a todos – certo de ter descoberto aí a tirada mais genial da história política universal. “Fique em casa”, dizia, e achava que estava fazendo um sucesso fenomenal.

Mas a população queria exatamente o contrário do que o então governador estava pregando, e rapidamente se viu a realidade. Doria perdia mais e mais votos a cada vez que aparecia em seus “eventos de mídia”; ao fim da fase mais aguda da Covid, não existia mais como opção séria na política brasileira.

Nem a vacina ajudou. Doria imaginou que a população paulista e brasileira ia lhe dar, de imediato, a medalha de herói por trazer, antes de qualquer outro, a vacina anticovid para o Brasil. Não rolou, desde o começo. Parte das pessoas, cientes de que eram elas mesmas, e mais ninguém, que estavam pagando a conta, não pensaram sequer em dizer um “muito obrigado”. Outros acharam que a história toda era simplesmente ridícula – apenas riam, de Doria e da “vachina”. O que mais se viu, ao fim, foi uma opaca indiferença.

No resto do tempo, Doria foi visto fazendo dancinhas, perguntando “quem aqui já foi a Dubai” (numa de suas palestras), dando bom dia a manequins de loja e sabotando o governo federal em tudo o que podia; num momento extremo, foi visto festejando o sucesso da cantora Anitta em seu último pornovídeo.

Obra, que é bom, nem uma bica d’água – ou nada que a população pudesse, realmente, considerar uma obra. Iria arrasar, em 2022, abrindo os bilhões de reais que o Tesouro de São Paulo tem nos seus cofres; já se chegou ao mês de junho e não aconteceu nada até agora. Deu tudo terrivelmente errado.

4 pensou em “DEU TUDO TERRIVELMENTE ERRADO PARA DORIA

  1. Fudeu Doryana, você não passa de um viado enrustido querendo passar de homem, tomou no toba e se lascou com covid e tudo. Parabéns babaca, você é a antíntese de um canditado.

  2. Guzzo tem razão, mais do que xingá-lo é preciso entender este fenômeno político inverso que passou por SP em 6 anos, quando foi do céu ao ostracismo.

    Eleito no 1º turno na capital SP em 2016 com apoio do Alckmin, foi o João trabalhador. Às 7 da manhã já estava nos lugares diversos da cidade, pintava muros, varria calçadas, conversava com “mendigos” sempre fantasiado de alguma coisa. Disse que iria privatizar todas as praças. Em menos de 2 anos abandonou tudo para concorrer já em 2018 ao governo do Estado de SP (já queria a PR, mas ainda não deu).

    A sua popularidade já não andava boa, mas ele era PSDB, do outro lado tinha a esquerda, com o França. Passou o 1º turno raspando e para não perder, passou a atacar o PT e Lulla (que estava na cadeia) se associando a Bolsonaro, que não quis nem chegar perto dele.

    O que Guzzo colocou foi verdade. no dia 01/01/2019 já se declarou candidato à PR, Junto do Witzel (lembram dele?) e tornou JB o seu alvo nº 1..

    A população de SP não aceita traidores. Ele, Frota, a Pepa, Kim, o Moro, vão sentir o que é serem esquecidos. Maluf traiu SP, mas ainda teve muitos malufistas que o mantiveram como deputado por algum tempo. Dória nem isso vai ter. Não se elege mais.

    Acho que Dória terá problemas em sua vida empresarial também. Ele prometeu algo aos chineses e não entregou. Não queria estar na pele dele.

  3. Mesmo sendo um especialista em Marketing, o calça apertada esqueceu tudo que aprendeu e foi com muita sede ao pote e se lambuzou todo. E tem mais quem tudo quer tudo perde. Pra mim, a carreira politica do calça apertada nem bem começou e já terminou, para alegria dos brasileiros. Menos um para ajudar destruir o Brasil mais do que já estamos destruídos.

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