J.R. GUZZO

A nova lei dos precatórios, que basicamente permite ao Estado pagar em 2022 menos do que deveria por suas dívidas já vencidas na Justiça, é um desses monumentos à chatice que só o Congresso Nacional consegue colocar de pé. É, também, o típico assunto de jornalista. Tem de ser tratado nas primeiras páginas e no horário nobre, porque é questão carimbada como “importante”, e no fundo é importante mesmo – mas a verdade é que nem as mães dos jornalistas, as maiores fãs de tudo o que eles escrevem ou dizem, têm animo para conversar sobre isso com os filhos.

Chato ou não, porém, é tema (ou “pauta”, como se diz hoje) em relação ao qual o público tem direito de ser bem informado. E o fato é que o público foi, em geral, mal e porcamente informado sobre essa história toda, do começo ao fim. É um caso bem simples. Ao longo de toda a evolução do projeto dos precatórios, os leitores, ouvintes e telespectadores receberam uma notícia-chave, dentro da colossal maçaroca de “conteúdo” que lhe foi jogada em cima pela mídia a respeito do assunto: essa PEC iria encontrar dificuldades imensas para ser aprovada. Provavelmente não seria.

Se passasse pela Câmara, não passaria nunca pelo Senado. Enfim: não vai ter PEC, como não iria ter golpe. O problema, aí, é que aconteceu exatamente o contrário. A lei dos precatórios foi aprovada pela Câmara, sem problema algum. E no Senado, onde não passaria nunca, foi aprovada por 61 votos a 10. Não foi, como se vê, por dois ou três votos de diferença – foi uma surra de 6 a 0.

Até cinco minutos antes da votação, estavam dizendo ao público que a PEC corria os piores riscos. Feita a votação, dá 61 a 10. Ou seja: a PEC jamais correu risco nenhum na vida real, e quem pensou que corria não estava sabendo de nada. (No seu inquérito sobre “fake news”, o ministro Alexandre Moraes até que poderia, quem sabe, decretar que isso é delito de “desinformação”. Já imaginaram?).

Deixe-se de lado, aqui, os méritos e deméritos relativos da lei dos precatórios, que com certeza dão base para formidáveis embates no terreno da teoria econômica e da boa gestão das contas públicas. O fato central, no mundo das realidades imediatas, é que a nova lei faz sobrar mais de US$ 100 bilhões no orçamento federal do ano que vem – e que esse dinheiro permite ao governo, tranquilo, pagar seu ambicioso programa de doações de 400 reais por mês à população no ano eleitoral de 2022.

Quer dizer: o que havia, mesmo, era torcida para que os abonos sociais ficassem sem recursos. Isso não é boa informação.

10 pensou em “DESINFORMAÇÃO

  1. “lei dos precatórios, que com certeza dão base para formidáveis embates no terreno da teoria econômica e da boa gestão das contas públicas”

    É impressionante esse cidadão escrever tanta besteira em tão pouco espaço. O maior problema dessa PEC Infame, não é econômico, é juridico, moral, ético, perda de crdibilidade, insegurança que gera nos possíveis financiadores e investidores do progresso que tanto faz falta para o cidadão. O problema econômico é secundario. As contas públicas estão sendo ajeitadas para parecerem que estão cumprindo o orçamento. E nova dívida que está sendo criada para acomodar o programa compra-votos e as emendas parlamentares sem transparência????? É um governo cretino que deixar de cumprir a lei para usar os recursos como bem entender. É um governo incompetente que não tem informação, ou não se informa, sobre o andamento dos processos. A combinação de incompetência, cretinice e roubalheira dos Três Poderes da República é que garantem que nunca teremos nem Ordem nem Progresso.

    “nem as mães dos jornalistas, as maiores fãs de tudo o que eles escrevem ou dizem, têm animo para conversar sobre isso com os filhos” A mãe ou filhos desse imprestável devem ter vergonha da desinformação que esse cidadão impõe aos leitores.

    • ” Deixe-se de lado, aqui, os méritos e deméritos relativos da lei dos precatórios, que com certeza dão base para formidáveis embates no terreno da teoria econômica e da boa gestão das contas públicas. O fato central, no mundo das realidades imediatas, é que a nova lei faz sobrar mais de US$ 100 bilhões no orçamento federal do ano que vem – e que esse dinheiro permite ao governo, tranquilo, pagar seu ambicioso programa de doações de 400 reais por mês à população no ano eleitoral de 2022.”

      Esqueceu de ler está parte ou virou um míope seletivo ?
      Sugestão . Assine a Revista Oeste e debata com ele as suas ideias .

      • U$ 100 bi a mais no ano que vem? Eita que Biroliro já está eleito então. Dá mais de 550 bi de reais. É quase o tanto que o PT roubou do BNDES

        • Não sei se tem um texto do Guzzo publicado no JBF, onde ele fala das reformas e construção de novos edifícios para a justiça brasileira. O valor é o dobro disso e não aparece nenhuma Rede ou PT ou PSOL pra contestar.

        • Para vocês que estão felizes porque esse Governo terá mais dinheiro para comprar votos, eu deixo duas perguntas:

          1 – Os precatórios serão rolados em parte, a diferença deverá ser paga um dia. Deus sabe quando. E essa divída onde fica, quem paga? Não será pago hoje como manda a Justiça porque o Governo precisa do dinheiro para comprar votos no Congresso e na eleição. Um dinheiro inútil, Bolsonaro não será reeleito e nunca irá se livrar do risco do impeachment. Só não ocorreu porque o vice é inoperante politicamente.

          2 – O Brasil não tem poupança nem pública nem privada, para promover o crescimento, gerar empregos. Com essa insegurança juridica, a que preço o País irá atrair capital? As seguidas desobediências as decisões juduciais, pelo Executivo e Legislativo, tem um custo não aparente muito maior do que a divída pelo calote nos precatórios.

          Reeleição acima de tudo, dinheiro acima de todos.

          Vocês que fazem parte dessa massa….. vão pagar também.

          • Qual é o seu comentário sobre as reformas e construção de novos palácios para a justiça que consumirão o dobro do valor que sobrará dessa PEC?
            Qual é o seu comentário sobre o fundão partidário?

            • Caro Airton, temos nossas diferenças no campo das ideias, porém estas sempre foram colocadas na forma de argumentos.

              Com C. Eduardo é diferente, pois o mesmo não tem coerência nos argumentos, fruto de um ódio irracional que nutre pelos conservadores. Ele diz:

              “Bolsonaro não será reeleito e nunca irá se livrar do risco do impeachment”

              Ora, se Bolsonaro não será reeleito, não teria com o que se preocupar.

              O problema é que até a Time teve que reconhecer que o cara não é fraco

    • Só volto para te perguntar : você entendeu qual é o mote do texto?
      Eu acho que não , como também não entendera o do texto hoje publicado .
      Sugestão . Envie um texto ao JBF explanando as suas convicções sobre os precatórios , só que depois não reclame quando alguém lhe responder da mesma forma que fez ao texto do Guzzo .

  2. C. Eduardo ataca o veterano e conceituado jornalista J. R. Guzzo colocando a provavelmente falecida mãe do mesmo no debate que deveria ser apenas de ideias.

    Isso diz muito do caráter do debatedor. Sua doença (ódio aos conservadores) está em estado crítico.

    Oro para que Deus tenha misericórdia do C. Eduardo e que sua mãe, esteja onde estiver, não tenha que pagar pelas loucuras do filho.

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