CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

O maior defeito do Estado é não saber gerar riquezas. Então, para cobrir a deficiência, cabe aos governos efetuar gastos. Mas, sem desperdiçar, lógico.

Como o capital sempre foi um fator de produção, gastando os recursos disponíveis, os gestores movem a economia. Geram empregos, aumentam a renda, estimulam o consumo, energizam a produção, acionam o giro econômico, promovem o crescimento da economia de um país.

O que tem prejudicado o país é a visão populista contemporânea. Ideologia política vidrada na demagogia, cujo fundamento é impressionar o povo. Fabricar e perpetuar lideranças interessadas em se perpetuar no poder como salvadores da pátria. Sem eliminar os male sociais.

A missão desses “defensores” da razão é motivar e atrair os incautos que se deixam levar pelos discursos bonitos para esconder a realidade. Evitar cobranças rígidas pela falta de ações, culpando outros fatores externos para encobrir a desídia governamental.

Todavia, o maior erro dos governos populistas é se meter em delitos, atos de corrupção, acobertados pelas mazelas sociais cultivadas pela ignorância popular e pela esperteza de gananciosos homens públicos, cujo propósito é se aproveitar das oportunas ocasiões.

Desde 2014, o estado brasileiro dança na chapa quente. As contas públicas não batem. Ficam avermelhadas. Os estados e municípios vivem atolados em déficits primários. Apesar de tirar os gastos dos juros da dívida pública, as despesas públicas agigantam-se. Crescem mais do que as receitas. Conduzem a contas públicas a navegar em marés de decadência. Numa clara demonstração de que os impostos recolhidos, embora pesados e beirando na faixa de 33% do PIB, não dão pros gastos.

Entre 2011 e 2016, a dívida bruta brasileira cresceu abruptamente. Saltou para 76,5% do PIB, justamente no período do final de 2013 até 2018.

Quando se fala em dívida bruta, entenda-se o montante dos débitos dos governos, federal, estaduais e municipais adquiridos com o setor privado, bancos e o mundo em geral.

Então, espremido contra a parede, com a falta de poupança privada, é lógico que faltam recursos para o setor público investir em infraestrutura capaz de gerar renda e emprego.

Não tem mistério, a mola que impulsiona o progresso são os recursos financiados pela poupança real. Quando faltam, atropelam a produção de bens de consumo e de serviços. Expandem o desemprego, comprometem o bem-estar das pessoas, encurtam a vida, engrossam os tormentos pessoais em virtude dos problemas físicos e emocionais do cidadão se expandirem.

O Brasil passou três décadas amargando dissabores. De 1982 a 2008, o país comeu chumbo grosso para se livrar da crise da dívida. Foi a época da dureza, dos baixos investimentos públicos, da carência de recursos para combater a pobreza, suportar a inflação persistente.

A dureza financeira impedia o país até de dar o tiro certeiro na criminosa hiperinflação. Por causa da miserabilidade, o Brasil teve de presenciar a progressão das desigualdades sociais, da moratória dos juros externos e dos calotes internos.

Daí a existência dos juros altos cobrados pelos bancos, a dificuldade para financiar o capital de giro das empresas, especialmente das pequenas e médias empresas.

Intrinsicamente, o país amargou os males do populismo que jura ter deixado bons resultados, quando na verdade, apenas confundiu alhos com bugalhos.

Tá na cara, o dinheiro funciona apenas como meio de troca. Enquanto o nível de produção de bens de consumo se mantiver crescente, via autofinanciamento, as anormalidades se afastam, e com a infraestrutura em expansão, as brechas sugadoras das riquezas se fecham automaticamente, fortalecendo as poupanças.

Nesta conjuntura, está claro que os verdadeiros geradores de riquezas são os poupadores, jamais os governos que funcionam apenas como intermediários na construção de infraestruturas. Caso demonstrem incompetência na distribuição dos recursos obtidos dos reais poupadores, os gestores se tornam na verdade provocadores de desequilíbrios. Maus exemplos, existem tem em todo canto. 

Este é o cenário que se tem observado na economia brasileira. Estados e municípios vivem com o caixa zerado e, sobretudo, endividados. O que causa justamente o descontrole financeiro é o desconhecimento administrativo e a vaidade política dos gestores sem a mínima condição de gerência com os recursos fornecidos pelos poupadores reais.

Era praxe no Brasil até recentemente. Os governos protegeram mercados e indústrias nacionais deficientes. A decisão visava dificultar a livre concorrência, fechar portas para a importação, rejeitar a entrada de inovações, contribuir para a economia permanecer atrasada em relação ao mundo, concentrado unicamente no avanço tecnológico, graças evidentemente à aplicação de conhecimentos voltados para a inovação.

Por uns tempos, o Brasil foi jogado no esquema da depredação por desconhecer a importância da concorrência, azucrinar o cidadão com burocracias, ignorar o valor do empreendedorismo, impor barreiras para a importação, distribuir subsídios para as empresas de amigos, cobrar pesados tributos, fechar os olhos para as novidades no mundo, tolher a liberdade de criação.

Foi da década de 90 em diante que o Brasil começou a se descontrolar financeiramente. Estados e municípios viram o dinheiro público sumir gradativamente. Então, para socorrer os endividados, aliviar a barra, a União socorreu os chorões, temendo a insolvência geral.

Mas, sem planejamento no curto prazo, o socorro federal derrapou. Levou estados e municípios a berrar novamente por outra ajuda financeira. Uma das causas que esvaziou o caixa dos gestores foi o aumento dos gastos obrigatórios com pessoal, educação e saúde, sobretudo, depois que perderam as chaves dos repasses das verbas da União para os estados e município dos três mecanismos repassadores oficiais de verbas. Fundeb, FPE e FPM. 

A esperança para mais de 70% dos brasileiros é a reforma tributária. A maioria da população joga todas as fichas para apagar a insegurança que rola no país.

A nova legislação tributária seja, de fato, capaz de regularizar um seríssimo obstáculo que dificulta a captação de investimentos. Tanto interno, quanto externamente.

Tomara as novas regras não venha atrapalhar a competição de mercado, possa facilitar a compreensão sobre os tributos pagos, reduzir a burocracia e, pincipalmente abrir brechas para estimular o desenvolvimento da economia brasileira. Tão atrapalhada por falta de estímulos.     

2 pensou em “DESEQUILÍBRIOS FISCAIS

  1. Prezado Carlos Ivan,

    Essa conversa de “Reforma Tributária” é mais um engodo. Não vai adiantar de porra nenhuma!

    Estão só decidindo no cu de quem vão atolar mais alguns centímetros de jabiraca pois, até agora, não vi um filho da puta desses dizendo que vão abrir mão de alguma parte da roubalheira.

    Em lugar dessa reforma de merda que estão anunciando, tinha mais era que auditar a voracidade monstruosa dos gastos dos marajás do serviço público e demitir cerca de 90% desse bando de lombrigas parasitas de nosso suado dinheirinho.

  2. Caro Adonis Oliveira se não fizerem reformas, o país que está lascado, vai se lascar mais ainda, e o Judiciário, meio político, vai se encher de mais processos, enquanto o povo desiludido e decepcionado com os Poderes, não tem mais a quem pedir socorro. Aí, se fode mais.

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