CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Brasil e França tem amizade antiga. O início da troca de interesses entre os dois países é secular. Pelo menos, apontam os registros que, em 16 de fevereiro de 1816, D. João VI, informou ao governo francês, através de seu representante, José Maria de Brito, a alteração do Estado do Brasil à categoria de reino.

A resposta pelo reconhecimento do ato brasileiro chegou depois de treze dias, em 29 de fevereiro, assinada pelo Duque de Richelieu, Ministro dos Negócios Estrangeiros.

A partir dessa data, os interesses mútuos começaram a rolar. Logo no mês seguinte, março, desembarcou no Brasil uma equipe de grandes artistas franceses. Compunham a Missão Artística Francesa nomes famosos como os pintores, Jean-Baptiste Debret e Nicolas Taunay, o escultor Auguste-Marie Taunay, o arquiteto Grandjean de Montigny. Dias depois, chegou o naturalista Auguste de Saint-Hilaire para se integrar à equipe francesa.

Em 1825, o Conde de Gestas, Encarregado de Negócios da França, começou as negociações para um Tratado de Amizade e Comércio, assinado no Rio de Janeiro, como forma de reconhecimento pela independência do Brasil.

No começo de 1960, Brasil França trocaram insultos. Barcos franceses foram flagrados pescando lagosta na costa pernambucana. Impedida pela Marinha brasileira, a França desobedeceu, dando início a um entrevero diplomático, cujo final se deu em função do reconhecimento da Convenção de Genebra, de 1958.

Na Convenção, ficou determinado que os recursos minerais, biológicos, animais ou vegetais da plataforma continental eram propriedade do país costeiro. No caso, do Brasil.

Em 2005, Brasil e a França assinaram diversos acordos de cooperação militar, extensivos a tecnologias avançadas. Convém lembrar que a Guiana Francesa faz fronteira com o Amapá, estado brasileiro.

Aliás, o capital francês investe forte no Brasil. Em 2010, aplicou 3 bilhões de euros no país. Ensejou a abertura de 500 empresas em várias áreas, militar, espacial, energética, econômica e educativa, com exceção da construção civil. Em compensação, o Brasil representa florescente mercado latino-americano para os franceses. O Brasil importa aviões, peças automotivas e insumos químicos e farmacêuticos. Para a França, o Brasil exporta produtos agroalimentares, minerais e artigos da indústria aeronáutica.

Em termos da área de defesa, a França é um estratégico parceiro. Coopera na fabricação de helicópteros e submarinos, mediante a transferência de tecnologia.

Por causa da promessa francesa de fazer doação para combater os incêndios na Amazônia, Emmanuel Macron, presidente da França, pediu intercessão da cúpula do G7 para debater o caso das queimadas. Como prova, apresentou uma foto antiga, de 2003, garantindo revelar a situação atual dos fogos na Amazônia, comprovando desobediência ao Acordo de Paris que defende o reflorestamento da região, como forma de evitar mudanças climática

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro não gostou da atitude de Macron e revidou a ofensa. No mesmo tom. Rude. Agora, tocam farpas. Permutam insultos, cruzam críticas. Parecem dois meninos buchudos em jogo de bola de gude. Querendo aplicar o golpe no adversário.

No Brasil, empresários agropecuários, ambientalistas e cientistas manifestaram-se contra a decisão brasileira a respeito do tema desmatamento e preservação florestal. Evidente que, em alguns casos, há interesses pessoais e de negócios.

Como o imbróglio obteve repercussão internacional, o Brasil precisa bota o pé no chão, analisar friamente a questão para não atrapalhar o ingresso do pais, como membro da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Afinal, a União Europeia é tão grande parceiro comercial do Brasil, quanto a China.

Impossível esquecer que a Amazônia é uma das meninas dos olhos do mundo. Defendê-la com unhas e dentes, dita a regra da soberania nacional. Mas, fechar a região para o mundo, sem racionalizar, cria piolhos. Causa coceiras. Provoca estresse emocional. Fecha portas.

Afinal, os presidentes passam, o país segue o seu destino no compasso do ritmo, determinado pela sociedade dos dois fortes países.

Daí ser imprescindível Brasil e França resolver suas alfinetadas na base da diplomacia. Sem afetar as suas lindas e secular relações de amizade. Muito bem construídas ao longo do tempo.

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A violência no Brasil descontrolou-se. Saiu dos limites. Indefeso, o brasileiro, participa de uma guerra civil contra adversário desconhecido. Sabe apenas que o assaltante quer roubar ou matar, se possível. Embora desprevenida, a vítima luta para evitar o pior. Nestas horas, contar com a segurança policial é impossível. Por causa da ineficiência do Estado.

A segurança pública brasileira tá de mal a pior. O bandido manda, a sociedade obedece Por causa dos desentendimentos dos órgãos coordenadores da violência no país. Falando em idiomas diferentes, as autoridades ignoram a necessidade de criar um sistema nacional de dados operacional relacionado aos crimes, aos criminosos e, especialmente sobre a circulação de armas.

A decisão do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, conhecedor do tema da criminalidade, defende preparar militares para abater criminosos armados com fuzil, por representar perigo para a sociedade, foi criticado. As críticas condenaram, inclusive a morte de William Augusto da Silva, 20 anos, recentemente, na ponte Rio-Niterói. O sequestrador, abatido por um snipers, atirador de elite do Bope fluminense, fez 36 passageiros de reféns, às 5h30 do dia 20/08/19, uma terça-feira. Foram três horas e meia de aflição e desespero dentro de um busão, paralisando o trânsito nos dois sentidos da ponte. As ameaças de tocar fogo no ônibus, só fez aumentar a tensão entre bandido, reféns, polícia e pessoas prejudicadas no direito de ir e vir. Livremente.

Diversas causas estimulam a violência derivada de desvios sociais. Tirania, opressão, constrangimento, abuso da força, vícios e especialmente necessidades. A violência do Brasil é puro banditismo, fruto do acelerado urbanismo, crescimento desordenado da cidade, o crescente desejo de consumo, o desemprego, leis fraquíssimas e, sobretudo dificuldades financeiras.

O bandido sabe que, desorganizado, o Brasil mantem a taxa de elucidação de crimes lá embaixo. A conclusão das investigações policiais demora um tempão. A lentidão transmite a sensação de impunidade. A desconfiança sobre a modernização dos órgãos policiais, que se ressentem de tecnologia, aquece a ação dos criminosos que se julgam donos do pedaço.

A maioria dos presos é constituída de jovens, com predominância da cor preta. Daí a conclusão de que as causas da alta criminalidade estar relacionadas à baixa escolaridade, evasão escolar, reduzido índice de investimento público na educação e, principalmente o acentuado grau de desigualdades sociais.

A cada dia aumenta a descrença da população sobre os efeitos da prisão na mente do criminoso. O impacto que o xadrez provoca no presidiário. Se atenua o grau de perversidade ou aumenta a raiva que o detendo tem da sociedade. Por isso, alguém defende a ideia da prisão ser destinada ao somente aos praticantes de crimes violentos. Com agravantes. Penas maiores e nada de progressão de regime. Se a condenação for de 30 anos, serão trinta anos de cadeia direto. Sem regalias. Mas aos autores de delitos menores, furtos e tráfico de drogas, crimes brandos, as penas deveriam ser alternativas. A prestação de serviços comunitários tá na medida. Defende a ala dos menos rigorosos conhecedores da Lei.

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