CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

O chororô do brasileiro quanto ao desemprego faz dó. Atormenta ver a população mais humilde peregrinar diariamente pelas ruas das metrópoles à procura de vaga de trabalho e levar aquele tradicional fora. “Tem vaga não, moço”. Diz o homem da loja. “Vá procurar trabalho em outro canto”.

O IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística) é taxativo. A taxa de desemprego no Brasil é horrível. A estrutura é desigual. Tem região com menor quantidade de pessoas desempregadas e outras com enorme contingente de gente sem emprego fixo. Fazendo bico para sobreviver.

O Nordeste, então, é a região mais afetada. Parece mentira, mas os dados provam a discrepância com relação ao Sul do país. Enquanto a região Sul oferece mais vagas, no Nordeste, as oportunidades escasseiam, o desemprego é altíssimo e a renda superbaixa.

A cada trimestre, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), órgão do IBGE, cai em campo, visita 211 mil domicílios brasileiros com o intuito de coletar dados relacionados a dois quesitos básicos. Trabalho e renda.

Na pesquisa realizada em 2012, foi constatado o seguinte levantamento. O desemprego avançou. Todavia, a desocupação acontecia de maneira diferente. Os patamares eram completamente desiguais.

Enquanto no Sul do país, a taxa de desemprego marcava índice abaixo de 10%, no Nordeste a taxa constrangia. Beirava os 15%. A disparidade era gritante.

No fator renda, a desigualdade também era desproporcional. Se lá no Sudeste, Centro-Oeste e Sul a renda era maior, embora quase idênticas, no Norte e Nordeste, o salário era insignificante e a diferença nas regiões era fácil de perceber.

Por outro lado, em virtude da falta de vagas, o trabalho por conta própria é um item que vem crescendo nacionalmente. Em todas as regiões. Ainda bem, senão a miséria seria de cortar coração.

No terceiro trimestre de 2012, a quantidade de trabalhadores por conta própria, aqueles sem carteira assinada, pessoas classificadas como microempresários e motoristas de aplicativos, registrava um número gigantesco de 20 milhões de pessoas.

Neste grupo, são incluídos normalmente os desocupados, os que procuram emprego, mais não acham, os subocupados, aqueles que trabalham menos horas por dia, além dos que formam a força de trabalho potencial. Os desiludidos que, apesar de procurar trabalho, perdem a esperança de ocupar uma vaga sequer um dia. Por mais humilde que seja.

Felizmente, a taxa de desemprego voltou a cair. No trimestre encerrado em setembro de 2019, o desemprego marcou 11,8%. Por esses números, a quantidade de pessoas sem trabalho fixo ficou em 12,5 milhões, segundo o IBGE.

O fator interessante são as empresas reclamarem a falta de mão de obra qualificada no mercado. A escassez de pessoal especializado, compromete o desenvolvimento econômico do país. Enquanto a fila de desqualificados cresce absurdamente.

Muitas vezes, a culpa é da cultura e do comodismo. Confiante na comprovada experiência, o funcionário demonstra desinteresse em querer subir na profissão. Todavia, desconhece que a modernização tanto ajuda o empregado quanto a empresa. Setores mais prejudicados com a escassez de mão de obra especializada. O agronegócio e a construção civil.

Por outro lado, o setor de Recursos Humanos também não gosta muito de investir na capacitação do empregado, alegando desperdício de investimento. Contudo, não percebe que a falha na destreza pode atrapalhar o crescimento da produção, colaborar no aumento dos custos, provocar redução de lucros, além de contribuir para a perda de eficiência e de competitividade.

Depois que a pandemia se instalou, a situação pirou barbaridade. De fato, o Covid-19 botou pra quebrar. Colocou o mundo de cabeça pra baixo. Como não tem vacina e goza de alto índice de contaminação, pinta miséria. Todos os setores registram pontos negativos.

Algumas fábricas pararam. Outras, tiveram de reduzir as atividades, na tentativa de conter o avanço do vírus. Agora, terão de adotar novas medidas de segurança, visando impedir a contaminação do vírus no próprio ambiente de trabalho.

Portanto, com a retomada das atividades produtivas, algumas providências são necessárias para evitar o contágio pelo vírus e novo surto da doença. A higienização é fundamental, a limpeza de máquinas e equipamentos individuais.

Antes do novo coronavirus, o mercado de trabalho brasileiro já registrava péssimas condições. Fechou 2019 com 16,2 milhões de desempregados, 6,7 milhões de pessoas com subocupação e jogou 38,4 milhões de trabalhadores para a informalidade, sem carteira assinada.

Todavia, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com sede em Genebra, a situação no mundo se agravou. A estatística mundial estima que 25 milhões de pessoas devem perder o emprego. Caso as previsões para 2020 se confirmem, a pobreza vai crescer, em função da perda de renda do trabalhador, calculada em US$ 3, 2 trilhões.

No Brasil, o quadro para o futuro também é desalentador. Com a retração do PIB, avaliada em 3,4%, provavelmente 14 milhões de trabalhadores passarão a engordar o quadro de miséria. Piorando as necessidades. Obrigando essa pobre gente a comer o pão que o diabo amassou. Mais uma vez.

2 pensou em “DESCENDO A LADEIRA

  1. Enquanto isso, eu defendo armar a população, conforme aprovado em Referendo popular, pra gente descobrir quem são os Genocidas que defendem o vírus chinês e deram sumiço nas verbas dos hospitais de campanha.

  2. Caro Gostodepao, realmente o seu comentário deixa um recado no ar. A palavra “Genocidas” e “sumiço nas verbas dos hospitais de campanha” despertam atenção. Merecem reflexão.. Indicam que ainda tem coisa feia rolando na parada. .

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