ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Há momentos na vida que a gente precisa parar e começar a refletir sobre a vida, as descobertas que a maturidade traz, os valores que a experiência incrusta no nosso couro e as lições aprendidas com as burradas, cagadas e presepadas que a vida juvenil e a força física nos leva a fazer.

Na semana passada, quando eu pensei que partiria desta para outra jornada da vida, no leito de um hospital, em uma unidade semi-intesiva parei para refletir sobre os aprendizados trazidos quando a gente passa dos cinquenta anos e percebe que, nessa altura da vida, temos mais passado que futuro. E, ao refletir sobre isso, aprendi algumas lições advindas depois dos cinquenta.

Aprendi, depois dos cinquentas anos, que a gente nunca deve confiar num peido. Por mais sincero, incontido e voluptuoso que se apresente, sempre há o risco dele vir em uma dobradinha, fazendo tabela, igual a Pelé e Garrincha na Copa de 1962 – se é que eles jogaram juntos, mas a alegoria é só para demonstrar que, mesmo sendo craque nisso, sempre há a possibilidade de tomar gol igual ao Ibis Futebol Clube.

Aprendi, depois dos cinquenta, que para ficarmos tontos, não precisamos mais beber. Basta levantarmos rápido da cama para ver o mundo girar à nossa volta e percebermos que o solo fica bem ali, a um palmo de nossa cara. Até certo ponto isso facilita, pois protegemos nosso fígado da C2H5OH (essa é a fórmula do etanol, o álcool presente em qualquer bebida, destilada, ou fermentada).

Aprendi que, por mais que alguém diga, segure-se em mim para você não cair, existe mais mentira sincera do que uma verdade inconteste. Na primeira vacilada que você dá, os dois vão para o chão de maneira fragorosa. O que mais dói não é cair e levar seu amigo junto. O que dói é que isso só ocorre quando se está diante de uma plateia, ou de uma criança pentelha que cai na gargalhada diante do seu tombo.

Aprendi depois dos cinquenta que, uma ereção, por menor que ela seja, é mais gratificante do que ganhar na rifa da igreja, ou mesmo ganhar um presente supimpa em festa de amigo secreto. O chato dessa ereção é que, quase nunca ela ocorre quando se está em boa companhia. Aliás, ela teima em ocorrer quando se está na fila de banco, ou socado dentro de um busão em quês estão umas noventa pessoas por metro quadrado. Daquele tipo de busão que leva quarenta sentados e trezentos e noventa em pé.

Aprendi que, depois dos cinquenta, é necessário refletir e se concentram antes de dar um espirro. É temerário ao cinquentenário espirrar sem parar ara pensar. Geralmente, quando isso ocorre, acontecem três coisas ao mesmo tempo: você fica tonto, se peida e se caga. Tudo isso acompanhado de um único espirro sem reflexão. A coisa fica mais humilhante quando se está na cidade fazendo algo, ou no local de serviço. Só este ano pedi licença à chefia, para ir para casa, umas três vezes, tudo por causa de um espirro sem reflexão.

Aprendi, depois dos cinquenta, a não mais dormir sem uma lâmpada ligada. Mesmo conhecendo a casa “até no escuro”, sempre há aquela quina de móvel onde o dedo mindinho do pé teima em ancorar, fazendo com que ele fique em um ângulo de noventa graus em relação aos demais dedos e a gente começa até a falar javanês em plena madrugada.

Aprendi, e de forma humilhante, que a alimentação precisa ser mais pastosa, ou macia. Pode-se comer de quase tudo, desde que seja mais macia, sob o risco da perereca, ou o da cremilda sair voando salão afora enquanto você não sabe se sai correndo, ou se enfia debaixo da mesa. Com frutas vale o mesmo. É preciso escolher as mais tenras e macias como mamão, uva, melão, manga. Esquece maçã, pera, coco. É pedir para passar vergonha.

Aprendi que, caso você esteja deitado e o bucho der uma reclamada, com a subida de um arrepio pelo espinhaço, corra o mais rápido possível para o banheiro. Se você ficar deitado achando que é só um rebate falso, vai se dar mal. Ajuntar o levantar rápido, correr até o banheiro, ligar a lâmpada, arriar as calças, com certeza, não dará tempo. E o trabalho e a humilhação serão maiores. Ainda há o agravante de você escorregar na merda feita, cair e outros terem que te ajudarem.

Aprendi que, se depois dos cinquenta anos, se você não tiver uma barriga, algo de muito estranho estará ocorrendo com você. Ora, meu amigo, depois dos cinquenta anos nenhuma mulher, sendo você solteiro, vai olhar para seu físico, ou seus músculos. Mas sim para o tipo de relógio que você usa, o ano do carro que você dirige, o CEP de seu endereço, o tipo de emprego que você tem, e por aí vai. Natural. Todo ser busca não somente companhia, mas também segurança de todos os tipos, para poder se relacionar com alguém mais velho.

Aprendi também que, depois dos cinquenta anos os amigos raream, ficam cada vez mais escassos. E não é por desinteresse não. Uns a gota, o reumatismo, a artrite, a bexiga, a incontinência tomam todo o tempo. Outros te procuram. Mas, fica parecendo aquele encontro de farmacêuticos. Cada um explicando a bula de um determinado remédio que toma. Outro fica se “gambando” de que toma mais remédio que os demais, e uns não falam com medo do ataque de angina.

Aprendi ainda, depois dos cinquenta que o riso deve ser comedido. Acabou-se o tempo daquelas gargalhadas sonoras e gostosas que entupiam qualquer ambiente. Para rir agora, é preciso refletir, medir e dosar o decibel da gargalhada. No barato, uma gargalhada não refletida pode provocar o rompimento de um vaso no olho e você ficar com ele todo vermelho. Em uma situação mais descontrolada pode te causar um derrame. Uma única gargalhada!

Aprendi, depois dos cinquenta que vamos ficando cada vez mais crocantes, igual àquela bolachinha de água e sal. É uma danças de cracks, crecks e crocks que vão do pescoço até o osso do dedinho do pé. Ficamos parecidos com pastel recém saído da fritura… crocantes e quebradiços. Isso sem contar que por dentro estamos cheios de “vento”.

Por fim, aprendi que, depois dos cinquenta, as amizades verdadeiras se consolidam e se tornam mais duras que o granito. Aprendi isso com a confraria do Cabaré do Berto e com os colunistas amigos do Jornal da Besta Fubana, além de poucos, mas sinceros amigos de longa data. Acima de tudo, aprendi que, se eu ficar dando bola para coisas mínimas, como as que escrevi acima, já estarei morto, ainda que conversando e respirando como qualquer outro ser humano. Obrigado a todos os amigos que em um momento difícil da minha vida foram esteios morais, alegria e fortaleza a este caeté velho que inaugurou os seus cinquenta anos de vida.

7 pensou em “DEPOIS DOS 50

  1. Caro Roque,

    O grande sinal de que a velhice chegou é só falar de doença.

    Meu velho pai está com 94 anos e não toca neste assunto. Toma uma porrada de comprimidos todos os dias, só Deus e ele mesmo sabem para que servem. Todos com recomendação e acompanhamento médico, é claro! Toma escondido e não comenta com ninguém.

    Está lépido e fagueiro! Dirige, trabalha todos os dias fazendo declarações de Imposto de Renda para os amigos no computador (é um especialista no assunto) e casou recentemente pela 4a vez, com uma senhora mais nova que eu. (é um otimista, como se pode ver…)

    Eu estou com 65 e vou exatamente pelo mesmo caminho. Não tenho doença nenhuma. Quer dizer…Quase nenhuma. As que tenho, não dou a mínima. Continuo tocando a vida da maneira que gosto e vou morrer assim.

    Experimenta pegar mais leve e vê que resultado dá. Se tiver morrer…é ´porque tinha de ser.

  2. Caeté velho, que inaugurou os seus cinquentinha,

    Aí vai Sancho, aos 58: Dizem que a Bíblia, antes de tudo, é um manual de conduta e boas maneiras para os cristãos. Pois creio que o texto roqueano acima nos dá a bíblia fubânica, levando-se em conta que 99,9% dos fubânicos já passaram há algum tempo dos cinquentinha…

    No quesito sexo, minha especialidade (sou melhor phoddendo do que dirigindo caminhão), um remédio infalível para ereção plena é mulher nova, pois o tesão masculino começa quando olha a fêmea humana.

    É preciso escolher as mais tenras e macias como mamão, uva, melão, manga. Esquece maçã, pera, coco. COCO? Aí tu sacaneia Sancho. Sabendo que o JBF possui leitor até em outros planetas, sua propaganda negativa do material que comercializo é um tiro fatal em meu bolso.

    DEFENDO-ME ELENCANDO OS BENEFÍCIOS – Benefícios do coco

    1. Fonte da gordura do bem (existe ódio do bem e gordura do bem…kkkkkkk)
    A gordura do coco é composta por ácidos graxos, Importantíssimos à saúde. Ajuda a proteger o coração e tem ação anti-inflamatória. Além disso, auxilia a manter o peso corporal.

    2. Rico em fibras
    São elas que regulam o funcionamento do intestino, melhoram a flora bacteriana e reduzem a absorção de gorduras e açúcares. A polpa do coco é riquíssima nesse nutriente.

    3. Dá saciedade
    Por conta da presença de gorduras e de fibras, o coco dá maior sensação de saciedade e por mais tempo. O bom é que isso ajuda a controlar a quantidade de alimentos que comemos pra não extrapola; lascas de coco e o leite de coco se tornam lanchinhos incríveis para aquelas horas em que a fome aperta.

    4. Contém antioxidantes
    Os antioxidantes, responsáveis por combater os radicais livres, que por sua vez são substâncias resultantes do nosso próprio metabolismo. O problema é que em grande quantidade os radicais livres oxidam as células, gerando o envelhecimento precoce e outros problemas de saúde. Os flavonoides presentes do coco são grandes aliados na manutenção de um organismo mais saudável.

    5. Auxilia na saúde bucal
    O óleo de coco é um potente bactericida, por isso pode ser usado na higiene bucal pra prevenir cáries, placas bacterianas e gengivites. Depois de escovar os dentes, basta bochechar um pouco do óleo por alguns minutos e jogá-lo fora. Lembre-se de nunca engolir esse óleo.

    6. Melhora o sistema imunológico
    Você fica resfriado constantemente? Saiba que isso pode ser a sua imunidade que está baixa. O coco ajuda, pois contém substâncias que combatem vírus, fungos e bactérias, além de ser um ótimo anti-inflamatório. Tudo isso ajuda a defesa do seu organismo a enfrentar os problemas.

    7. Melhora o desempenho sexual, conforme pode comprovar o histórico camístico e bordelístico de Luiz Carlos Sancho de Panza, este que vos fala.

  3. É meu amigo Roque, dia 19/09 completei 65, comecei a cortar cana aos 14, e por incrível que pareça, ainda trabalho na mesma Indústria açucareira na área administrativa. Mas tenha fé no Criador pois temos muitas vezes que atravessar desertos para nos fortalecermos, isso é com vc, comigo, nossos amigos dessa gazeta, mas te digo, mantenha sua mente jovem que o resto nosso Deus lhe compensará. Abraços!

  4. Roque, 50 é charme. Meia idade, seja lá onde está a outra metade. Nós precisamos tomar chá de células tronco. Aí, voltaremos a usar fraldas porque seremos tal e qual Benjamin Button. Mas, concordo contigo: falar nisso é como uma encomenda antecipada do caixão. Interessante é que um amigo meu essa semana estava falando desses relacionamentos que buscam segurança. Dizia ele que as mulheres mais novas pensam em se divertir e olham muito o CEP, a profissão, etc. enquanto aquelas que estão na mesma faixa etária, acima de 50, querem um relacionamento mais sério. A queixa dele é que essas se divertiram quando jovens e agora não topam mais. Enfim, belo texto e a gente se enche de alegria ao lhe ver de volta, depois do teste da goma.

  5. Meu caro Roque,

    Tenho 67 anos, bem vividos. Quando vc rapazola, ( 1980) eu já vendia adubo MANAH aí por estas bandas da Cidade Morena .
    Garimpei diamante no Buraco da Mundica, entre Poxoréu e D.Aqiuno, no MatoGrossão, plantei e fiscalizei o plantio seringueira em Sinop, na Vera, em Santa Carmem e derredores.

    Tirei leite , criei suínos em Trindade, GO.
    Até 7 anos atrás, ttrabalhei em cima de um trator grande, ( de lâmina), gradeando e plantando capim na Mãe Preta ( Tocantins ) e cuidei de um rebanho de novilhas na primeira cria, curando umbigo de bezerro no pasto, serviço que segundo um amigo separa os homens dos meninos .
    Tomei una decisão, pois aprendi que temos limites. Faço mais estas duas coisas não.
    Aqui na Garça Branca, Sertão de Irecê, BA, meu serviço é ligar e desligar dois conjuntos fotovoltaicos irrigando mamona.
    Tem dois pedaços de terra pronta para área. O trator tá quietinho ali no canto, até eu encontrar um bom Tratotistas.
    Mas ficar sem fazer nada, também enferruja.
    Inventei de tempos para cá de produzir mel de Apis, ( mel Sertanejo).
    E vou tocando a vida. Mais ” de leve”.

  6. Caríssimo Roque Nunes:

    Você é um sujeito iluminado pela beleza que escreve. E só conquista amigos, sobretudo aqui no JBF, por causa disso. Seu talento é divino, com características próprias quando escreve.

    Sou fã seu, embora não possa expressar isso em todos os seus artigos pois meus trabalho estafante me tolhe disso.

    Mas fica aqui meu sincero registro: sou fã do que o nobre colunista escreve aqui.

    Fraternais saudações.

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