DELICIOSA TORTURA

Na formatura do meu filho Raul, há exatos quinze dias, anunciaram que o Hino Nacional seria cantado.

Meu caçula ao lado olhou para mim e soltou:

– Painho, ‘cê sabe cantar, né?

Eu respondi quase me amostrando, já com a voz levantada e peito estufado:

– Claro! Nos meus tempos de estudante éramos “obrigados a cantar”, sob a supervisão da General Almira, todas as quintas-feiras, na entrada do Grupo Escolar.

Alguns outros jovens presentes no evento me olharam meio desconfiados. Não sei se surpresos por eu falar com tanta convicção saber cantar algo tão comprido, ou por não fazerem a mínima ideia de quem fosse a General Dona Almira do Grupo Escolar.

E começou a execução.

Cantei do começo ao fim, sem erros. Inclusive fazendo direitinho a distinção de “em teu peito” e “no teu peito”; conhecimento exigido por Dona Terezinha Dantas, eterna professora de História. Mas, aí, já no Ginásio, sob o olhar atento da Diretora Hilda Frassinete.

Pois é, poucos sabem dessa diferença colocada lá propositadamente por Joaquim Osório Duque Estrada na belíssima poesia que é a letra, antes de Francisco Manoel da Silva jogá-la para os compassos da música.

Terminado o hino, meu caçula me deu aquele abraço.

E prometeu aprender para cantar também.

Se cantar o Hino Nacional sob o sol das treze horas no sertão acariense foi tortura para aquela criança que eu era; hoje aqueles momentos são uma deliciosa memória no homem que sou.

10 comentários em “DELICIOSA TORTURA

  1. No meu tempo de ginásio, década de 70, tinha a chamada oral pra cantar o hino lá na frente da professora e de todos na classe. E valia de zero a dez. E era um colégio de padres. Como eu era e continuo sendo um péssimo cantor nunca tirava mais do que a nota 5. Garanto a todos vocês que isso não me causou mal algum. Pelo contrário, hoje consigo cantar o hino nacional até de trás pra frente numa boa.

  2. Década de 70, Colégio Diocesano de Garanhuns-PE, toda sexta-feira: apresentação da Bandeira Nacional; canto do Hino Nacional e aula de Moral e Cívica ministrada pelo Monsenhor Adelmar da Mota Valença. Várias gerações de mulheres e homens decentes foram forjadas desse modo no saudoso Diocesano de Gatanhuns.

  3. Em Santos S.P. antes da revolução , no antigo curso primário ao começar a aula , era posição de sentido, mão no peito e Hino Nacional , diariamente. A idiotice que ocorreu agora foi um ministro (talves) ter pedido para filmar os alunos cantando o Hino. Para que filmar?. Tem gente no governo que parece estar lá para sabotar ou criar celeumas. Tem que trabalhar mais e falar menos. Em boca fechada não entram as moscas esquerdistas.

  4. Gostei muito do seu texto, Jesus de Ritinha. Estudei em escolas do interior e no primário aprendi, o Hino Nacional, Hino da Bandeira, da Independência, achava emocionante, como até hoje acho cantar em louvor a pátria. O bom de tudo isso, é que nunca se falou tanto em Hino Nacional e nunca o Hino foi tão cantado e divulgada.

  5. estudando em escola publica, o grupo escolar da fazenda guatapara , municipio de ribeirao preto , interior do estado de sao paulo , entravamos em formaçao para irmos pra as classes , pes descalços , sem uniformes , porem com a certeza de estarmos t entando nos transformar e transformar o brasilem um pais melhor , ideario que nos era transmitido por nossas professoras [[[quatro ]]] uma para cada serie e sala de aulas , e as sextas a obrigatoriedade de cantarmos o hin nacional , antes de marcharmos para as salas deaula , sob a regencia da maraviçhosa e abenegada professora da quarta seria , a professora LURDINHA , PEQUENA EM TAMANHO MAS UMA GIGANTE , NA MISSAO DE ENSINAR ENA SUA MORAL, , pena que hoje destruiram os predios e om elas a historia de muitos que como euse formaram neste grupo escolar , destruido pela mediocridae que grassou no brasil assim como destruiram tambem a qualidade de nosso ensino com professores com cursos de pedagogia , que na realidade nao passam de militantes politicos mas sem nenhuma capacidade e dom de ensinar ,,,,, os outros paises avançaram , nos regredimos apos o nicio do seculo vinte e hum [[[[[[[ apenas a titulo de informaçao , minha formaçao basica aconteceu ,ha epoca da inauguraçao dda capital brasilia , portanto antes da revolucao de 1964

  6. Excelente! Apenas um pequeno reparo: a música do Hino é muitíssimo anterior à letra. Francisco Manuel da Silva morreu em 1865, enquanto Joaquim Osório Duque-Estrada nasceu em 1870…

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