CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Banco do Brasil, onde trabalharam várias “vítimas” de apelidos. Foto Fritz

Por mais que eu queira não consigo aqui me impor como historiador ou biografista, linhas da literatura que profissionalmente adotei há muitos anos.
Eis que aqui, nesta infame gazeta, sempre recebo gentis comentários; todavia, apenas quando me refiro às “safadezas históricas”. Assim, o jeito é permanecer comentando fatos pitorescos.

APIBA – No BB, já nos anos 50, funcionava a “CIA” – Comissão Interna dos Apelidos”, presidida pelo mais safado dos colegas: João de Deus da Silva Carrapateira, sendo Vice-presidente, Dr. Lourenço da Fonseca Barbosa, ali conhecido como “Apiba”, que era o apelido do apelido “Capiba”.

CARRAPATEIRA – Alguns apelidos, com o tempo, se tornaram as próprias identidades de suas “vítimas”, de tão expressivos que eram. Um deles aquele destinado a João de Deus.

MANÉ PREGUIÇA – Manuel se tornou conhecido após o episódio de um cochilo em serviço, quando trabalhava à noite, ainda no tempo da II Guerra Mundial. Nunca mais foi referido pelo nome de batismo.

Evoluiu, fez Curso de Teologia e ao diplomar-se foi ao Gerente mostrar o “canudo”. Discretamente, aproveitou para insinuar que se divulgasse, diante de seu novo degrau na vida, que os colegas evitassem a zoeira de chama-lo de “Mané Preguiça”, o que ocorria até nas hostes evangelicais.

PASTOR ALEMÃO – Convocado, João Carrapateira, Presidente da “CIA”, compareceu à Gerência, e ouve de Seu Saul Ildefonso de Azevedo, a sugestão de pelo menos criar um novo apelido, que não fosse tão degradante. Sendo Manuel, Presbítero de sua Igreja, logo se espalhou sua nova identidade: “Pastor Alemão”. Foi pior a emenda, como se diz.

DEFUNTO LAVADO – Era um chefe muito educado e cuidadoso. Parecia ter vivido na atual fase de pandemia. Entrava no prédio com uma pasta de couro, contendo xícara, pires, colherinha, guardanapo, saboneteira, sabonete, toalha e álcool; apetrechos para evitar a contaminação.

Sendo chefão, recebia clientes ilustres, mas evitava apertar a mão. Fazia verdadeira ginástica corporal para se esquivar. Quando não conseguia escapar, após o visitante dar as costas, logo se dirigia – inclusive com a pasta – ao wc, para passar álcool nas mãos.

JECA TATU – Aos mais próximos, “Defunto Lavado” deixou escapar que era desportista. Pertencia ao grupo de elite dos atiradores de certo clube dos Aflitos. Nunca podemos imaginar como se comportava pegando em armas, munição e exercitando a modalidade de Tiro aos Pratos, que é dificílima.

Até hoje não se soube como o infeliz apelido de “Defunto Lavado” chegou até as hostes alvi-rubras. Porém, não vingou.

Sabendo-se que era popular o apelido famoso de “Zezé Rato Podre”, velho remador; sendo “Defunto Lavado” muito magro, de fisionomia pálida, houve novo batismo. No Deticapesca, para a turma da pesada, ele virou “Jeca Tatu”.

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  1. Por falar em apelidos lembrei do apelido de um colega meu; MANEQUIM DE FUNERÁRIA. Ele andou desfilando na antiga Mesbla de peletó e gravata. Seu biotipo fisico era magro, branco e pálido. Não deu outra. O apelido pegou mesmo porque ele ficava puto da vida.

    • ALGUMAS NOTAS PARA PUBLICAR NO PRÓXIMO SÁBADO. CONFIRME A AUTORIZAÇÃO:

      BARATA DESCASCADA – Cidadão que havia sido acometido de vitiligo, aquela doença que deixa o corpo todo pintado de manchas brancas, tornou-se conhecido, na intimidade, como “Barata Descascada”.

      MANEQUIM DE FUNERÁRIA – O colunista fubânico Mardonio Pessoa, nos lembra a alcunha de certo colega dos seus tempos na Mesbla, que andou desfilando de paletó e gravata. Dado ao biótipo físico – magro, alvo e pálido – não deu outra, naturalizou-se: “Manequim de Funerária”.

      BODE RESPIRATÓRIO – Gregório era Porteiro e havia rigor com os horários. Depois do expediente, um “ilustre desconhecido” forçou a entrada dizendo que era autoridade. Foi impedido. Da rua, telefonou para o Gerente, que autorizou o ingresso. Momentos depois, recebeu cordial orientação, mas retrucou, dizendo que sempre era tratado como um “Bode Respiratório”. O apelido colou.

  2. Pitoresco mestre DuduSantos (que ousadia, Sancho, apelidar gênios da literatura não cai bem em escrevinhadores como tu). Como dizia Sancho, antes de ser interrompido pela voz número 10, que habita minha cabeça…, em minha Desengano querida, meu irmão desfilava, quando criança, para cima e para baixo carregando livros e gibis debaixo do braço, gerando o apelido de Paulim Gibi. Muito tempo depois, virou apontador do jogo do bicho em Vassouras, terra do Barrosão, e agora é conhecido por aquelas paragens como Paulão do Bicho.
    Aproveito o espaço para mandar um beijão na alma grandiosa do mano véi, Paulo Roberto (nos tratamos carinhosamente por “carinha”. Sancho Carinha, irmão de Paulo Carinha deixa um beijo na alma fubânica de todos vocês.
    Aproveito, ainda, o tempo restante para deixar grande abraço ao simpático, competente e sensato ministro Luis Roberto Barroso, um vassourense fubânico de quatro costados, gente da melhor qualidade.

    • Caro Sanchito, se esse apelido de Dudu Santos pegar tornar-me-ei conhecido até no Puteiro de Zulmira, lá no Pina. O bom é quando nossa crônica desperta lembranças e podemos abrir os dentes em sorrisos largos.
      Aquele abraço e Bom Domingo.

  3. Essa história de apelidos nos traz lembranças engraçados. Me fez lembrar do colega Zé Moreira, que tinha o saudavel hábito de lavar as mãos constantemente. Como ele era oriundo da região de Palmeira dos Indios, ganhou o apelido de Cacique Mão Cagada. Na época, a gente achava um hábito exagerado. Hoje, ele estaria de parabens.

    • Caro Beni, este de Cacique Mão Cagada foi de lascar. Tive um colega de trabalho que tinha os olhos repuchados e a cara de bode. Pelo fato se tornou: Genésio Coreano, todavia, andou divulgando que era chegado a aspirar um pinguelo, pegou nova alcunha: Genésio Cheira Buceta. Grato por seu comentário e receba aquele abração sabatino.

    • SEGUEM ALGUMAS NOTAS QUE ESTAREI PUBLICANDO NO PRÓXIMO SÁBADO. PEÇO AUTORIZAR O APELIDO “CACIQUE MÃO CAGADA”, INTERESSANTÍSSIMO:

      BARATA DESCASCADA – Cidadão que havia sido acometido de vitiligo, aquela doença que deixa o corpo todo pintado de manchas brancas, tornou-se conhecido, na intimidade, como “Barata Descascada”.

      MANEQUIM DE FUNERÁRIA – O colunista fubânico Mardonio Pessoa, nos lembra a alcunha de certo colega dos seus tempos na Mesbla, que andou desfilando de paletó e gravata. Dado ao biótipo físico – magro, alvo e pálido – não deu outra, naturalizou-se: “Manequim de Funerária”.

      BODE RESPIRATÓRIO – Gregório era Porteiro e havia rigor com os horários. Depois do expediente, um “ilustre desconhecido” forçou a entrada dizendo que era autoridade. Foi impedido. Da rua, telefonou para o Gerente, que autorizou o ingresso. Momentos depois, recebeu cordial orientação, mas retrucou, dizendo que sempre era tratado como um “Bode Respiratório”. O apelido colou.

  4. “Era uma vez um homem que vivia uma vida tão incomum, que esta tinha que ser verdade. Só ele podia ver o que ninguém mais podia – a escuridão interior, o verdadeiro monstro contido. E ele é o único que deve detê-lo. Este é o seu chamamento. Este é o seu dever. Esta é a vida de um Grimm.”

    Grande série que retrata mais ou menos a situação de certos apelidos, quando traços humanos são comparados, por algum engraçacinho, a de outras espécias da natureza.

    • NOTAS PARA A CRÔNICA DO PRÓXIMO SÁBADO, EXCLUSIVAS PARA V. MERCÊ:

      MULEQUE TUTU – Meu pai – Arthur Saraiva Lins dos Santos – tinha o espírito galhofeiro. Não perdia oportunidade para fazer uma “vítima”, adequando novo nome àquelas pessoas que tinham algo “diferente”, tanto no físico quanto no procedimento. Gostava de apelidar, contar piadas e declamar poesias engraçadas.

      APELIDOS NOMEADOS – Suas “nomeações” tinham a força do batismo. E quando o infeliz não gostava aí a nova identidade pegava mesmo. Nunca revelou, porém, que quando criança, tomara o apelido de “Moleque Tutu”, por ser o único moreno da família.

      DOUTOR KAGALHOSTOF – Sempre que me via estudando compenetrado, galhofava: “Estude pra ser doutor!”. Dizia e completava: “E será tão famoso que terá seu nome ampliado para: Dr. “Kagalhostof de Bostoleflax”.

  5. Muito Bom! Tempos que não votam mais. Pois é, com o politicamente correto, a vida dos jovens vem perdendo a graça. Eu tive apelidos na escola e na minha turma de amigos de rua. E a gente levava na esportiva. Quando o cara não levava na esportiva era pior.

  6. Deco, amigo. Mais uma vez obrigado por sua leitura.
    Assina aqui o antigo CALANGO ELÉTRICO, meu apelido aos 10 anos. Mas não pegou. Acabei mesmo como Carlinhos: Miuto alto, muito forte… só deu “inhos”… kkk. O pior é que há muitas pessoas que ainda me chamam de CARLINHO, suprimindo o “s”, coisa que odeio.

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