CARLOS BRICKMANN – CHUMBO GORDO

Com pandemia e tudo, Bolsonaro parou de cair nas pesquisas, recuperou intenções de voto e hoje, de acordo com pesquisa Poder 360, seria o primeiro colocado no primeiro turno. No segundo, empataria com Sérgio Moro.

Pesquisa é retrato do dia. Dois anos antes das eleições, não significa nada. Mas, para os adversários, é melhor não subestimar Bolsonaro: tem um núcleo fiel de eleitores, que por ele sentem saudades até de Weintraub, manteve sua popularidade mesmo depois de declarações que indicavam pouco caso pelas vítimas da Covid, sustenta-se até com novos recordes de desmatamento e de queimadas na Amazônia, que já provocam reações de clientes internacionais.

Ainda é cedo, mas qual, de seus possíveis adversários, vem-se tornando uma alternativa viável? O governador do Rio, candidato declarado, tem de lutar para evitar o impeachment. O governador João Dória tem boa avaliação, deve sair candidato, comanda o PSDB, partido bem estruturado em todo o país, mas isso ainda não se refletiu em índices nacionais. Sempre se considerou que um governador de São Paulo é candidato forte, pelo cargo que ocupa, mas Geraldo Alckmin em duas ocasiões desmoralizou essa tese. E o PT – bem, esperava-se que Lula, ao sair da prisão, liderasse seu partido numa campanha nacional de oposição, apresentando-se como perseguido político, vítima de um sistema que deturpou a Justiça para afastá-lo do poder. Esperava-se. Mas o novo Lula parece muito diferente do Lula de sempre.

Quem sobra?

Lula se recolheu, raramente fala, parece ter perdido o gás. Continua a liderar políticos como Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad, Washington Quaquá. Mas sua fraqueza atual já foi percebida por aliados que até agora eram incondicionais: já apoiam Manuela d’Ávila em Porto Alegre, pensam em lançar um candidato a presidente saído do PCdoB, eventualmente podem flertar até com Ciro Gomes. Nada impede que o realismo político predomine e haja quem possa esquecer o passado e aliar-se a Sérgio Moro. Mas Moro, que acumulou amplo capital político, nem escolheu um partido. E será que, daqui a dois anos, não terá sido esquecido por muitos que hoje o apoiam?

Sozinho na raia

Em dois anos muita coisa pode mudar. Haverá os descontentes com o alto desemprego, haverá quem lembre as mortes da pandemia, haverá até mesmo empresários hoje simpáticos a Bolsonaro que correrão riscos pela compulsão do presidente em brigar com a China, por ideologia, e com a União Europeia, por demonstrar pouco caso com o desmatamento e os incêndios da Amazônia e com os problemas indígenas. Mas haverá também quem goste dos $ 600,00 mensais, que de alguma forma se eternizarão na Renda Brasil. Lembre-se: o Nordeste por muito tempo foi reduto do PFL/DEM. A Bolsa Família levou o eleitorado a votar sistematicamente no PT. Em resumo, se a oposição quiser chegar ao poder, tem de montar sua estratégia, em vez de só confiar em novos erros de Bolsonaro. Ele erra, sim, e muito. Mas está na frente.

As rachadinhas

Há incômodos no caminho de Bolsonaro – investigações sobre seu filho Flávio, pressão sobre divulgadores de notícias falsas, cerco ao Gabinete do Ódio. Há o Queiroz, com os depósitos na conta da mulher do presidente. Mas Lula, com todo o caso Mensalão/Petrolão, seria um candidato forte se não tivesse sido condenado e impedido de disputar pela Lei da Ficha Limpa.

Todos quietos

Lembra do ministro Osmar Terra Plana, dizendo que a Covid iria matar menos gente que as gripes de inverno? E do general Luiz Eduardo Ramos, o coordenador político do Governo, dizendo que o trânsito também mata muita gente e não provoca pânico? Com cem mil mortos no Brasil, silenciaram. Pena que o preço por esse bem-vindo silêncio tenha sido tão alto. Bolsonaro não se calou: “A gente lamenta todas as mortes. Mas vamos tocar a vida”.

Pois é

Todos os dias, aqui no Brasil, morre nove vezes o número de vítimas da explosão de Beirute, que abalou o mundo. E nosso Governo não se abala.

Procurando briga

Bolsonaro briga com a China por ideologia, com os europeus porque condenam suas teses sobre Amazônia e meio-ambiente, com vizinhos porque não gosta de seus dirigentes. O ministro Paulo Guedes vai mais longe: foi puxar briga com os principais aliados de Bolsonaro, os EUA. Motivo: empresários questionaram a política ambiental do Brasil. O Imposto Ipiranga acusou os americanos por desmatar suas florestas, pela escravidão, pelas guerras civis, pela morte de índios. É verdade: também dizimaram rebanhos de bisões, muitas vezes só para praticar tiro ao alvo. Claro que conhecemos um outro país que desmatou muito, teve escravidão, enfrentou guerras civis, matou índios. Paulo Guedes, que já disse que leu três vezes as obras de Keynes em inglês, talvez não se preocupe tanto com História em português.

7 pensou em “DE VOLTA À LIDERANÇA

  1. Coisas fubânicas – Lesado que sou (assim atestou ontem o Jose Hinácio), solicito ao inteligentíssimo señor Carlos Brickmann (possuidor de raro poder de síntese), se possível for, que faça algumas considerações sobre postagem do Guilherme Fiuza intitulada “DESINFORMAÇÃO”, A NOVA SENHA DA CENSURA, publicada nesta data, nesta gazeta escrota (o viciante Jornal da Besta Fubana), o maior jornal em circulação pelas artérias da internet.

    Copio a parte que chamou minha atenção. Escreveu Fiuza: vocês não estão lidando bem com fenômenos como Trump e Bolsonaro. Eles são de fato bastante caricaturáveis (…) Mas caricaturas à parte, o que a imensa maioria de usuários das redes identificados com pautas de Trump ou Bolsonaro quer é viver fora da bolha politicamente correta – que é antidemocrática e patrulha todo mundo para vender virtude a 1,99.

    Encerra Fiuza: “Acreditem: vocês têm nas mãos um mercado muito mais potente e saudável do que esse curral cheiroso que andam cultivando.”

    Tenha um ótimo domingo (desejo de Sancho ao señor Brickmann e a toda essa fantástica comunidade fubânica).

  2. Caro Sr. Brickmann,

    O Sr. e o restante da grande mídia terão que se esforçar muito para imporem a narrativa de que o culpado pelas 100 mil mortes (até agora) da gripe chinesa são culpa do Bolsonaro.

    Repito como minhas as palavras do PR: cada morte deve ser lamentada, porém temos que seguir em frente. Seguir em frente não é desprezar quem morreu e sim buscar sair desta situação econômica que por certo irá matar muito mais gente de fome e que já está atrasando o país. Ficar olhando o placar e comemorar, como fizeram todos os grandes jornais ontem não é salutar.

    Não custa lembrar que, em abril deste ano, por decisão unânime o STF decidiu que caberiam a estados e municípios usar os recursos e remédios que jamais o Governo deixou de dar. Ao contrário, quando receberam fartos recursos, quase todos os governadores gastaram de modo muito suspeito, dando início ao Covidão. Roubar dinheiro da saúde nesta grave crise é muito desumano e o povo não irá esquecer.

    No governo Bolsonaro 10 membros do alto escalão já tiveram a gripe chinesa, todos eles grupo de risco, todos tomaram o coquetel de HCQ. Sabe quantos tiveram complicações pulmonares graves? Isso mesmo, nenhum. Aqui em SP Dória ainda não autorizou a prescrição do remédio nos postos de atendimento para quem está com pré sintomas, mesmo que o paciente pessa pelo remédio. Quem é o Genocida?

    Ontem faleceu ênio Mainard, escritor, publicitário que tinha 85 anos e há mais de um ano sofria de problemas pulmonares. Foi internado desde 2019 sucessivas vezes, este ano inclusive. Sempre testou negativo para o Covid. Mas de tanto entrar em hospitais acabou testando positivo, quando já estava com todos os órgãos comprometidos. Não foi o covid que o matou. Isso não sou eu que falo e sim Marco Angeli Full, um publicitário muito próximo a ele, que o tinha como pai. Leia:

    https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/22291/o-adeus-a-enio-mainardi

    Sr. Carlos, o Brasil já exportou este ano até julho em carnes e grãos mais que todo o ano passado e metade da exportação do ano que vem já está vendida. O Sr. está preocupado com a China, os Europeus e os produtores de soja americanos? Eles é que deveriam e estão sim preocupados conosco, pois podemos alimentar 1/3 da população mundial de forma barata sem cortar uma árvore da AM.

    Ah, em julho deste ano houve 30% menos desmatamento do que no ano passado. Sim, e se pegar a média dos últimos 20 anos, 2019 está abaixi dela. Portanto deixe de falar aquilo que não entende. Aconselho que leia e assine o canal Rural Bussiness, que onde poderá se informar sobre o agro com informações não distorcidas.

  3. Pous é…….

    Pior que a mentira descarada é a distorção da verdade, a interpretação tendenciosa.

    Isso é coisa de gente com mau caráter

    Brickman se acha e não percebe que apesar dos erros de JMB os acertos, e as tentativas de acerto, barradas pelo Cobgresso ou pela vergonha deste STF, são maiores, bem maiores que todas as administrações dos ultimos 16 anos.

    Covarde por natureza não tem coragem e nunca teve, de criticar os erros sórdidos de Alcolumbre, Maia e dos sinistros cafajestes do STF……., inclusive cobtra colegas jornalistas…..

    É uma pena que um cara inteligente possa ser tão burro, ou mal carater, em não perceber que o Brasil mudou e que ainda precisa de gente de bem para colocar no caminho que merecemos….

    Óbvio que JMB erra, pois só erra quem trabalha mas, e sempre existe um mas, nao ter percebido sua intencao de acertar e de corrigir eventuais erros é de uma canalhice sem tamanho…..

    Que tristeza esse jornalismo fanático em apenas destruir o que pode ser melhorado e se acovardar contra aquilo .que óbviamente sao crimes contra o Brasil….!!!!

    Legais sao Lulla, Dillma, Temer, Collor, FHC, Alcolumbre, Maia, Toffolli, Gilmar, Barroso, Morais, Carmem e o restolho da canalhada….

    Que tristeza….. !!!

    Isso é jornalismo …???

    • Caro Arthur, isso que o Sr. Brickmann faz é definido por ele como um jornalismo isento. Imagina se não fosse.

      E os fanáticos, seguidores da seita, retrógrados (ele já me chamou de tudo isso e mais alguma coisa) somos nós.

      Eu só tenho uma pergunta retórica, que ele jamais responderá:

      Porque o conservadorismo de direita, que tem como base a moral judaico cristã, a filosofia e o direito Greco romano incomodam tanto a esquerda? É dificil ele responder, pois terá que confessar.

  4. É urgente publicar aqui nesse Pasquim, a coluna do velho jornalista Carlos Brickman, intitulada ” Cala a Boca já Morreu. Um jornalista de escol, que merece muito respeito.

    • Pois é….. a sinistra Carmem Lucia tambem usou esta frase mas, e sempre existe um mas, apoiou a sordidez do inquerito liderado pelo sinistro Alexandre o grande (merda), para calar a boca dos brasileiros que nao se curvam a canalhice deste congresso e deste STF cafajeste. E ditatorial…..

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