JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

Junto com as queimadas da floresta amazônica voltaram às manchetes das mídias do país e de além-mar, o problema da preservação dos povos indígenas. E haja assunto agredindo ou enaltecendo a tão descaracterizada nação indígena brasileira.

Minha iniciação ao extraordinário mundo indígena ocorreu mediante gravuras e fotografias contidas nas páginas de livros de História Geral e do Brasil, durante meu aprendizado preliminar. Mais adiante, através da leitura da carta de Pero Vaz de Caminha ao El-Rei Dom Manoel I, de Portugal, datada de 1º de maio de 1500:

“Ali vereis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelo corpo como pelas pernas, que, certo, pareciam bem. Andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal, e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência descobertas, que não havia desvergonha nenhuma…”.

Touro Sentado

Antes de me aprofundar nos povos indígenas brasileiros, conheci as nações selvagens americanas. Filmes e seriados de faroeste mostraram-me embates impagáveis entre colonizadores brancos e peles-vermelhas. Índios seminus, montando cavalos sem sela, com cocares de penas coloridas e portando armas artesanais, enfrentavam invasores bem armados nas pradarias de seus antepassados.

Eram indígenas das tribos sioux, apache, comanche, creek, navajo, cherokee e pés pretos, que se comunicavam por sinais de fumaça, adoravam totens e, até fumavam cachimbos da paz, porém, também escalpelavam os seus prisioneiros.

A reação violenta dos índios ao avanço dos brancos sobre aquele território inóspito, ensejou a participação da cavalaria americana em defesa dos colonizadores. Em embates sangrentos se sobressaíram lendários chefes indígenas, como Gerônimo, Nuvem Vermelha, Três Cavalos e Águia Negra.

A batalha de Little Bighorn, ocasião em que os sioux comandados por Touro Sentado e Cavalo Louco exterminaram a 7ª Cavalaria do general Custer, em 1876, permanece na lembrança do povo americano após quase 150 anos do massacre.

Quando Pedro Álvares Cabral aqui desembarcou, certamente, foi recepcionado por índios tupiniquins ou tupinambás habitantes do litoral baiano. No restante do país viviam as nações tupi-guarani, carijó, caeté, aimoré, tabajara, potiguara, aruaques, tapuias, caraíbas e outras mais.

Constatação relevante é que a unificação do território nacional se deve, em parte, à miscigenação do colonizador europeu com o índio e com o negro, além do cruzamento do índio com o negro, resultando, respectivamente, no mameluco, no mulato e no cafuzo, etnias raciais típicas do povo brasileiro.

Existiram indígenas, de ambos os sexos, de reconhecido valor na nossa história, dentre eles Aimberê, Ajuricaba, Araribóia, Bartira, Caramuru, Cunhambebe, Poti, Paraguaçu, Sepé Tiaraju e Clara Filipa Camarão – uma das heroínas brasileiras.

O trabalho do marechal Cândido Rondon no centro-oeste e norte do país, contatando tribos indígenas desconhecidas, delimitando reservas, ampliando as comunicações e criando o Serviço de Proteção ao Índio foram preponderantes na preservação das nações indígenas ameaçadas de extinção pelo homem branco de olho nas riquezas de suas terras.

Índia Diacuí da tribo kalapalo, com 20 anos de idade

Diacuí, a quem eu me refiro no título deste texto, pertencia a tribo kalapalo, do Alto-Xingu, Mato Grosso. Tinha 20 anos de idade quando conheceu o sertanista Ayres Câmara da Cunha com quem se casou. A cerimônia ocorreu em novembro de 1952, na Candelária, no Rio de Janeiro, sob a cobertura jornalística dos Diários Associados, de Assim Chateaubriand, o qual apadrinhou os nubentes.

Após o retorno à sua aldeia, Diacuí (Flor do Campo), às vésperas de parir o único filho, viu-se sozinha e entregue à própria sorte, pois o marido voara para Aragarças. A índia foi vitimada por tenaz hemorragia depois de dar à luz a uma menina.

Diacuí, protagonista do espetaculoso matrimônio de um branco com uma índia no Brasil, faleceu em agosto de 1953, antes de completar nove meses do enlace.
José Narcelio Marques Sousa é engenheiro civil.

7 pensou em “DE TOURO SENTADO A DIACUÍ

  1. Acorda, Bolsonaro!!!!!!!!!!!!!!! Nossos historiadores dando show fubânico. Que Narcélio, Itaerço, Mascena, Cavalcanti, Brito, Newton, ArisNOSSO, Carlos Ivan, e Carlos Eduardo sejam aproveitados imediatamente pelo atual governo para ensinar história para a turma do MEC.

    Porra, Bolsonaro! Dá uma olhada pra cá e veja os 200 colunistas entre fixos e avulsos do JBF que muito poderão ajudar seu governo, porra!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. A covid 19 tem massacrado as comunidades indígenas também. O conhecido Aritana, que deu nome a novela, foi uma das vítimas desse terrível vírus.

    Gostei muito do texto que compartilha conhecimento sobre os índios brasileiros.

  3. Obrigado a vocês Beni, Sancho, Raissa e Carlos meus leitores e amigos pelas palavras de incentivo. Forte abraço a todos.

  4. Parabéns Narcélio por mais uma informação histórica para enriquecer nosso conhecimento. 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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