JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

A política estadunidense tem sido destaque na mídia internacional bem antes das eleições de 3 de novembro último, em razão da acirrada campanha pela presidência do país, toda ela polarizada em torno dos partidos Democrata e Republicano como se outros não existissem na nação.

Na verdade, partidos como o Libertário, o Verde e o da Constituição – os maiores dentre os menores -, em nada pesam ante o vigor de aglutinação dos republicanos e democratas que se revezam no poder desde 1852. Essa polarização tornou-se fenomenal nas eleições deste ano com números de votantes nunca dantes totalizados na história dos Estados Unidos da América.

Num país com população estimada em 330 milhões, onde não existe obrigatoriedade de votar, comparecerem às urnas quase 160 milhões de eleitores – 70% dos habitantes com idade de votar -, é algo magnífico de presenciar numa democracia.

No Brasil, o bipartidarismo existiu entre 1966 e 1979 durante o regime militar, quando todos os partidos foram extintos e seus integrantes acomodados na Aliança Renovadora Nacional-ARENA e no Movimento Democrático Brasileiro-MDB.

Hoje, estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral-TSE incríveis 33 partidos políticos, dos quais o eleitor desconhece o significado da maioria das siglas, tampouco suas ideias, propostas e pensamentos políticos.

Até que ponto tamanha variedade de facções partidárias insufla positividade ao processo democrático de qualquer sociedade constituída, sinceramente, eu desconheço. Atrelado a esse fato, permanece uma incógnita: existiria tão elevado número de partidos sem os bilionários fundos Eleitoral e Partidário?

Outro fato inusitado nas eleições deste ano, nos EEUU, foram os canais abertos das televisões ABC, CBS e NBC, interromperem transmissão de discurso de Donald Trump e desmentirem o presidente, quando esse alegou a existência de fraude nas eleições em curso. Causou surpresa ao mundo ver os correspondentes das emissoras ABC e NBC, respectivamente, afirmarem:

– Simplesmente não há nenhuma evidência apresentada em qualquer um desses estados de que haja votos ilegais.

– Tivemos que interromper o presidente porque ele fez uma série de falsas acusações que davam a entender que houve uma fraude nas eleições e não há nenhuma evidência disso.

Não à toa apelidar o jornalismo e os meios de comunicação de quarto poder quando exerce o seu caráter meramente informativo baseado na realidade dos fatos e na objetividade – o termo quarto poder é assim aplicado porque tem como referência os Três Poderes do Estado Democrático que regem a sociedade: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Agindo de outra forma e sem um órgão controlador, a mídia poderá tirar proveito desse poder em benefício próprio ou favorecer outros interesses influenciando a opinião pública e afetando decisões sociais, esquecendo o modelo basilar de jornalismo independente.

Exemplar e corajosa a atitude da imprensa norte-americana no enquadramento de notícias que são levadas a conhecimento da sociedade fazendo valer a postura descompromissada em relação a grupos dominantes, e exercitando o papel de poder neutro na defesa do interesse público.

Coisas de democracias consolidadas.

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