CUBA: UMA VIAGEM AOS ANOS 50. TRINIDAD E VARADERO

Em de outubro de 2019 eu fui a Cuba e já contei o começo da viagem aqui no Besta Fubana.

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Na viagem estava programado que a gente ia conhecer o interior, nós escolhemos Trinidad, a ‘Parati” cubana e Varadero, a praia dos ricos com seus resorts de luxo. Dona Meikel, dona da casa que estávamos hospedados em Havana sugeriu que nós fôssemos de carro para Trinidad, era um pouco mais caro mas economizaríamos no translado de casa para a rodoviária e ganhávamos tempo, concordamos com ela e pedimos que a lotação fosse um almedron, carros dos anos 50 que fazem muito sucesso na ilha com os turistas, ela não garantiu, quando chegamos no local combinado estava lá o almedron (foto), porém já estava lotado, o outro carro era um Peugeot dos anos 90, com o motor diesel e o cheiro de fumaça dentro do carro. Adeildo, o mais velho do grupo, sentou logo na frente, eu entrei atrás com um casal de australianos que não falava espanhol muito menos português. A minha porta não abria, tinha que sair pelo outro lado, e lá fomos nós.

Almedron taxi clandestino e Auto pista Nacional

Na saída passamos por baixo da baia de Havana, num túnel dos anos 50, construído antes da revolução, moderno e bem cuidado, depois de mais alguns minutos entramos na Autopista Nacional, uma via expressa com 4 faixas de cada lado, que liga a capital ao Oriente da ilha. Muitos taxis novos da marca Lada e ônibus chineses modernos da marca Yutong dividiam a rodovia com velhos caminhões, tratores e carros dos anos 50 e com o nosso Peugeot. Na beira da estrada muita gente pedindo carona paga (eles balançam dinheiro na mão pra mostrar que não estão lisos e querem pagar), vários postos de combustíveis modernos, bonitos porém pequenos. Depois de um certo tempo o motorista entrou numa estradazinha de terra por uns 500 metros e parou na sede de uma fazenda, lá foi recebido por um senhor e por um rapaz que após alguma conversa entre eles, trouxe um balde de 20 litros de óleo diesel e passou para o tanque do taxi, o motorista pagou e seguimos para Trinidad. Já próximo do destino a rodovia margeia a praia, onde desfruta-se de uma bela paisagem do Mar do Caribe até o destino final: Trinidad.

Placa na lanchonete de beira de estrada: “é melhor ser um bêbado conhecido do que um alcoólico anônimo”. O tratorista transferindo diesel para o taxi

Em Trinidad ficamos na casa de um casal, Yokabi e Rodin, ela dentista e ele médico cirurgião oftalmologista, que havia passado 2 anos em Angola e falava (se comunicava) em português. Falou que tinha amigos médicos no Brasil. Depois de uma conversa, fomos conhecer a cidade, Rodin nos indicou a Cervejaria Trinitaria, um prédio antigo de uma prisão que foi reformado por uma fábrica de cerveja austríaca, disse que não tinha ido porque os preços eram muito caros para o padrão cubano, mesmo para um casal de médico e odontóloga. Lá, tomamos um chopp artesanal e de tira-gosto pedimos ‘brochetas’ sem saber o que era, prá nossa surpresa era o famoso espetinho.

Escadaria, ponto de encontro de turistas em Trinidad, ainda com pouca gente

Em Trinidad os preços das bebidas são muito mais baratas que em Havana, os drinks mojito, daiquiri e um local canchánchara são oferecidos a 1 CUC (lembrando que 1 CUC vale 1 dólar), cada. Uma escadaria com wifi (1 CUC a hora) fica lotada de turistas, ao lado uma feirinha de artesanato. Uma bodega do governo com uma vendedora sonolenta vendia mantimentos com preços muito baixos, mas com limite de compra por família, eles levam uma caderneta para o controle da mercadoria consumida no mês. De manhã, muitos alunos indo à escola a pé, nas carrocerias de caminhões e em charretes. Vários grupos musicais tocavam ritmos locais tradicionais, mas já se vê muitos jovens com as caixinhas de som chinesas tocando reggaeton estilo ‘Despacitos’, El Chacal é cantor sucesso do momento.

Rua de Trinidad e a bodega do governo

Sempre que conversávamos com algum cubano, perguntávamos o que eles sabiam sobre o Brasil, falavam de Lula, novelas e futebol. Encontramos um deles que só conhecia três times brasileiros: Santos, Flamengo e Sport Recife (vídeo abaixo), acredite se quiser. O transporte intermunicipal público é dividido por duas empresas de ônibus: a Viazul, para estrangeiros, cubanos podem viajar, mas pagam os preços dos turistas (20 CUCs por uma viagem de 300 km), e a Omnibus Nacionales, que só transporta cubanos com preços muito baratos, cerca de 1 CUC para o mesmo trajeto. As duas empresas usam veículos novos. Como é relativamente comum o cancelamento das viagens na Viazul, preferimos o taxi para o próximo deslocamento para Varadero.

A viagem de Trinidad para Varadero é por regiões agrícolas, muitas vilas nas margens da rodovia. O dono do taxi clandestino era filiado ao Partido Comunista Cubano, elogiou muito Fidel Castro e Che Guevara. Falou que para possuir um taxi legalizado novo é preciso pagar 20 CUCs por dia ao governo que cede o carro, o motorista tem que manter o veículo, inclusive com as revisões em oficinas autorizadas. Em Varadero tem muitos resorts de empresas estrangeiras, principalmente espanholas, ficamos em um hotel All Inclusive do governo cubano. Lá não se paga nada a mais, o café, almoço, bebidas e tira-gostos estão tudo incluso no preço da diária. O café, almoço e jantar são de primeira, com grande variedade, só não tem itens mais caros como peixe, por exemplo. Outro detalhe: eles demoram a repor o grill, o que faz com se crie filas desnecessárias, em uma fila com 10 pessoas, o assador colocam só a carne solicitada pelo primeiro, após assar e colocar no prato do cliente é que eles colocam outros pedaços de carne. Tirando esses probleminhas, eu dou nota 8 ao restaurante. Na parte das bebidas alcoólicas e petiscos ai a coisa fica feia, eles só servem em alguns horários e o pior o horário do chopp, por exemplo, não coincide com o horário dos petiscos e vice-versa. A moça que abastecia o chopp e outras bebidas não saia do celular e o povo ficava na fila sem reclamar, até que ela dava uma pausa no whatsapp e atendia os clientes. Os drinks eram artificiais, de péssima qualidade. Neste hotel ficavam hospedados os cosmonautas russos nos anos 60, várias fotos nas paredes da recepção comprovavam o fato.

Vista do hotel e taxi clandestino

Em Varadero só ficamos 1 dia e retornamos para Havana no dia seguinte, não vimos grandes movimentações de pessoas pelas ruas e praias da cidade, acredito que isto ocorra dentro dos resorts de luxo.

A terceira parte eu conto noutro dia desses.

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