RODRIGO CONSTANTINO

Ah, o espírito natalino! Alguns se parecem com o Grinch. Mas eu adoro esse clima! Tempo de amor, esperança, fé, renascimento. A família toda reunida, e este ano com vários “agregados”. Um time de umas trinta pessoas, as crianças correndo, brincando, ansiosas pelos presentes. Vida!

Há quem celebre o nascimento de Jesus Cristo sozinho, com um bacalhau e um vinho, tornando público esse estado de solidão “feliz”. Eu acho triste, não importa quantas novelas tenha feito para levar alegria ao público. A família tem sempre defeitos, mas é a melhor coisa que temos. E a bagunça das crianças é a lembrança de um ciclo que se repete, da vida que preenche nossos corações.

Esse é um bom momento também para refletir sobre o milagre de vida. Recomendo, aliás, o Especial de Natal da Brasil Paralelo, com meu amigo Lacombe, colunista aqui da Gazeta, no comando. Uma ode à vida e à beleza. Comovente. Imperdível.

E mergulho em minhas reflexões. Num ano em que gente ruim, narcisista e com claras pitadas de psicopatia fez de tudo para me destruir, num mundo repleto de gente sem empatia pelo próximo, o fato é que Deus sempre vence, Jesus é muito maior, e há constantes provas de amor por aí. Obrigado por tudo, Senhor! A gratidão é fundamental.

Aí, depois da ceia com casa cheia, com crianças correndo, com a família e seus agregados trocando muita conversa, resolvo dar uma atualizada nas redes sociais. E descubro que o papo do dia é o pedido de comida que não foi entregue pelo iFood. Parece que um imitador de focas famoso tinha alguns “amigos” em casa, e resolveu pedir comida do Gula Gula na noite de Natal. Revoltado por ter ficado sem comida – como o povo dos regimes que ele defende da boca para fora – foi cuspir fogo no Twitter.

E eu fiquei cá pensando: tentar pedir comida do Gula Gula pelo iFood na noite de Natal? Que situação triste. De que adianta tanto dinheiro e tanta fama? A solidão da alma é mesmo terrível. Fiquei sensibilizado. Estou muito longe, em Nova York, e impedido de voltar ao meu país de origem por um desses narcisistas infelizes. Mas, se eu pudesse, levava parte da minha ceia para o rapaz.

De boa vontade, com o coração aberto, eu diria: “Tome aqui, imitador de focas, não se sinta tão sozinho assim, abandonado. O amor venceu! Vamos compartilhar esse pão. Isso, pode abraçar. Não chore. Se Lula não te ama de verdade, se falta uma tia caridosa e disposta a fazer uma ceia de Natal, se faltam amigos sinceros e verdadeiros em sua vida vazia, não tente preencher o vácuo com dinheiro, fama ou curtidas de rede social, e sim com Deus. Ele te ama! Sim, Ele ama até mesmo você. Mas cabe a você escolher amá-Lo de volta. Que tal? Vamos tentar?”

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