CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Crises nunca foram novidades no mundo, particularmente as de caráter econômico. Toda vez que surge uma novidade, de despertar curiosidade, a população mundial se espanta. Fica de cabelo em pé, curiosa, esperando as consequências, geralmente ruins.

Na história, já aconteceram algumas grandes crises, denominadas bolhas financeiras venenosas que impactaram. Repercutiram em todas as direções, causando polêmicas, contaminando economias, empobrecendo pessoas, gerando aborrecimentos em muitos países.

Bolha é um fenômeno que deixa o investidor estressado. A bolha pode surgir na área imobiliária, no mercado de ações, no setor de tecnologia ou no campo da comunicação. Basta a ganância entrar em ação. O egoísmo predominar que os ventos inflamam os interesses, independente de fronteiras.

Toda vez que um ativo se valoriza demais, duplica de valor rapidamente, requer redobrada atenção, porque a tendência é o ativo se desvalorizar aceleradamente também. Com a mesma rapidez da valorização. Quem não analisar atentamente a jogada, pode se tornar vítima do estouro da bolha e acabar no prejuízo, pela desatenção.

Tem gente que impressionada pela alta repentina de um ativo, é capaz de vender tudo, casa, carro, se desfazer do patrimônio, para investir na compra do bem em alta, sem desconfiar de que pode cair numa armadilha, entrar numa jogada meramente especulativa. Caso a bolha estoure, adeus investimento.

A primeira bolha financeira apareceu na Holanda. Em 1593, o botânico Carolus Clusius comprou uns bulbos de tulipa, que são flores resistentes, na antiga Constantinopla, atual Istambul, Turquia. Plantou os bulbos no jardim de casa, com o propósito de utilizar a planta para fins medicinais. Sem desconfiar da ação de oleiros, com segundas intenções.

Impressionados com a beleza da planta, vizinhos gananciosos roubaram uns bulbos na ausência do dono, para também ganhar dinheiro. Como a tulipa, flor exótica, é realmente atraente, fácil de venda, a lei da oferta e da procura fez o preço disparar. Incontinenti.

Mas, inesperadamente, sem um motivo aparente, os compradores sumiram. Aí, sem comprador, o preço da tulipa despencou. Caiu sem explicações plausíveis. Quem não vendeu o estoque, lascou-se. Amargou tremendo prejuízo.

Outra bolha de triste lembrança, foi a de 1929. Antes, com os boatos de bons lucros, muitos americanos investiram forte no mercado de ações. Muitos até se endividaram para comprar ações. Todavia, inesperadamente, a Bolsa de Valores de Nova York entrou em colapso. Foi derrubada por um vírus matador, do tipo do coronavírus, que não perdoa. Abate logo.

A consequência natural foi da cacetada foi estupenda. Quebrou bancos, fez empresas falir em série, deixando milhares de investidores sem um níquel sequer no bolso, mas cheio de dívidas. Na época, foi muito choro.

O impacto foi tão grande na economia americana, como no resto do mundo. Por isso foi denominada de a Grande Depressão. Eleita como a mais grave crise econômica mundial do século 20.

Também foi difícil esquecer a bolha da internet, do final de 1990. De repente, o valor de algumas empresas de tecnologia da informação se valorizou, enriquecendo milhares de empreendedores.

Quando foi descoberta que a maioria das empresas não eram rentáveis, o índice Nasdaq despencou em 2002. O resultado foi a brutal recessão dos Estados Unidos, com repercussão mundial.

Nessa, sobrou complicação também para o Brasil. Como já estava em recessão desde 2001, o país elevou os juros para conter a inflação, barrar os efeitos da alta do dólar e o racionamento que castigou o brasileiro em função da escassez de energia.

O que também não pode ser esquecido foi a crise das hipotecas podres. Em 2007, os bancos americanos concederam empréstimos cobrando juros altos a pessoas que não tinham condões de pagar. Assumir dívidas.

Para evitar inadimplência e quebradeira geral de bancos, o FED-Banco Central dos EUA teve de injetar muitos bilhões de dólares no mercado financeiro e baixar a taxa de juros. Contudo, essa maré braba engoliu o Lehman Brothers, centenário e poderoso banco americano, que faliu.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta. Depois da pandemia do coronavírus, poderosas economias sofrerão efeitos devastadores. Recessão global é a consequência mais grave. Do choque econômico é difícil escapar.

Caso ocorra crescimento global, a taxa de crescimento não deve superar os 1,5%. Pelo menos uma coisa é certa. A recessão varrerá o mundo, de cabo a rabo, por pelo menos dois trimestres consecutivos.

Diversos PIBs cairão de tamanho. Falências empresariais serão múltiplas, o desemprego deve rolar por aí afora. Pelo menos por enquanto, os governos devem esquecer os gastos, os déficits públicos e os endividamentos.

País algum deve se surpreender com a queda da atividade e a lenta recuperação econômica. A China teve de enfrentar paralização forçada com as quarentenas. Aliás, o prejuízo global em 2020 deve custar US$ 2 trilhões. O PIB chinês já encurtou.

A recomendação da OCDE é única. Para desafiar a pandemia, os países devem seguir quatro diretrizes básicas. Garantir a gratuidade nos exames para diagnosticar a doença, disponibilizar equipamentos para os profissionais de saúde, fazer transferência de recursos para o trabalhador, adiantar tributos para as empresas.

Para o Brasil, a Fundação Getúlio Vargas já previu. O PIB brasileiro em 2020 provavelmente deve recuar 4,4%. Além dos PIBs da China, o do Canadá e dos Estados Unidos ficaram mais magrinhos, diminuíram de tamanho. Caso o Brasil não enxergue o tamanho da bolha, não se previna, pode ver a economia, também explodir. Mas, será tarde demais.

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