CARLOS BRICKMANN – CHUMBO GORDO

O presidente Bolsonaro vive sua pior hora: menosprezou a pandemia, fez pouco das mortes (“todo mundo morre”, “não sou coveiro”, “e daí?), achou que lotando o Ministério da Saúde de pessoas alheias aos problemas da área provaria que hidroxicloroquina curaria qualquer moléstia, desafiou os outros poderes e teve de engoli-los, posou de Super-Homem quando era Clark Kent. Enfrenta problemas que atingem gente próxima e ameaçam seus filhos. Sua política ambiental tende a gerar represálias internacionais. Levou pancada até do Facebook e do Twitter. O partido que quer organizar não anda. Vai mal na pesquisa, longe dos dias em que quase ganhou no primeiro turno.

Mas estamos em 2020 e a eleição presidencial, a única coisa que parece interessá-lo, é em 2022. Um dia a pandemia se acaba. O noticiário mostrará um imenso crescimento econômico, com grande ampliação do número de empregos (tudo verdadeiro: saindo do fundo do poço, cada metro vale muito, embora estejamos ainda longe da altura de onde caímos). E, principalmente, o Governo terá percebido a força eleitoral do atendimento direto aos mais pobres, com algo semelhante ao coronavoucher. Não devemos esquecer que o ministro Paulo Guedes é discípulo das ideias de Milton Friedman, o criador do Imposto de Renda Negativo. Algo do tipo “quem tem, paga; quem não tem, recebe”. Bolsa Família é bagatela perto disso.

Se conseguir deixar de provocar crises diárias, Bolsonaro pode crescer.

Mas…

O presidente tem um jeito bem pessoal de enfrentar problemas: ele os nega. O Covid é “uma gripezinha”, o desmatamento-recorde na Amazônia é prova de que nunca se desmatou tão pouco. E, se os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, confirmam o recorde, demite seus chefes. No ano passado, demitiu o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, e nomeou o interino que está lá até hoje; agora, demitiu a coordenadora dos programas de alerta sobre desmatamento, Lúbia Vinhas. O vice-presidente Mourão admite o desmatamento e promete reduzi-lo. Mourão, com Paulo Guedes, Roberto Campos Neto e Tereza Cristina, tenta acalmar investidores brasileiros e europeus, garantindo que as exportações saem de terras legais, sem “grilos”. Guedes levou essa garantia à reunião da OCDE, que reúne boa parte dos países que importam alimentos do Brasil e pensam em boicote.

… há crises no horizonte

É provável que o duelo entre o Ministério da Defesa e o ministro Gilmar Mendes, do STF, esfrie: a turma do deixa-disso já entrou em ação, o ministro já representou à Procuradoria-Geral da República, e talvez, após mostrar que aceitou o desafio, não faça pressão para que a coisa ande. O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, tem ótimas relações com o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, que trabalhou com ele no Supremo. As outras crises, referentes a inquéritos sobre notícias falsas e dinheiro ilegal para gerá-las, têm mais potencial de gerar problemas.

Sugestão de Mourão

O vice Mourão, em entrevista, disse que a criação de um imposto sobre transações financeiras terá de ser discutida. Esse tipo de imposto já causou a derrubada de um secretário da Receita, Marcos Cintra, por ordem direta do presidente Bolsonaro. A ideia terá dificuldades para passar no Congresso, mas é defendida também pelo superministro da Economia, Paulo Guedes.

Boa notícia

O Instituto Butantan, de São Paulo, iniciou ontem o recrutamento de nove mil voluntários, todos profissionais de saúde, para a última fase de testes da vacina contra o coronavírus desenvolvida pelos chineses do Sinovac Biotech e o próprio Butantan. Os testes ocorrerão em vários Estados brasileiros. Clique aqui e entre na página para seleção dos voluntários.

Lava Jato no Centrão

A Operação Lava Jato de São Paulo promoveu busca e apreensão em imóveis ligados ao deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, dirigente do Partido Solidariedade e integrante do Centrão, bloco de parlamentares que apoia Bolsonaro. De acordo com nota da Polícia Federal, diversas operações financeiras do parlamentar indicam a possibilidade de lavagem de dinheiro. Há pouco mais de um mês, Paulinho foi condenado no STF a dez anos de prisão, por crime de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ainda há possibilidade de recurso, no próprio Supremo.

Um ou outro

Comenta-se que o primeiro-ministro de Singapura, Lee Kwan Yew, disse que tinha dois caminhos possíveis como dirigente da nação: corromper-se, enriquecer a família e nada deixar à população, ou transformar o país numa potência econômica em que todos seriam mais prósperos. Escolheu a segunda opção. Muitos políticos brasileiros, como Lee Kwan Yew tinha já escolhido esse lugar, acharam que não havia saída exceto escolher o outro.

16 pensou em “CRESCE QUEM NO ANO QUE VEM?

  1. João , tu não precisa esperar pelo domingo. ainda por cima ligou a condenação do Paulinho de ideais lulistas ao Bolsonaro . Este rechonchudo precisa fazer uma bariátrica no cérebro.

  2. Meu deus! quando fiz o comentário acima na coluna do Rodrigo Constantino ainda não tinha visto esta.

    O Sr. Carlos se superou, tratou dos ataques do Gilmar Mendes (chamou as FFAA de genocida) de um duelo, uma treta, coisa de pessoas birrentas. Superou os Mervais, as Catanhedes e os BMFrancos da vida em muito. Lustrou para o Sinistro Gilmar valer com o seu pano.

    O Colunista está com saudades da época em que o Jair Bolsonaro e Zeros partiam para a briga a qualquer provocação. Foi chamado de nazista (C Mello), genocida (Gilmar-boca-de-caçapa), de desgoverno (Carminha), de sonhar querer fechar o STF e o Congresso (Barrosão curtindo Kim), ataques a ativistas e jornalistas pró Bolsonaro (Moraes-cabeça-de-ovo, promovem censura a quem o investiga (Toffinho contra Crusoé/ Antas).

    Com todas estas provocações, estão quietos e não dando motivos para vitimismo da outra parte.

    Alás, vou fazer uma pergunta ao isento Jornalista Carlos: o que o Sr. tem contra o conservadorismo de direita de moral judaico cristã e baseado nos conceitos filosóficos e de direito greco-romanos? Qual o mal que estes causaram?

    Não me venha dizer que o período militar foi conservador de direita, isso não cola.

    Até Roberto Campos tudo bem, depois com Delfim, não mais.

    • Jair Bolsonaro e seus zeros partiam para a briga a qualquer provocação. E agora estão quietos.
      Não estariam quietos se o Gilmar Mendes não estivesse sido definido como o relator da ação do Ministério Público do Rio de Janeiro contra a decisão que deu foro privilegiado ao senador zero-um no âmbito do Caso Queiroz.

        • Caro Nick, o pior é que não.

          Já cheguei a achar aqui que Valter Ego, H. Romeu Pinto, Power Guido eram codinomes que o Goiano usava, porém o mesmo disse que não e o nosso Editor Berto garantiu que não eram a mesma pessoa (pelo email).

          Pedi desculpas ao Goiano, pois cheguei a acusá-lo.

          Este (s) deve (m) ser algum (s) recalcado (s) que não ousa (m) dizer o real nome e inventam estas esquisitices.

          Tudo bem, faz parte, é direito dele (s) brincar como se fosse (m) tiozão da piada do pavê na festa com as tias.

          • Os caras usam codinome e são tratados por um comentarista como recalcados.

            Alguns usam os nomes verdadeiros e são ridicularizados por comentarista que tiram sarro com seus nomes, como ocorreu com o Altamir Pinheiro, por exemplo, que passou a ser tratado por Baixamir e Árvore de Natal, ou como o Goiano, que já foi tratado aqui como Boiano, Goiaba, entre outros termos ridículos.

            Assim fica difícil, taoquei?

            • Complementando: Alguns usam os nomes verdadeiros e são ridicularizados por OUTRO comentarista que tiram sarro com seus nomes.

              • V. Comumência Valdo Prego,

                você canta muito bem.

                Meu ouvido absoluto até conseguiu identificar que predominantemente cantas na terceira nota da escala musical, despertando no ouvinte um sentimento de primeira nota da mesma.

      • Caro Sr. Valter,

        Jair Bolsonaro não está nem aí para o Gilmar e sua possível decisão sobre o 01.

        O soltador geral da nação mandar prender o 01 por uma possível rachadinha seria o máximo do mau caratismo.

    • O mais engraçado, João Francisco, é que parece confundir a principal virtude de um jornalista com algum defeito grave. Quanto à outra pergunta, João Francisco, conservadorismo de direita de moral judaico-cristã à direita do general Médici, à direita do general Geisel, que aliás não gostava de judeus (veja o livro de Elio Gaspari)? Aí já não é conservadorismo: é extremismo. Quanto ao direito helênico, eles tinham um instrumento muito interessante: o ostracismo. Quando alguém, para o bem ou para o mal, ganhava excessiva baba-ovice, era exilado por algum tempo. Os deuses gregos puniam a hubris, o orgulho de quem se acha melhor que o resto do mundo, o orgulho de quem não acredita em doenças, com a Nemesis e, depois, com a Ate. Sou adepto dessa doutrina.

  3. Li, reli, rerreli e li outra vez para não cometer injustiças. Feito isso concluí que o texto escancara que, nem pintado de ouro, o tal Jair ganha voto do señor Brickmann, nem que seja para síndico de prédio. Gosto e desgosto se descute? Claro que não. Sancho olha para a lista de 2018, acrescenta o ex-juiz e o apresentador de tv e afirma: em 2022 vota Bolsonaro de novo.
    Sancho é Bolsonarista? Claro que não! Apenas não votará em nenhum dos que estavam na corrida presidencial em 2018 e muito menos nos dois outros nomes.
    Se, e somente se, tirarem o Jair do páreo, pela lista de 2018, que virá com doriana no lugar do Alckmin, com o acréscimo dos dois nomes acima citados, Sancho votará no atual governador de Sampa pelo mesmo motivo que vota em Jair: sou viciado no MENOS RUIM quando me apresentam lista de votação. Simples assim. Punto e basta.

    • Nobre sidekick do lendário Dom Quixote,

      numa eleição onde o menos pior é o Doria, quem é o seu antagonista político? O Witzel?

      Numa eleição dessas eu prefiro rasgar meu título de eleitor. Do contrário, serei, na melhor das hipóteses, um rola-bosta dando voto pra um dessas duas pilhas de fezes.

      • Esse é o grande problema, caríssimo. Se não votamos no menos ruim, lembre-se que os petistas nunca deixam de votar. A nossa deisitência os perpetua no poder. Ou você acha que a turma do MST e derivados deixa de comparecer às urnas? Vamos ao voto sempre para votar no menos ruim, INFELIZMENTE…

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