CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Eita bichinho ruim da peste, esse tal de coronavírus. Apesar de invisível é casca grossa. Derruba até gigante. Afoito, não pede licença. Invade, emburaca e se instala nas cidades, lotando hospitais. Não respeita sexo, idade, tamanho, peso, profissão, qualificação e posição social de ninguém. Tá em pé, pimba!

Com ele, é tiro e queda. Se escapar do óbito, padece. Os impactos são violentos. O infestado é hospitalizado e se baixar na UTI, os cuidados dobram. Afinal, é necessário acompanhar a tosse seca, a febre, cansaço e a dificuldade para respirar do paciente.

Não interessa se a vítima é presidente de país, primeiro ministro, ministro, deputado, senador, médico, autoridade, religioso, rico ou pobre. A coisa tá preta e segundo dizem, o pico da pandemia deve ocorrer entre abril e junho no Brasil.

Desde 2012, a ciência alertou o mundo sobre a presença de vírus e bactérias perigosas. Capazes de infestar tanto animais selvagens como domésticos. De hospedeiros, os animais transmitem o vírus para a raça humana que despreparada, adoece ou morre.

Quem alertou o mundo sobre a infestação, foi o escritor americano David Quammen. Durante viagens internacionais, entrevistando cientistas a respeito de zoonoses, o escritor colheu dados sobre a transferência de vírus ou micróbios para o homem pelo animal ou ave.

O morcego é considerado um depósito em potencial para vírus infectantes. Toda vez que o homem penetra em áreas estranhas, invade o meio ambiente, se expõe a pegar doenças e posteriormente passar a contaminação à frente. Multiplicando progressivamente a doença, via população.

É desta forma que o mundo vez por outra enfrenta ataques de vírus. A lista de infecções é longa. O Hantavírus, embora semelhante a um resfriado comum, foi fatal. O primeiro surto no Brasil aconteceu em 1993. Causa desconforto respiratório agudo e descuidado a doença ataca prospera em edema pulmonar, insuficiência respiratória e choque. Matou gente.

A raiva é uma das velhas zoonoses a preocupar a saúde do homem. Faz 4 milênios, a ciência debate sobre a sua existência. Na época de Aristóteles, a história já registra casos sobre essa enfermidade contagiosa. Como também ataca animais e homens, é chamada de zoonose.

A raiva é infecciosa, transmissível, ataca primeiro os nervos periféricos do animal. Depois atinge o sistema nervoso central, vai para as glândulas salivares para dali se multiplicar e propagar-se em todas as direções. Basta o homem manter contato com o cachorro doente para também se contaminar.

Agora, o mundo se ver enroscado com o coronavírus. A transmissão da doença é feita de forma simples. Basta um toque de mão, gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, coriza ou via contatos com celular, mesa, maçanetas de portas, brinquedos, e teclados de computador tocados por quem está infestado.

Depois de passar dois meses em rigoroso confinamento, a cidade chinesa de Wuhan, onde apareceu o vírus, de 11 milhões de habitantes padeceu desses males.

Por isso, a recomendação médica é fundamental. Lavar as mãos com água e sabão, cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar, evitar tocar nos olhos, evitar abraços, beijos, apertos de mão e manter a distância mínima entre duas pessoas. Após o contato, usar gel.

O impressionante é o alerta dado por David Quammen no seu famoso livro Spillover, lançado em 2012. O escritor chamou a atenção do mundo para o próximo vírus que estaria prestes a chegar. A China, calou-se. O mundo foi na onda.

Pena que apesar da prevenção, a cegueira prevaleceu. Agora enfrenta devastadoras consequências. Desde a chegada do coronavírus no final do ano, o impacto tem sido desastroso. Na saúde, na economia e no lado social.

Um fato é verídico. Antes de se tornar pandemia, o agente infeccioso passa por transformações. A agressão ao meio ambiente e o contato com os animais ajuda a fortalecer o vírus.

Toda pandemia provoca isolamento social. As pessoas são obrigadas a se enfurnar, senão o bicho pega. Se não morrer, a vítima sofre um bocado. O pior de tudo, são as consequências. Ver o caos que se instala, principalmente na economia do país atacado.

Com o Convid-19, o PIB da China caiu 6,8% no primeiro trimestre deste ano. Decepção que não acontecia desde 1992. Também pudera, para conter o avanço do vírus, a China fechou fábricas, comércio, escolas, cancelou voos, isolou Wuhan do resto do mundo. Com a redução do consumo, o desemprego viralizou. Até nos eventos, cancelados nos setores de turismo, tecnologia e automotivo os prejuízos foram enormes.

Imagina a rebordosa. Mais de 20% dos produtos manufaturados consumidos no mundo, são fabricados na China. São chips, circuitos integrados e peças utilizadas na fabricação de celular, televisor, máquina de lavar e diversos outros aparelhos eletrônicos.

Daí se conclui. O caos é geral. Varre o mundo. Empesta economias. Fecha fronteiras. Derruba Bolsas de Valores. Os danos são tão impressionantes que adiaram até a Olimpíada de Tóquio.

Especialistas admitem que uma recessão global deve invadir o mundo, causando estragos maiores do que os vividos com a Grande Depressão de 1929. De triste lembrança.

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