JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

Numa sexta-feira dita santa, melhor tirar férias do Brasil. Por isso continuo com histórias, leves, de livro que estou escrevendo (título da coluna).

* * *

ANDERSON BOCÃO, Presidente da Câmara de Vereadores do Cabo. No tênis apostou que, se não ganhasse, voltaria para casa a pé. E perdeu feio.

– Foi ruim, Bocão. Depois você manda alguém pegar o carro.

– Eu? Tá doido? Vou pra casa é nele.

– Mas você deu sua palavra, quando apostou.

– E vocês ainda acreditam em palavra de político?

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FERNANDO LYRA, Ministro da Justiça. Um eleitor pergunta:

– Ministro, esse seu Lyra é com I ou com Y?

– É com L, meu filho.

* * *

HUGO CARVANA, ator. Meio-dia, barzinho do Baixo Cobal. Na mesa, os de sempre – Chico Caruso, Eliane, Gravatá, José Lewgoy, Millôr, Técio. Nisso vem vindo, como se estivesse numa passarela, mulher distintíssima. Cerca de 40 anos. Pintada como se fosse para festa, colar e brincos. Naquele calor, um ser de outro planeta. Hugo não se conteve. Foi até perto dela, se ajoelhou, e disse

– Bela princesa. Se por acaso gostar de pau mole, estou em condição de lhe levar à loucura.

Me preparei para ouvir um carão. Mas o Rio é o Rio. Ela sorriu (compreendendo ser um elogio), disse apenas

– Muito obrigado,

e seguiu adiante. Sem dar bola para o pobre amigo.

* * *

JANETE COSTA e BORSOI, arquitetos. Olinda, casamento deles, depois de viverem juntos por décadas. Terminada a cerimônia, o juiz de família Clicério Bezerra fez discurso em homenagem aos recém-casados. Quando acabou,

– E agora, pelos padrinhos, vai falar o dr. José Paulo.

Surpreso com essa incumbência, que não foi combinada, me limitei a dizer o que estava pensando:

– Estamos, aqui, vendo um conto de fadas do contrário. Nas histórias dos livros, um príncipe encontra sua princesa, se casam e são felizes para sempre. Aqui, um Rei e sua Rainha se encontram, vivem felizes para sempre e, no fim, se casam.

* * *

MIGUEL ARRAES, governador. Em 1998, dr. Arraes perdeu eleição de governador para Jarbas Vasconcelos. O filho, escritor José Almino (da Casa Rui Barbosa), conta que, dia seguinte, os jornalistas o procuraram para uma entrevista. Como sempre, no portão por trás da casa na Rua do Chacon. Primeira pergunta:

– Dr. Arraes, como o senhor explica sua derrota?

– Faltaram votos.

4 pensou em “CONVERSAS DE MEIO MINUTO (7)

  1. Padre José Paulo,

    A coluna de hoje está tão leve e espirituosa que, somada a sexta feira santa, dá um conto de fada.

  2. Me lembro dessa derrota do Arraes em 1998 pq ficou muito marcada a discrepância.

    Foi uma surra homérica! Rejeição histórica!

  3. Grande sacada do Mestre José Paulo.

    Confesso que passaria horas lendo essas conversas de meio minuto.

    Regrando o tira-gosto e a bebida, hoje foram servidas 5 doses. Dá nem pra ficar tonto.

    A proposital abstinência impositiva, maltrata.

  4. Dr. José Paulo,

    Seu livro terá sucesso, sobretudo porque concorre com as variadas pequenas notícias que circulam nas Redes Sociais, nem sempre históricas porque inventadas.

    Acima de tudo porque – as suas – são contadas com graça e valorizadas por quem sabe fazê-lo com maestria e conhecimento de causa.

    Tem algo mais: são partes da nossa história. E como nos disse mais ou menos Dr. Chateaubriand, não há História sem que se comente os pequenos fatos representados por personagens de cada cidade, de cada estado.

    E o amigo foi protagonista de todas, muito de perto, certamente.

    Parabéns e grato por tão deliciosas lembranças.

    Cordialmente seu leitor e admirador, Carlos Eduardo.

    PS – Quando Luiz Berto teve o piripaque nos conhecemos, pois ambos estávamos visitantes do paciente. Naquela oportunidade falamos sobre seu tio, Dr. Paulo Cavalcanti, e traçamos rápidos outros assuntos jurídicos.

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