CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

Peguei um taxi no centro da cidade cumprimentei o motorista e dei-lhe o destino: orla de Jatiúca. Nesse mesmo momento, em frente, uma jovem atravessava a faixa de pedestre quando de repente o forte o Vento Nordeste levantou a saía da moça mostrando um belo traseiro apertado por uma minúscula calcinha vermelhe, as mãos da jovem ocupadas com sacolas, não teve como baixar a saia continuando a exposição de seu belo corpo para os sortudos que olhavam. Ao abrir o sinal, o taxista engatou a primeira e partiu Ele sorriu, satisfeito da vida, olhou-me de soslaio e comentou.

– O senhor viu que coisa linda? Há quem não goste disso. Sou casado, sustento minha família com esse taxi, mas tenho esse vício por mulher, gosto de dar uma voltinha por fora quando aparece oportunidade, entendeu Doutor?

Afirmei que entendia. O taxista continuou falando entrando na praia da Avenida da Paz.

– Maceió é a única capital que tem praia no centro da cidade. Não parou mais de falar, conhecia a velhaca política alagoana, foi citando os conhecidos até chegarmos à praia da Pajuçara, quando o taxi parou numa faixa de pedestre em frente a um luxuoso hotel. Nesse momento atravessaram três turistas andando devagar, vestidas em saída de praia, tecido fino e transparente mostrando os pequenos biquínis que mal cobriam as partes pudentes. Foi o pretexto para o taxista continuar a apologia à mulher.

– Olha aí que coisa mais linda, essas mulheres com o andar macio, sem pressa, ficam desfilando para o mundo, elas sabem que homem gosta de olhar. É um espetáculo e eu quero viver muito tempo para apreciar. A gente não come, mas olha, Doutor.

Deu uma risada de sua própria piada. E não parou de falar.

– Vou contar uma história, o senhor não vai acreditar. Na temporada em janeiro eu peguei no hotel duas paulistas bonitas feito a gota serena, levei-as à praia do Francês. Providenciei sombrinha, cadeiras, elas ficaram encantadas, pediram cerveja ao garçom, tomaram banho de mar, andaram na praia, retornaram à mesa, enchendo a cara com cerveja e caipirinha, eu só espiando e esperando ao longe. Já tarde resolveram almoçar na barraca, me convidaram. Comi uma boa moqueca de peixe, sem beber, é claro. Eu percebi que as duas estavam meio bêbadas, cantavam e conversavam. Só retornamos a Maceió anoitecendo. As paulistas começaram a conversar sacanagem, perguntavam-me coisas, se eu gostava, eu respondia tudo, meio encabulado no começo da conversa. Ao passar por um motel na beira da estrada, uma delas mandou eu para o carro. Imediatamente freie e estacionei no acostamento. Uma delas se achegou por trás de mim, convidou-me para uma “menage atroá”. Eu topei mesmo sem saber o que era “menage atroá”. Doutor nunca tinha visto tanta sem-vergonhice na minha vida, as mulheres fumaram maconha. Passamos duas horas no motel, aprendi tudo que é safadeza na minha idade. No final, elas pagaram a conta. Levei-as ao hotel em que estavam hospedadas na praia da Ponta Verde. Ao despedir-me, ofereci meus préstimos para o dia seguinte, levá-las a qualquer praia que quisessem. Elas me agradeceram, viajariam na madrugada, estavam numa excursão. Quando voltassem a Maceió, me procurariam. Entreguei-lhes meu cartão. Deram beijinhos, pagaram-me a conta com uma boa gorjeta.

O taxista só parou de falar quando chegamos ao meu prédio, ele ainda tinha outras história para contar. Agradeci, paguei. Fiquei pensando. Na outra encarnação quem sabe se terei a sorte em ser motorista de taxi em Maceió.

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