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Já estive na Feira dos Paraíbas, no Bairro de São Cristovão, Rio de Janeiro, e me senti em casa. Lá eu tomei cachaça-de-cabeça e cerveja estupidamente gelada, tendo buchada de bode como tira-gosto.

Tenho um primo carioca, filho de uma tia, irmã da minha saudosa mãe, que sempre se dirige a mim com esta saudação: “Fala, Bel, seu paraíba arretado“.

Bel é meu apelido de família.

E eu fico feliz que só a porra com este cumprimento dele.

A única coisa estranha é que este primo pronuncia a frase com o característico sotaque carioca, e eu gosto mesmo de ser chamado de “paraíba” com um sotaque bem nordestinado.

Me dá uma alegria e um orgulho muito grande.

É um privilégio ser qualificado por um gentílico que não tem nada de depreciativo.

Muito pelo contrário.

É uma palavra que identifica gente como José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Jessier Quirino,  Ariano Suassuna, Celso Furtado, Orlando Tejo, Augusto dos Anjos, Sivuca, Pedro Américo, Jackson do Pandeiro, Felix Pacheco, Epitácio Pessoa, Elba Ramalho… e tantos e tantos outros nomes talentosos e ilustres.

Sacana mesmo são os paulistas: só chamam os nordestinos de “baiano“.

Aí é phoda!!!

Eu, que sou branco, ariano e galêgo dos zoios zazuis, fico tremendamente ofendido de ser chamado de “baiano” pelos paulistas.

Prestem atenção num verso da música intitulada Meu Pajeú, de autoria da dupla Luiz Gonzaga/Raymundo Granjeiro, interpretada por Gonzagão:

Paulista é gente boa
Mas é de lascar o cano
Eu nasci no Pajeú
E só me chamam de baiano

Tão vendo só?

Pros cariocas eu sou “paraíba“.

Pros paulistas eu sou “baiano“.

Eu só ficaria puto mesmo era se eles me chamassem de lulista, de esquerdista ou de petista.

Aí seria uma ofensa que eu não perdoaria nunca!!!

Um abraço fraterno e uma excelente semana para meus irmãos e leitores do Rio e de São Paulo!!!

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