PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Triste mortal que de contínuo choras,
Anunciando a todos, voz em grita,
A desventura que te infelicita
Para a qual lenitivo ao mundo imploras,

Deste modo de certo não minoras
A funda mágoa de tua alma aflita:
Riso somente e não piedade excita
O vão clamor com que teu mal deploras.

Se não sabes sofrer as tuas penas,
De rosto alegre e ânimo jucundo,
Como as almas estoicas e serenas,

Aprende ao menos a sofrer calado,
Pois a maior desgraça deste mundo
É parecer aos outros desgraçado.

Padre Antônio Tomás, Acaraú-CE (1868-1941)

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